Arquivo de Janeiro 2019

A cultura e as pistolas

António Louçã

Os anfitriões de Marcelo em Brasília não perdem uma ocasião para mostrar o que querem fazer da cultura.
A última foi a ministra Damares Alves, ao criticar a sua própria seita evangélica por ter capitulado perante a ciência. Diz a ministra que a igreja nunca devia ter deixado a teoria da evolução substituir nas escolas a lenda bíblica dos sete dias da Criação. Ler o resto do artigo »



Os actos traem as palavras

Manuel Raposo

O presidente da República deixou gravada uma mensagem de Ano Novo, para português ouvir, com muitos e sisudos conselhos. Entre eles, um alerta para os perigos do “populismo” a que Portugal não estará imune. Partiu de seguida para o Brasil onde representou “o país” na posse de Bolsonaro, o “populista” mais recentemente eleito, com a agenda fascista mais explícita de todos eles. Meio mundo recusou-se a aparecer em Brasília, mas a lusa democracia não — e viu-se acompanhada de Orbán e Netanyahu, esses dois lídimos representantes da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Ler o resto do artigo »



Ele Não!

O presidente da República teve o despudor de convidar Bolsonaro a visitar Portugal, coisa que o país não lhe encomendou e que vai contra tudo o que seria razoável fazer perante um personagem como aquele. O que vem cá fazer o fulano? Melhor: o que pretendem Marcelo e a diplomacia portuguesa que venha ele cá fazer? Agradecer pessoal e presencialmente a vitória que lhe deu a comunidade brasileira em Portugal? Apresentar de viva voz os seus métodos para “reforçar a democracia” e tirar o capital da crise? Explicar o processo de criminalizar como terroristas os movimentos sociais? Dar alento aos seus apaniguados lusitanos? Glorificar a Pide como fez aos torturadores brasileiros?
Se o convite se concretizar, será caso para organizar, massivamente, a recepção que um energúmeno desta estirpe merece. Começando, desde já, por dizer como milhões de brasileiros: Ele Não!



Não instaura o fascismo quem quer

António Louçã

Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré. Bolsonaro foi durante 30 anos um deputado medíocre e vai tornar-se em poucos meses um ditador falhado.
As comparações com Hitler e Mussolini são completamente deslocadas. Ambos deram corpo a projectos imperiais, de grandes potências que tinham saído mal da Primeira Grande Guerra — a Alemanha derrotada e enxovalhada em Versalhes, a Itália vencedora mas frustrada com o seu escasso quinhão na partilha dos despojos. Ler o resto do artigo »



Porque é que o Estado “falha”?

Urbano de Campos

De há um ano para cá, a direita — com o concurso do presidente da República — tem vindo a cavalgar as tragédias nacionais com lamúrias de mau gosto e com a acusação de que o Estado “falhou”. Motivos, de facto, não faltam, desde os incêndios de 2017 até ao recente desabamento da pedreira de Borba ou à queda do helicóptero do INEM. Chegou mesmo a evocar-se o colapso da ponte de Entre-os-Rios (há quase 20 anos!) e houve mesmo quem, para apimentar o assunto, levantasse alarme acerca da ponte 25 de Abril. Ler o resto do artigo »