Greve na cervejeira Cintra

Pedro Goulart / Urbano de Campos — 3 Maio 2008

Os trabalhadores da cervejeira Cintra, em Santarém, estiveram em greve de três horas por turno, em 30 de Abril. Protestam contra a falta de actualização salarial desde há 7 anos e contra a insegurança dos postos de trabalho. A greve responde também à interrupção, pelos patrões, da negociação do Acordo Colectivo de Empresa, que estava em curso.

A administração diz não compreender a greve, atirando com o argumento de que, em Setembro de 2007, houve aumentos de 35 euros por trabalhador. Simplesmente, como explicam os operários, esse acréscimo foi dado à conta de bónus, não entrando portanto para o cálculo de eventuais aumentos. E apontam ainda o facto de haver grandes diferenças salariais, nomeadamente no que se refere a alguns funcionários administrativos. Entretanto, cartas de despedimento foram enviadas a vários trabalhadores com contrato a termo.

A paralisação do dia 30 começou com uma concentração de protesto de uns 50 operários do turno da manhã frente à entrada da fábrica. Na maioria jovens, os trabalhadores – actualmente num total de 135 – dispõem-se a exigir audiências ao governo. Mas também exigem saber a posição da Câmara Municipal de Santarém que vendeu o terreno da fábrica a Sousa Cintra por um preço simbólico e construiu os acessos viários e a rede de saneamento, com o argumento de que o investimento beneficiaria o concelho.

Não querendo saber disso, Sousa Cintra desfez-se da fábrica em 2006, vendendo-a ao empresário Jorge Armindo, proprietário da Drink In. As promessas de investimentos, como vem sendo usual, ficaram-se pelas palavras, passando a empresa, pelo contrário, a encomendar fora vários dos seus serviços.


Comentários dos leitores

António da Costa 4/5/2008, 12:36

Esta situação é demonstrativa de como o poder, tanto a nível autárquico como central, está ao serviço do capital, este não tem pátria, ou seja, convém lembrar, a quem esqueceu, e dar a conhecer a quem ignora, o cunho de classe do Estado. Daí a construção das infraestruturas, a oferta dos terrenos, os beneficios fiscais, etc..., sem quaisquer encargos ou responsabilidades para as empresas. Quando estão em causa os mais elementares direitos sociais e humanos, o poder argumenta que não tem meios nem pode intervir nas relações laborais ..., não pode obrigar as empresas a ficarem, a manter os postos de trabalho, etc...etc.... Se os trabalhadores, em defesa dos seus mais elementares direitos, lutam, surge de imediato o Estado, com as polícias de choque, a reprimir os trabalhadores.


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