Arquivo de Outubro 2008

Salários chorudos

O economista Vítor Bento, ao falar no Fórum da Competitividade, manifestou-se contra os aumentos propostos pelo Governo para o salário mínimo nacional (assim como para a Função Pública), considerando que “nas presentes condições da crise isso é um tremendo erro macroeconómico”. O ex-dirigente da CIP, Pedro Ferraz da Costa, o actual dirigente desta mesma associação patronal, Francisco Van Zeller, a dirigente do PSD, Manuela Ferreira Leite, assim como vários outros economistas e empresários, também pensam do mesmo modo. Seria interessante verificar como esta gente era capaz de viver com um salário mensal de 450 euros!



Desemprego no Vale do Cávado

Situação pode tornar-se pior que a do Vale do Ave

Pedro Goulart

fidar09_72dpi.jpgJá, por diversas vezes, denunciámos a situação de desemprego e dificuldades várias por que têm passado os trabalhadores do Vale do Ave. Caso grave e bastante conhecido a nível nacional. Embora, e infelizmente, situações deste tipo se tenham multiplicado pelo país, cavando ainda mais fundo o já enorme fosso que, no campo do rendimento, separa ricos e pobres. Agora é a vez de falarmos sobre o Vale do Cávado – uma situação que piora de dia para dia. E que a própria comunicação social do sistema se vê obrigada a relatar. Ler o resto do artigo »



Tortura em julgamento

Está em julgamento o caso dos inspectores da PJ que terão espancado (ou mandado espancar) Leonor Cipriano, mãe de uma criança desaparecida, a fim de lhe arrancar uma confissão pela morte da filha na base da qual foi condenada. É habitual ouvir queixas dos presos por espancamentos perpetrados por polícias ou guardas prisionais. Aliás, a Amnistia Internacional já por diversas vezes denunciou a prática de tortura em Portugal. Mas, quando tais casos chegam a julgamento, acabam normalmente na ilibação dos acusados. Ser polícia parece fornecer um salvo-conduto para a violação dos direitos dos cidadãos. Será que prevalecerá, uma vez mais, a palavra dos polícias só porque são polícias?



Marcha indígena na Colômbia

Mais de 8 mil indígenas iniciaram dia 21 uma marcha entre a província de Cauca e a cidade de Cali, reivindicando a posse das terras retiradas aos seus antepassados e que lhes haviam sido prometidas pelo governo de Álvaro Uribe. Protestam, igualmente, contra a violência exercida sobre as suas comunidades. A marcha conta já com adesões em mais 16 províncias. Em vez de entregar as terras prometidas, o governo enviou a polícia e o exército, que já fizeram vários mortos e feridos. Face ao carácter terrorista do governo de Uribe, é de temer o que possa acontecer aos milhares de indígenas que marcham para Cali.



A crise e as suas consequências

José Luís Félix

Em meu entender nos dias de hoje o sistema capitalista esgotou as capacidades que lhe permitam dar uma resposta positiva aos problemas com que se depara e não consegue satisfazer as necessidades do conjunto das populações do globo. Isto tudo apesar das capacidades de produção terem atingido uma dimensão sem paralelo na história da humanidade, mas a distribuição é distorcida e a obtenção generalizada de bens e serviços só se encontra ao alcance daqueles que têm capacidade aquisitiva. Mesmo segundo os paradigmas do sistema, iníquos e destrutivos, a sede do lucro que é o principal móbil do sistema não encontra saídas que permitam satisfazer as necessidades básicas das populações. Ler o resto do artigo »



Apoio aos presos iraquianos

No dia 4 de Novembro tem lugar em Bruxelas uma conferência de imprensa promovida pela Comissão Mundial de Solidariedade com os Prisioneiros de Guerra e Detidos Iraquianos com o objectivo de denunciar a situação nas prisões do país. Serão mostrados filmes e documentos sobre as práticas brutais das autoridades de ocupação norte-americanas e dos serviços de segurança do governo iraquiano. Serão igualmente revelados os métodos de tortura a que os presos são sujeitos. Entre os promotores da iniciativa conta-se o dr. Abdul-Jabbar Al-Kubaisy, que se deslocou a Portugal em 2006 a convite do Tribunal-Iraque e de outras organizações por ocasião do 3.º aniversário da ocupação do Iraque.



