Arquivo de Setembro 2009

A ditadura da produtividade

23 suicídios na France Telecom em dois anos (*)

PCOF / MV

france-telecom-employees_web.jpgComo referimos numa pequena notícia recente, uma onda de suicídios atingiu os trabalhadores da France Telecom (FT), na sequência de uma “reestruturação” que, desde 1995, enviou para o desemprego 60 mil trabalhadores e deu lucros astronómicos aos accionistas. O texto que agora divulgamos (publicado pelo Partido Comunista dos Operários de França) traz mais alguma luz sobre os factos, relacionando os despedimentos, o estado de stress dos trabalhadores e os suicídios com os métodos de gestão postos em prática por administradores que em nada são inocentes. Ler o resto do artigo »



Colóquio sobre os comunistas em Portugal

Decorre hoje, dia 26, em Lisboa, a segunda e última sessão de um colóquio sobre «Os Comunistas em Portugal – 1921-2009», organizado pela revista Política Operária. A iniciativa, a segunda sobre o mesmo tema, conta com a colaboração da Biblioteca-Museu República e Resistência em cujas instalações decorrem as palestras. Ver programa na secção Vai Acontecer.



As “escutas” na Presidência

Uma operação fracassada

Carlos Completo

cavacoefernandolima_72crop.jpgNão é que essa gente do aparelho e do governo PS não seja capaz de mandar fazer escutas a qualquer um. Conhecemos bem como agem. Mas, no caso das pretensas escutas do governo de Sócrates ao Presidente da República, as coisas parecem configurar uma inábil manobra desencadeada a partir de Belém para dar uma ajudinha a um PSD em dificuldades. Como, na prática, pouco divergem PS e PSD, as batalhas eleitorais não podem fazer uma demarcação entre estes dois partidos do bloco central e, logo, não se revelam fáceis. E, como os interesses e os tachos em jogo falam alto, vale tudo neste combate. Ler o resto do artigo »



Os prisioneiros sírios e o “humanismo” do governo

Manuel Raposo

guantanamoflag_72crop.jpgO governo prontificou-se a acolher presos libertados de Guantânamo, no que passa por ser um gesto “humanitário”. Na verdade, trata-se de mais um serviço prestado aos EUA. As autoridades portuguesas apoiaram sem condições a “guerra santa” lançada por Bush em 2001 contra o “terrorismo”. Desde então, os EUA raptaram e prenderam quem quiseram em todo o mundo sem que as autoridades portuguesas dessem um pio. Os voos com gente raptada passaram por território português com o compadrio de sucessivos governos. Agora que os EUA encerram Guantânamo por não saberem o que fazer aos presos, o governo português acede de novo, aceitando a exportação dos detidos. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores ocupam Novinco

A Novinco é uma fábrica de materiais de construção, que labora no Porto. Os seus trabalhadores têm salários em atraso e têm lutado contra esta situação, assim como pela viabilidade da empresa. Em 21 de Setembro, os trabalhadores chegaram à Novinco e, com surpresa, encontraram os portões fechados. Os seguranças disseram-lhes que não podiam entrar, mas os operários forçaram os portões e ocuparam a empresa. Apesar da administração ter accionado anteriormente um processo de insolvência, os trabalhadores continuam a afirmar que a empresa é viável e que têm um projecto para manter a sua laboração.



”Estamos no começo de um longo período de perturbações e de revolução social”

Três perguntas a Tom Thomas

Manuel Vaz

crise-financeira-castelo.jpgTom Thomas é um economista marxista prolixo que nos últimos vinte anos publicou livro atrás de livro sobre as mutações capitalistas nos diferentes sectores da sociedade contemporânea (o trabalho, a mundialização, o Estado, o programa de transição para o socialismo, o capital financeiro, as crises cíclicas, o fascismo, o indivíduo…). A sua análise teórica, rica e variada, constitui, como o próprio autor diz, “um comentário actualizado de Marx”. Ler o resto do artigo »



Marcopolo: morte anunciada

A Marcopolo, fábrica de carroçarias de autocarros, localizada em Coimbra, pretendia encerrar no dia 15 de Setembro. O ministério do Trabalho impediu o encerramento na altura, por manifesta ilegalidade. Mas, em 30 de Novembro, o fecho consuma-se. São mais 180 trabalhadores que vão para o desemprego. A empresa é uma unidade de produção dependente do grupo brasileiro do mesmo nome, que é um dos maiores produtores mundiais de carroçarias para autocarros.



