Rohde: mais destruição de emprego

Pedro Goulart — 14 Setembro 2009

rohde_72.jpgOs 984 operários da fábrica de calçado Rohde souberam em 7 de Setembro, após três semanas de férias, que a empresa vai entrar mais dois meses em lay-off (com incentivo do Ministério da Economia e com a justificação de evitar o encerramento imediato). Simultaneamente, a administração diz que vai avançar, ainda este mês, com um pedido de insolvência, como forma de procurar uma solução que assegure a viabilidade económica da empresa. A Rohde, com fábrica em Santa Maria da Feira, é a maior empregadora da indústria de calçado em Portugal e já empregou 3 mil trabalhadores.

O pedido de insolvência será apresentado em tribunal português (e não na Alemanha, onde está sedeada a empresa-mãe), para que o processo seja conduzido por um administrador português, procurando tornar mais fácil uma solução que envolva o Estado português. Lembramos que a Rohde já esteve várias vezes em lay-off e ainda recentemente recorreu a fundos estruturais, recebendo dinheiro do Estado.

O que se passa com a Rohde, cuja empresa-mãe já dispensou o trabalho da unidade portuguesa, vem na sequência lógica do que se tem verificado com as restantes multinacionais do calçado: vieram para Portugal explorar uma força de trabalho barata e, nos últimos anos, foram saindo, deslocalizando para outros países onde as condições de exploração lhes são mais favoráveis.

Muitos trabalhadores da Rohde consideram o seu futuro incerto. Receiam que estes dois meses de lay-off acordados com o governo mais não representem que a um adiar da situação (como na Qimonda?). E que uma solução definitiva de fecho da empresa esteja a ser preparada para depois do período eleitoral, visto que o encerramento nesta altura geraria mais uma onda de contestação social.


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