Gente humilde

Em entrevista ao Público (12 de Outubro), o escritor António Lobo Antunes revela-nos ser filho de gente humilde. Diz não ter “nobreza de espécie nenhuma”; dá a saber que “o avô do meu avô era um pobre camponês”; e conta que em casa dos pais “era tudo muito austero e com muito pouco dinheiro”. Lembra-se, ainda assim, de o pai, médico, pedir à mulher “cem escudos para encher o depósito do Lância” e de “ter ido fazer a primeira comunhão a Pádua” onde passou um mês com a família. “Está a ver, diz ALA à entrevistadora, o que é atravessar Espanha, França, Suíça, Itália há 60 anos, para fazer a comunhão em Itália?”. Estamos a ver, sim. Todos os trinetos de campónios deste país passaram por isso.



Greve na Grécia

Os trabalhadores dos transportes e dos serviços públicos gregos estiveram em greve no dia 21 de Outubro contra a política económica e social do governo de direita do seu país – contra as privatizações, a austeridade salarial e a reforma das pensões. Esta greve envolveu mais de 800 mil trabalhadores, do metropolitano, dos autocarros, dos aviões, assim como dos bancos e do sector público. Estava igualmente prevista uma manifestação no centro de Atenas. Os trabalhadores gregos têm-se destacado no panorama europeu pela sua grande combatividade.



17 feridos no Rio Grande do Sul

Em 16 de Outubro, a “Marcha dos Sem”, manifestação dos sindicatos e movimentos populares do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, que tem ocorrido desde 1995 e agora contou com 5 mil participantes, foi reprimida por 400 soldados da Brigada Militar. Para impedir que o carro do som se aproximasse da sede do governo do estado, os militares lançaram bombas e feriram 17 manifestantes, a maioria na cabeça. Foram ainda agredidos três deputados estaduais do Partido dos Trabalhadores (o partido de Lula) e um do Partido Comunista do Brasil (que integra a coligação governamental). Os manifestantes não arredaram pé e afinal o carro do som pôde alcançar o seu objectivo.



Salário justo e desemprego ideal

Pedro Goulart

salariojusto72dpi.jpgSão vários os economistas de serviço que se afadigam a demonstrar a bondade do sistema capitalista e a excelência das suas teorias económicas. Daniel Amaral tem sido um deles. E bastante persistente. Ao longo dos anos, em vários jornais e revistas, nomeadamente no Expresso, na Visão e no Diário Económico, tem-se esforçado na defesa da competitividade das empresas, sobretudo através do recurso à diminuição da parcela dos salários no PIB (Produto Interno Bruto). E, apesar das suas boas relações nos meios empresariais, tem procurado fazer-nos acreditar na independência das análises com que habitualmente nos presenteia. Ler o resto do artigo »



Isto não é sociedade que se apresente (VII)

Segundo um estudo divulgado em São Paulo – num encontro de especialistas sobre o tráfico de seres humanos – redes criminosas especializadas no tráfico de mulheres para exploração sexual actuam em 241 rotas, sendo 131 para o estrangeiro, incluindo Portugal e Espanha. Cerca de 75 mil brasileiras estão actualmente sob o controlo de redes internacionais de prostituição nos países da UE. O tráfico internacional de pessoas movimenta por ano cerca de 23,7 mil milhões de euros, sendo uma das actividades ilícitas mais rentáveis. Todos os anos 2,5 milhões de pessoas são vítimas do tráfico internacional para exploração sexual e trabalho forçado, sendo de 127 nacionalidades distintas em 137 países.



Bons costumes

Uma jovem de 15 anos norte-americana foi presa, acusada de “utilização ilegal de material sexual explícito e posse de ferramentas criminosas”, por, alegadamente, ter enviado fotos sem roupa aos seus amigos por telemóvel. Tem de cumprir uma pena de prisão domiciliária, está proibida de aceder à Internet ou utilizar telemóvel e corre o risco de ver o seu nome na lista de criminosos sexuais do estado durante 20 anos. As investigações vão determinar quantos colegas receberam as fotografias e analisar a hipótese de também estes serem acusados.