Repressão na Lisnave, concentração dia 22

Um dirigente sindical e membro da Comissão de Trabalhadores da Lisnave, Filipe Rua, foi despedido pela Administração da empresa, em 10 de Setembro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul, o trabalhador foi despedido numa atitude vingativa dos dirigentes da empresa, por ter participado num plenário dos trabalhadores precários, que a Administração tentara inviabilizar. O Sindicato decidiu contestar o despedimento, recorrendo à via jurídica e a uma acção de luta (greve e concentração de solidariedade), que decorre dia 22, entre as 8 e as 10h, junto à porta da Lisnave.



Defender Cesare Battisti

Saudávamos no MV13 a concessão de asilo político ao militante italiano Cesare Battisti, decidida pelo governo brasileiro. E, na altura, o ministro brasileiro da Justiça justificava a concessão de asilo com “um fundado temor de perseguição” por parte do estado italiano. Entretanto, por pressão do governo italiano e sob pretexto de “controlo judicial de actos de administração”, o Supremo Tribunal Federal decidiu intervir no processo de extradição de Cesare Battisti, temendo-se seriamente pela sua sorte, dadas as conhecidas posições conservadoras de grande parte dos elementos daquele tribunal. Para mais informações, consulte o site do Comité de Solidariedade a Cesare Battisti.



Um espelho do regime

Manuel Raposo

alberto_joao_jardim.jpgA mais recente ideia que passou pela cabeça de Alberto João Jardim é uma revisão constitucional que ponha o comunismo fora da lei. Melhor que debater ou comentar o assunto em si (rapidamente esquecido, depois da agitação superficial que suscitou) é avaliar as reacções dos que, não sendo geralmente considerados pela opinião pública palhaços ao nível de Jardim, compõem todavia com ele o campo do regime. Ler o resto do artigo »



Veneradores e obrigados?

bruni_72.jpgA página internet do semanário Expresso anunciava a 27 de Agosto uma entrevista (por um enviado especial…) a Fernanda Silva, uma algarvia que é, há 34 anos, “um elemento fundamental na família Bruni Tedeschi” e que presentemente “trabalha no Eliseu como braço-direito de Carla Bruni, a primeira-dama de França”. A nutrida reportagem foi publicada dois dias depois.
Os comentários que a seguir publicamos não foram dirigidos ao MV, naturalmente. Mas não resistimos a dar conta das reacções dos leitores do Expresso a tão importante novidade. Uns indignados (não com o papel da portuguesa, mas com o relevo que o semanário dá ao caso). Outros orgulhosos, parece, da condição de subalternos. Ler o resto do artigo »



Plataforma Anticapitalista

xadres_72.jpgEntre Abril e Julho deste ano, algumas organizações e pessoas encontraram-se em Lisboa para debater a situação do país, particularmente a que é vivida no quadro da crise mundial do capitalismo. O seu intuito foi procurar pontos comuns de análise da situação e discutir as condições para uma actuação política conjunta.
Os que participaram nos encontros não se iludem sobre a actual fraqueza da esquerda anticapitalista. E sabem que fraca continuará a ser se não forem encontradas formas de juntar forças na base de uma plataforma política mínima, comummente aceite.
Nesse sentido, a plataforma O capital que pague a crise, aprovada nos referidos encontros, representa um passo em frente. Ela permite, com efeito, dar a conhecer, de forma mais sistematizada e alargada, posições anticapitalistas de resposta à crise actual. E cria, portanto, condições para colocar a questão da resistência dos trabalhadores, não em termos de partilha de sacrifícios ou de medidas aceitáveis pelo patronato e pelo poder, mas em termos de luta pelos interesses de classe dos assalariados.
A Plataforma Anticapitalista em que as citadas organizações convergiram é uma base de colaboração aberta a demais grupos e pessoas. O seu ponto central é combater a pilhagem a que os trabalhadores e os pobres estão a ser sujeitos, dizendo-lhes que nada têm a esperar deste regime.
Publicamos de seguida um comunicado sobre os Encontros e o texto da Plataforma Anticapitalista O capital que pague a crise, apelando aos nossos leitores para que os apoiem e divulguem. Ler o resto do artigo »



Fraude maciça nas eleições no Afeganistão

Tentativa de legitimar a ocupação militar vira-se contra as potências ocupantes

Manuel Raposo

afeganistaocartune_72.jpgO artigo que agora divulgamos (escrito em final de Agosto e publicado na última edição em papel do MV) está neste momento desactualizado. Apenas por uma razão: os factos que entretanto vieram a lume, dando conta da fraude que foram as eleições no Afeganistão, ultrapassaram em muito as suspeitas que há poucas semanas era possível fundamentar. Pode hoje dizer-se, sejam quais forem as fontes, que se confirma por completo a viciação dos resultados da votação. Mas, acima de tudo, o descalabro que ficou à vista resultou numa inequívoca vitória política da resistência afegã e, consequentemente, em mais um problema sem saída para as forças ocidentais que levaram a guerra ao Afeganistão. Como tirar os pés do lamaçal é, agora, a única questão que as potências ocupantes têm a resolver. Ler o resto do artigo »



Editorial

Portugal fora da Nato!

