Arquivo de Novembro 2011

Emergência social

O plano (tão cinicamente) chamado de Emergência Social não é para combater a pobreza mas sim para a institucionalizar através da caridade e do assistencialismo hipócrita. FB



De bandeja

Depois da entrega em bandeja do BPN ao BIC por 40 milhões (custou mais de 4 mil milhões!) seguiu-se a venda da Groundforce da TAP à belga Aviapartner por 3 milhões (que tinha custado 30 milhões). Enquanto o governo anda a vender Portugal aos bocados quase a custo zero, as pequenas empresas, que empregam 80% dos trabalhadores, agonizam sem financiamento bancário e acossadas pelo terrorismo fiscal. FB



Um bobo no Ministério da Economia

É imperativa a luta contra o capital

Pedro Goulart

alvaro_santos_pereira_.jpgNo quadro do debate do Orçamento do Estado para 2012, Álvaro dos Santos Pereira declarou na Assembleia da República, como as televisões, rádios e jornais do regime amplamente confirmaram, que “2012 irá certamente marcar o fim da crise. Será o ano da retoma para o crescimento gradual em 2013 e 2014”. Fez esta afirmação, apesar de já terem sido conhecidas na semana anterior as projecções da Comissão Europeia para a economia portuguesa, que indicam uma recessão de 3 por cento e uma taxa de desemprego de 13,6 por cento, em 2012. Contudo, quatro horas depois, o ministro da Economia de Passos Coelho, recuava, afirmando: “não anunciei o fim da crise. O que disse é que 2012 será o princípio do fim da crise”. Ler o resto do artigo »



Para mudar de rumo

A crise do capitalismo assola a Europa e o mundo. Os trabalhadores europeus são os nossos primeiros aliados. Solidariedade e apoio são indispensáveis para reforçar a luta comum. Foi o que os comunistas gregos disseram ao colocar no alto da Acrópole a exortação “Povos da Europa, levantem-se!” Não foi só um pedido de ajuda, foi um apelo à união europeia dos trabalhadores. Cabe aos trabalhadores portugueses corresponder à chamada.

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Para mudar de rumo

Resistir ao aumento da exploração significa atacar os ganhos do capital; não há terceira via. O capital só sabe combater a crise aumentando a exploração. O trabalho terá de reagir da única maneira eficaz: reclamando medidas que empurrem os custos para cima do capital. Só assim o movimento de resistência acumulará força para travar a ofensiva do poder.

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Para mudar de rumo

O patronato quer reduzir os assalariados à condição de pobres sem direitos. Esta política precisa de resposta à altura: uma resposta anticapitalista. À cabeça da resistência têm de estar os mais sacrificados – o operariado e os demais trabalhadores assalariados. É essa a primeira condição para que o movimento de protesto não se limite a pedir benevolência ao governo e ao patronato, coisa a que eles serão surdos enquanto não se sentirem em perigo.

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Mais de um milhão de desempregados

Segundo o economista Eugénio Rosa, a política da troika, seguida pelo governo PSD/CDS (e apoiada pelo PS), no sentido de “tranquilizar os credores”, está a fazer disparar o desemprego, tendo a taxa oficial, no 3.º trimestre deste ano, subido para 12,4% (dados do INE). Ora, somando a este desemprego oficial os “inactivos disponíveis” e o “subemprego visível” (também dados do INE), obtemos uma taxa de desemprego real da ordem dos 18%, verificando-se assim, actualmente, que há mais de um milhão de trabalhadores efectivamente desempregados.



Editorial

Ir mais alto

Muitas camadas sociais são atingidas pela crise e pelas medidas terroristas do poder. Mas isto não ilude uma questão de base: as classes capazes de conduzir a luta a patamares superiores são as classes por condição anticapitalistas, o operariado e os demais trabalhadores assalariados. Essa é a primeira condição para que o movimento de protesto não se limite a pedir benevolência ao poder (governo e capital), coisa a que ele será surdo enquanto não se sentir em perigo.

Para ser eficaz, o movimento de resistência tem de levantar exigências que firam os interesses capitalistas. São elas que podem despertar o empenho de classe dos trabalhadores e levá-los a reagir em maior número e com mais energia.
Resistir ao aumento da exploração significa atacar os ganhos do capital; não há terceira via. Se o capital só sabe combater a crise aumentando a exploração, então o trabalho terá de reagir da única maneira consentânea: reclamando medidas que empurrem os custos para cima do capital. Só assim o movimento de resistência acumulará força para travar a ofensiva do poder. Ler o resto do artigo »



Dito

“Como importa acima de tudo não ser privado dos frutos da civilização, das forças produtivas adquiridas, é preciso quebrar as formas tradicionais nas quais elas foram produzidas.” Karl Marx, Miséria da Filosofia.



