Que não se percam os ganhos da luta do povo grego


José Borralho — 16 Março 2015

greciaO primeiro ganho da luta que o povo grego desenvolveu contra a austeridade da Troika, através de dezenas de greves gerais e de fortíssimas manifestações e ocupações combativas, foi o esfrangalhamento dos vendilhões “socialistas” do Pasok, que ficaram reduzidos a um grupo insignificante depois de durante anos terem sido os aplicadores, em conjunto com a direita da Nova Democracia, da política austeritária e de endividamento da Grécia.



O segundo ganho da luta do povo grego foi levar ao poder uma coligação de pequenos partidos que em nome da esquerda apresentaram ao povo um programa anti-Troika, anti-austeridade, em essência anti-potência alemã, que provocou em toda a União Europeia um arrumar de forças do capital: todos ao lado da Alemanha, todos contra a Grécia e contra os seus próprios povos.



O terceiro ganho da luta do povo grego foi ter forçado o actual presidente da UE a declarar publicamente como criminosas as políticas, impostas pela Troika, do chamado “ajustamento” nos países de economias mais fracas.



O quarto ganho, e seguramente do ponto de vista subjectivo o mais importante, foi a mensagem que a luta do povo grego transmitiu a todos os outros povos da Europa: é possível derrotá-los se a luta for mais forte!



O governo do Syriza, mérito se lhe reconheça, fez os possíveis para travar o prosseguimento da austeridade. Mas, os seus limites políticos, inseridos no sistema da democracia burguesa, não lhe permitem ir muito mais longe. Por exemplo, apelar a grandes manifestações de massas na Grécia em apoio da sua negociação como forma de pressão dos explorados sobre os ditadores de Bruxelas. O Syriza jogou as suas cartadas no terreno do inimigo, que era de 18 contra 1, e aí era previsível a tentativa de esmagamento.



Está aberto um caminho, começado a desbravar pelo povo grego, que exige aos trabalhadores, à esquerda e ao movimento sindical europeu uma autocrítica pela sua incipiência e pela sua falta de solidariedade internacionalista. Está na hora de pensarmos seriamente que é possível avançar com os ganhos da luta do povo grego, se tomarmos em mão a tarefa de elevar a luta a outros níveis, criando outro paradigma para a luta operária e popular: chama-se anticapitalismo. É a única forma de vencer a crise e exige uma esquerda nova, marxista e revolucionária!


Comentários dos leitores

afonsomanuelsilvagonçalves 22/3/2015, 13:38

Não é necessário tirar um curso superior de ideologia política par saber quais são os limites de um partido social-democrata adaptado ao tempo actual. As contradições que devo acentuar sobre este fenómeno inesperado da Grécia é a de que não houve esmagamento político nem económico sobre a Grécia. Está certo o artigo quando afirma que não houve auto-crítica no movimento sindical. Mas também não houve no movimento político que é o fundamental. O que fez o KKE nestes anos de propaganda política extemporâneo e intempestivo? Apenas uns princípios revolucionários copiados fora do contexto da célebre e grandiosa revolução Russa. Por isso o articulista ainda influenciado pela propaganda revisionista não menciona o mumificado KKE. O mesmo acontece aqui com o revisionismo trauliteiro por todos nós conhecido como partido «reformista».


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