As autoridades portuguesas, correspondendo à pressão dos EUA, preparam o envio de mais tropas para o Afeganistão. Como no Iraque ou no Kosovo, os teatros de guerra abertos pelos norte-americanos vão sendo suportados por homens e meios de países que são comprometidos na agressão por governos subordinados aos EUA.

A campanha para convencer a população portuguesa da “obrigatoriedade” de enviar mais tropas está em marcha. Os ministros Luís Amado (Negócios Estrangeiros) e Severiano Teixeira (Defesa) são os ponta-de-lança da operação. Na frente jornalística, de novo em prontidão, o Público advogava, em editorial de 20 de Agosto, ser “importante que se tenha em Portugal consciência de que os nossos soldados vão correr riscos, que podem morrer porque vão combater, mas que não podem deixar de ir”. Ler o resto do artigo »



Maravilhas do capitalismo

A France Telecom, empresa hoje privatizada mas em que o Estado francês ainda conserva 27% do capital, tem andado num processo de reestruturação, impondo aos trabalhadores mais e mais das já bem conhecidas medidas de flexibilidade e mobilidade tão caras ao patronato. As pressões têm sido de tal ordem que o desespero e o descontrolo dos trabalhadores, desde que a empresa decidiu fazer reestruturação, já levaram a 22 suicídios (e diversas tentativas) nos últimos 18 meses. Até o governo de Sarkozy já manifesta “preocupação”!



Rohde: mais destruição de emprego

Perto de mil operários do calçado em risco de despedimento

Pedro Goulart

rohde_72.jpgOs 984 operários da fábrica de calçado Rohde souberam em 7 de Setembro, após três semanas de férias, que a empresa vai entrar mais dois meses em lay-off (com incentivo do Ministério da Economia e com a justificação de evitar o encerramento imediato). Simultaneamente, a administração diz que vai avançar, ainda este mês, com um pedido de insolvência, como forma de procurar uma solução que assegure a viabilidade económica da empresa. A Rohde, com fábrica em Santa Maria da Feira, é a maior empregadora da indústria de calçado em Portugal e já empregou 3 mil trabalhadores. Ler o resto do artigo »



Contra a pena de morte

Segundo a Amnistia Internacional, em 2008 foram executadas em todo o mundo cerca de 2400 pessoas e mais de 8800 foram condenadas à pena capital. No ano passado, cinco países totalizaram 93% das execuções: Paquistão, China, Irão, Arábia Saudita e Estados Unidos da América. Apesar de uma moratória nas execuções aprovada em 2007 na Assembleia-Geral da ONU, estas medidas criminosas de diversos estados prosseguem. É preciso combatê-las e eliminá-las.



Iraque

“As tropas dos EUA retiram porque a resistência a isso as obriga”

Três perguntas a Gilles Munier

Manuel Vaz

gilles-munier-1.jpgA Associação de Amizade Franco-Iraquiana (AFI) foi fundada em 1985 por um grupo de personalidades defensoras da política árabe do governo francês. O seu secretário-geral desde 1986, Gilles Munier, é um profundo conhecedor desta região do mundo na qual efectuou mais de 150 viagens entre 1974 e 1983, tendo encontrado por várias vezes os principais dirigentes do partido Baas, então no poder. A agressão norte-americana de Abril de 2003 veio alterar profundamente as relações franco-iraquianas e, por tabela, o funcionamento da associação.
Antes de 2003, Gilles Munier participa activamente no programa “Petróleo por alimentos”, único meio concedido às autoridades iraquianas para atenuar os efeitos do embargo económico ao Iraque imposto pelos EUA e sancionado pela ONU. Em 2005, Munier é acusado, conjuntamente com outras personalidades, de ter furado o embargo. As autoridades judiciais decidem-se a instruir um processo (que continua sem data de julgamento marcado), retiram-lhe o passaporte e proíbem-lhe a saída do território nacional. Ler o resto do artigo »



É preciso ter lata!