Imprensa, delusão (*) e poder

António Poeiras

circulodegiz.jpgTodos sabemos como operam os grupos que controlam o poder político quando querem agir contra alguém ou impor uma decisão que sabem não merecer a adesão imediata das populações que governam: lançam-se numa campanha onde todos os meios são usados, da imprensa à publicidade institucional, e, ao fim de algum tempo, a decisão que se quer tomar deixa de ser controversa, podendo mesmo ser desejada e exigida. É assim para tornar fácil o despedimento dos funcionários públicos, aprovar sem problemas os cortes na saúde e na educação, mascarar o trabalho escravo (trabalho obrigatório sem remuneração, como quer o governo português), isolar Hugo Chávez, bombardear a Líbia, reprimir uma manifestação ou tornar natural a nomeação de um regente que tutela um governo fantoche (veja-se a proposta do novo pacote de austeridade para a Grécia). Ler o resto do artigo »



Os indignados de hoje

Por todo o mundo há manifestações de cidadãos indignados contra o impune e especulativo sistema financeiro e a globalização selvagem capitalista. Nenhum complexo político-policial e militar vai travar este movimento crescente. A indignação manifestada por milhões de cidadãos já não é uma esperança, é uma certeza. Os indignados de hoje serão os revolucionários de amanhã que vão criar um mundo novo e uma humanidade melhor. FB



A arte da guerra

O negócio armado na Líbia

Manlio Dinucci / MV

security_libia.jpgConcluída a Operação Protector Unificado – mesmo se a NATO «continua a vigiar a situação, pronta para ajudar em caso de necessidade» – foi aberta na Líbia a corrida ao ouro entre as empresas ocidentais, incluindo as mais pequenas. Estas posicionam-se ao lado das poderosas companhias petrolíferas e bancos de investimento dos Estados Unidos da América e da Europa, que já ocuparam posições-chave. O Ministério dos Negócios Estrangeiros Italiano comprometeu-se a «facilitar a participação das pequenas e médias empresas Italianas na construção da Líbia liberta». Em Trípoli já se encontrava uma delegação de 80 empresas francesas e o ministro da Defesa do Reino Unido, Philip Hammond, tinha solicitado as empresas britânicas «a fazer as malas» e correr para a Líbia. Ler o resto do artigo »



À bomba

Na Líbia (como no Iraque e no Afeganistão) a democracia é imposta à bomba. Na Europa usam a coacção financeira para a limitar e até para a proibir. Quando é que a troika vai dar ordem à NATO para bombardear os povos que não aceitam a escravidão moderna das brutais medidas de austeridade? FB



De novo em apoio de Gaza

Mais uma flotilha (“Ondas de liberdade para Gaza”), composta por dois barcos, que estava a caminho de Gaza, foi interceptada pela marinha de guerra israelita. Os civis a bordo do “Tahrir” e do “Saoirse”, de vários países, tentaram de novo quebrar o cerco ilegal imposto por Israel a 1,6 milhões de palestinos de Gaza. Repetiu-se assim o que sucedera no verão passado com uma outra flotilha, a maior parte dela detida pelas autoridades gregas que actuaram em conluio com o governo de Tel Aviv. Agora, uma vez mais, as forças israelitas violaram o direito internacional em total impunidade e com a complacência das potências ocidentais.



24 de Novembro

Greve geral: um salto em frente ou apenas mais uma?

Manuel Raposo

greve-geral24nov.jpgNo final de uma reunião do CC do PCP (16 de Outubro), Jerónimo de Sousa afirmou a necessidade de os trabalhadores responderem às medidas do governo com uma “forma superior de luta” e apontou a realização de uma greve geral. Inteiramente de acordo. Mas, como nos últimos anos não têm faltado lutas, manifestações, greves e mesmo greves gerais – sem que isso tenha feito recuar o ataque patronal – tem de se colocar esta pergunta: uma greve geral para exigir o quê? Será isto que decidirá se a greve geral marcada para 24 de Novembro vai ser de facto uma forma superior de luta – concretamente, situar-se um degrau acima das lutas até agora levadas a cabo – ou vai ser apenas mais uma. Ler o resto do artigo »