Sem medos

22 Abril 2011

manif12marco6.jpgDepois das grandes manifestações de 12 e 19 de Março, em que centenas de milhares de trabalhadores, desempregados e jovens exprimiram o seu descontentamento e apresentaram as suas reivindicações, a luta tem prosseguido nas ruas e nas empresas. Embora em menos locais e com menos força do que seria necessário para barrar a ofensiva do capital. Em Março e Abril, milhares de trabalhadores lutaram contra os cortes de salários, a supressão de direitos no trabalho, a intenção de alguma empresas avançarem com as privatizações, assim como a defesa das liberdades. E em 6 de Maio estarão em greve os trabalhadores da Função Pública.

Como habitualmente, realizam-se em 25 de Abril e em 1 de Maio diversas sessões públicas e manifestações de rua. Tanto numa como noutra data, é de superar as perspectivas saudosistas ou meramente evocativas, procurando integrar as comemorações nas lutas que é necessário desenvolver face à grave situação das classes trabalhadoras.

Em declarações recentes, o secretário-geral da CGTP, afirmou que “o tempo não é de medos, nem de silêncios. O tempo tem de ser de protesto, de acção, de resposta”. E acrescentou: “Sem qualquer hesitação, a CGTP apela à mobilização de todos trabalhadores e tudo faremos para rejeitar as receitas da FMI e UE. Não pode haver qualquer hesitação, é preciso rechaçar estas medidas”.

Perfeito. Em todo o caso, Carvalho da Silva não deixou de balizar esta mobilização pelo calendário eleitoral dizendo que até 5 de Junho decorre “um período de intervenção política, para introduzirmos o conteúdo social na agenda política”.

De acordo que seja “introduzido conteúdo social na agenda política”. Mas aquilo de que os trabalhadores menos precisam é que a sua luta de classe seja colocada a reboque das eleições!


Comentários dos leitores

afonsomanuelgonçalves 22/4/2011, 16:02

O MV escreve sobre o dirigente C: da Silva como se o tivesse conhecido ontem e acredita ingenuanente nas suas declarações solenes. Vê-se que não o conhecem desde há 35 anos para cá. E o mesmoi acontece com o PCP. Depois de 60 anos de história a traír a revolução e a acompanhar de braço dado a propaganda burguesa a extrema-esquerda encontra-se tal com a pequena e a média burguesia n8m beco sem saída. O imperialismo sai vitorioso desta contenda e o proletariado, os trabalhadorers e a pequena burguesia, tal como previa Marx nos seus estudos históricos, ( vide o A luta de Classes em França 1948-1950) entre outros caiem na armadillha ilusória do mundo encantado da burguesia.
Felizmente, tal como Roma, a história não paga a traidores.

肤美灵洗面奶 24/4/2011, 4:46

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mraposo 28/4/2011, 13:04

Afonso Gonçalves devia ler com atenção, e até ao fim, os textos que critica. A menos que queira apenas cultivar certa truculência verbal.
Não está em causa acreditar ou não no que Carvalho da Silva, ou outro dirigente político qualquer, afirma. O que pusemos em destaque foi 1) a fraqueza das lutas actuais quando comparadas com a ofensiva desencadeada pelo patronato; 2) a necessidade de apoiar um movimento de massas que não seja apenas simbólico, mas sim se oponha eficazmente a essa ofensiva; e 3) não colocar esse movimento na dependência de cálculos eleitorais.
O nosso crítico AG quer mostrar que "já conhece" Carvalho da Silva, e vai por aí fora atrás das suas próprias palavras. Nós não estamos muito preocupados com os que "já conhecem", mas sim com os que desfilam aos milhares nas manifestações da CGTP, que fazem greves, etc. A esses, o nosso propósito é tentar mostrar que é necessário e se pode ir mais além. Para isso, é preciso perceber o estado de consciência actual dessas massas de trabalhadores, e dar-lhes argumentos para irem mais longe. Isso não se faz exibindo erudição com citações de Marx agarradas pelos cabelos .


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