Manuela Ferreira Leite, em campanha eleitoral pela Madeira na companhia de Jardim, afirmou que esta região autónoma é exemplo de “um bom governo do PSD”. E a mesma senhora que tem andado pelo país a gritar que “há asfixia democrática” em Portugal, diz que tal problema não existe na Madeira! Como em campanha eleitoral vale tudo, é de esperar mais declarações deste tipo, como aquela outra descabelada afirmação do vice-presidente do PSD Aguiar Branco de que a saída de Moura Guedes do Jornal Nacional da TVI constituía “o maior atentado à democracia portuguesa depois do 25 de Abril de 1974”!



Dick Cheney, Bush e o Tribunal Penal Internacional

Pedro Goulart

tpi_72dpi.jpgO Tribunal Penal Internacional (TPI) – que é um tribunal permanente com sede em Haia e que se diz vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) – pretende “promover o Direito Internacional” e afirma procurar julgar indivíduos acusados de crimes de genocídio, de agressão, de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Isto, quando os Estados não possam, ou não queiram, julgar esses indivíduos.
O TPI, cuja criação foi incentivada pelos EUA, surgiu na sequência de alguns tribunais provisórios, que resultaram, por sua vez, de uma resolução da ONU, de 1973. Mas a ironia é que o TPI só pode investigar em Estados que tenham aderido ao Estatuto de Roma, de 1998. E os EUA são um dos países que não aderiram a este Estatuto. Ler o resto do artigo »



É o fim da crise, diz Sócrates

Mas há mais de 700 mil desempregados com outra opinião

Manuel Raposo

rooster_crop_web.jpgTodos perceberam que o fim da crise alardeado por Sócrates soa a propaganda. Para fazer crer que foram as medidas do governo que salvaram a “economia” e o “país”. E, obviamente, para lhe agradecermos o favor. Mas soam igualmente a falso as vozes da oposição que atacam a euforia do primeiro-ministro apenas para daí tirarem dividendos eleitorais. Como a sua política é de curto alcance, atribuem ao governo mesmo aquilo que ele não domina, como é o caso da crise capitalista, para poderem apresentar-se como mais aptos e mais competentes. Ler o resto do artigo »



Oliva declarada insolvente

A metalúrgica Oliva foi agora declarada insolvente, dois meses antes de acabar o lay-off aplicado a 178 dos seus 198 trabalhadores. A administração da empresa, que apresentara um pedido de insolvência, diz com isto pretender viabilizá-la economicamente. Constituída nos anos trinta do século passado, a empresa, de São João da Madeira, já estava com pagamentos em atraso aos trabalhadores, nomeadamente os subsídios de Natal de 2008. Entretanto, os trabalhadores pretendem reunir esta semana com a administração, para avaliar das verdadeiras intenções desta.



Sindicatos dos EUA contra G20

A cimeira do G20 juntará, nos EUA, os 20 países mais ricos do mundo, em 24 e 25 de Setembro, na cidade de Pittsburgh. A crise mundial do capitalismo vai ser o centro das conversações. Ao mesmo tempo, no dia 20, terá lugar uma Marcha pelo Emprego. Esta mobilização de protesto, organizada por forças anticapitalistas norte-americanas, teve um grande impulso na semana passada com a adesão de dois dos maiores sindicatos dos EUA que têm sede nacional em Pittsburgh: a United Steel Workers Union (metalúrgicos) e a United Electrical Workers (electricidade) – que decidiram apoiar a iniciativa e mobilizar os seus membros para o protesto.



9 a 10% da população activa

Imigrantes rendem milhares de milhões de euros à economia francesa

Três perguntas a Albano Cordeiro

Manuel Vaz

imigrantesfranca_web.jpgAlbano Cordeiro é engenheiro reformado do CNRS (Centre Nationale de Recherches Scientifiques), doutor em economia e ex-docente da Universidade Paris VIII, especializado em questões identitárias e migratórias, mormente no seio da comunidade portuguesa em França, tema de pesquisa que sempre captou a sua atenção.
Como autor, os seus trabalhos, tanto pessoais como colectivos, incidiram igualmente sobre as transformações sociais e económicas observadas no seio das jovens gerações oriundas de uma primo-imigração.
Em 1981, o Office Municipal des Migrants de Créteil, publicou-lhe uma obra importante, Pourquoi l’immigration en France? Critique des idées-reçues en matière d’immigration, que, uma vez ampliada e enriquecida, seria reeditada pelas edições La Découverte em 1983, 1984 e 1987.
Sobre a actualidade política da emigração e o seu papel específico no modo de funcionamento da extracção de mais-valia capitalista, pusemos-lhe 3 perguntas. Ler o resto do artigo »