Militares veteranos dos EUA condenam o ataque ao Irão

Editor / Veterans For Peace — 15 Março 2026

Militar no activo: Quero que tu recuses ordens ilegais!

A 1 de março, logo após o início do ataque ao Irão, uma organização norte-americana de soldados veteranos, Veterans For Peace, emitiu um apelo à população civil e aos soldados dos EUA para que se levantem em protesto contra a guerra e recusem combater. Activa desde 1985, a organização argumenta com a ilegalidade e inconstitucionalidade da guerra, denuncia as mentiras do governo para a desencadear, exige o fim das agressões ao Irão, à Palestina, à Venezuela e a Cuba e reclama o fim do apoio dos EUA a Israel.

 

MILITARES E CIVIS:
RESISTAM ÀS GUERRAS ILEGAIS!

Veterans For Peace

A organização Veteranos pela Paz condena veementemente o ataque dos EUA e de Israel ao Irão. Chamamos os nossos membros, amigos e aliados a resistirem a esta guerra perigosa e ilegal. Oferecemos nosso apoio aos membros das forças armadas que decidirem recusar-se a cumprir ordens ilegais e resistir a uma guerra ilegal.

Uma guerra baseada em mentiras

As justificativas sempre mutáveis ​​da administração Trump para entrar em guerra contra o Irão são mentiras. O Irão não representava nenhuma ameaça aos Estados Unidos. Esta operação militar não é uma guerra defensiva, mas sim uma guerra de escolha de Israel e dos EUA, uma guerra de agressão, uma guerra para mudança de regime – muito semelhante às desastrosas guerras dos EUA que mataram milhões de pessoas no Vietname, Iraque e Afeganistão – guerras que muitos veteranos lembram com horror e arrependimento.

Contrariando a mentira repetida inúmeras vezes pelo Presidente Trump, o Irão declarou repetidamente que não tem intenção de adquirir armas nucleares. Pelo contrário, os Estados Unidos, o único país a atacar outra nação com armas nucleares, revogaram unilateralmente múltiplos tratados de controle de armas e estão a investir dois biliões de dólares numa nova geração de armas nucleares. Foram os EUA, e não o Irão, que violaram e se retiraram do acordo nuclear iraniano. Israel também possui armas nucleares – não declaradas e não inspeccionadas. Duas potências nucleares a atacar o Irão, alegando impedi-lo de prosseguir com o seu programa nuclear, é o cúmulo da hipocrisia.

A agressão contra o Irão ocorre menos de dois meses após o ataque dos EUA à Venezuela e o sequestro ilegal de seu presidente e esposa. Acontece no meio de ameaças de guerra e de bloqueio do petróleo a Cuba. Este completo desrespeito e abuso do processo de negociações só incentiva a proliferação nuclear em todo o mundo.

Ilegal e inconstitucional

A guerra dos EUA contra o Irão é ilegal a vários títulos. É uma violação da Carta da ONU, um tratado que é a “lei suprema do país” de acordo com o Artigo VI da Constituição dos EUA. O Artigo 2(4) da Carta da ONU afirma: “Todos os Membros deverão abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou incompatível, de qualquer outro modo, com os Propósitos das Nações Unidas.”

A guerra de agressão unilateral contra o Irão é uma violação flagrante da Constituição dos EUA, que concede explicitamente ao Congresso a autoridade exclusiva para declarar guerra. Esse poder foi intencionalmente atribuído ao Poder Legislativo para evitar acções militares unilaterais por parte de um único executivo.

Estas questões legais e constitucionais podem parecer antiquadas para aqueles de nós que as vimos rotineiramente violadas por presidente após presidente, com a cumplicidade de um Congresso submisso. No entanto, elas constituem o direito internacional e o direito interno. São a codificação legal de uma estrutura moral para a paz e a cooperação internacionais. Os amantes da paz devem lutar para garantir que essas leis sejam cumpridas. Devemos responsabilizar os nossos governantes quando eles não são responsáveis.

Recuse ordens ilegais – Resista a guerras ilegais

A organização Veteranos pela Paz lembra aos nossos irmãos e irmãs, filhos e netos nas Forças Armadas dos EUA que uma ordem para participar numa guerra ilegal é, por extensão, uma ordem ilegal. Vocês têm o direito e até mesmo o dever de recusar ordens ilegais. A organização Veteranos pela Paz e muitas outras estarão ao vosso lado quando vocês o fizerem, fornecendo informações e recursos úteis. Quaisquer consequências legais que vocês possam sofrer são insignificantes em comparação com o risco de vida numa guerra ilegal ou com o sofrimento de stresse pós-traumático e lesão moral.

Veteranos e civis também têm o direito e a responsabilidade de resistir às ações ilegais do nosso governo, tanto no país como no exterior. Este ataque representa um momento crítico na história dos Estados Unidos e do mundo. Devemos vir para as ruas protestar. Devemos usar os nossos telefones para dizer aos nossos representantes que votem Sim na resolução sobre os Poderes de Guerra acerca do Irão (*). Devemos usar os nossos teclados para escrever cartas aos editores. Digam-lhes:

Fim imediato aos ataques militares dos EUA contra o Irão!

Fim ao apoio dos EUA a Israel e ao genocídio na Palestina!

Fim à guerra económica contra o Irão, a Venezuela e Cuba!

Fim do ICE e da repressão autoritária nas cidades dos EUA!

Abolição das armas nucleares e da guerra!


PAZ EM CASA, PAZ NO EXTERIOR!

 

(*) A resolução, que pretendia limitar o poder do presidente quanto à declaração de guerra, de acordo com a Constituição dos EUA, foi derrotada.


Comentários dos leitores

António 16/3/2026, 12:53

A guarda revolucionária do Irão que tem o direito a defender o país, foi considerada pela União Europeia, um pouco antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, como uma organização terrorista. Esta guerra que os Estados Unidos e Israel estão a fazer conta o Irão está totalmente contra a Carta das Nações Unidas. E a União Europeia caladinha. Nenhuma classificação para esses dois países.

António

leonel l. clérigo 17/3/2026, 11:02

Caro António:
Se esta guerra a que assistimos, mais não é que o "estrebuchar" do Império USA que não quer - julga ele... - perder a "Boa vida que levava" à custa da larga maioria SUBDESENVOLVIDA, parece evidente que, se o PLANETA "não o meter na Ordem", vamos ter aqui uma "carga de trabalhos" de que não nos livramos tão cedo.
Por isso é minha opinião que não era nada mau que os nossos "hermanos" aqui do lado trocassem o Pedro Sánchez pelo Montenegro. Como diziam os pândegos de Coimbra quando tiraram as setas ao S. Sebastião: "Basta de tanto sofrer!"


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