Outras guerras

João Bernardo

sarkozy-la-guerre.jpg“Tirem da palha as espingardas, a metralha, as granadas
“Oh! matadores! à bala e à faca, matem depressa
“Oh! sabotador! atenção ao teu fardo, dinamite”
Este apelo ao terrorismo, ao assassinato e ao derrube violento das instituições, que pelo simples facto de ser escrito suscitaria hoje ao autor sérios problemas com as autoridades e que, se fosse posto em prática, levaria os executantes − caso não fossem mortos − para Guantánamo, foi impassivelmente escutado pelo presidente da República Francesa, Nicolas Sarkozy, e proferido por um coro de militares fardados, com o cabelo cortado à escovinha, perante um público de generais e de senhores enfatiotados com ar de serem alguma coisa. Ler o resto do artigo »



O sonho americano

Uma mãe saiu do estado norte-americano de Michigan e percorreu mais de 1100 km durante 12 horas para abandonar o filho de 13 anos no Nebrasca, onde as leis permitem que adultos deixem crianças nos hospitais públicos sem correrem o risco de serem processados por abandono de menores. Pelo menos 18 já foram deixados em hospitais e em estações de polícia do Nebrasca desde que a lei entrou em vigor.



Se até nisto eles mentem…

Quando chegou, perto das 17h, à cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE, em Bruxelas, Sócrates justificou o atraso de quase uma hora com o voo comercial em que veio de Lisboa. O ministro dos Negócios Estrangeiros, que viajou com o primeiro-ministro, já lá estava desde as 16h.



Editorial

Os termos do confronto

Os meios políticos e capitalistas nacionais começaram por fazer crer que a crise era “americana” e que o sistema financeiro português não iria sofrer grandes danos. Agora, que a recessão é dada como certa, aproveitam a mundialização da crise para justificar a deterioração das condições de vida dos trabalhadores. A afirmação do ministro da Economia de que acabou “o mundo de prosperidade (?) em que vivemos durante 10 a 15 anos” é um primeiro sinal de uma nova ofensiva sobre o trabalho a coberto das “dificuldades”. Ler o resto do artigo »



Quando os escritores não se calam…

Na sessão de abertura da Feira do Livro de Frankfurt, o Prémio Nobel Orhan Pamuk afirmou que «a teimosia do Estado turco de banir livros e punir escritores continua, infelizmente». A declaração foi feita na presença do Presidente da Turquia, país convidado especial da edição de 2008 daquele certame. Pamuk já foi processado por desafiar a versão oficial turca do massacre dos arménios no início do século XX.



…há formas de os calar

Roberto Saviano, escritor napolitano de 29 anos e autor de um livro recentemente transposto para o cinema sobre a Camorra (máfia napolitana), vai ter de abandonar Itália para escapar a múltiplas ameaças de morte. Saviano vive escondido num edifício da polícia, em local não identificado, e a única ligação que tem ao exterior é feita através do telefone. Conta com vários seguranças pessoais que o vigiam 24 horas por dia. «A minha vida não é vida. Eu vivo num caixão», disse à BBC.



Marx “na moda”

«Marx está de novo na moda e a procura das suas obras em alta», explicou Schütrumpf ao jornal Neue Ruhr Neue Rheinzeitung. Segundo a editora de Berlim, o primeiro tomo de O Capital já vendeu este ano 1500 exemplares, contra 500 em 2005, e as vendas vão continuar a aumentar até ao fim do ano. Os leitores pertencem a «uma nova geração de eruditos que reconheceu que as promessas neo-liberais não se realizaram», sublinhou. O próprio ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, fez à revista Der Spiegel uma referência a Marx no contexto da crise financeira. «Certas partes da teoria de Marx não são assim tão falsas», como a que se refere à autodestruição do capitalismo por causa da sua avidez.



Estudantes em luta

Alunos da Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, em Lisboa, encerraram no dia 15 a escola e manifestaram-se em frente às suas instalações, protestando contra a falta de professores. Seguiram, depois, para a Direcção Regional da Educação de Lisboa, gritando “ Queremos professores”. É uma situação particularmente grave para os alunos do 9º, 11º e 12º. Nesta altura do ano, faltarem 22 professores na escola, quando tantos deles permanecem sem emprego, é uma amostra da política educativa do governo.



Racismo mediático

O jornalista Carlos Rui Abreu, do Jornal de Notícias, conta (JN, 13 de Outubro) que uma menina cigana de 12 anos foi agraciada com o prémio destinado aos dois melhores alunos do 4º ano da sua escola, em Fafe. Nada disto seria extraordinário se Abreu, no seu entusiasmo em realçar este caso “excepcional”, não tivesse ornamentado a notícia com o seguinte mimo: “uma aluna de etnia cigana que, contrariando a tendência das crianças da sua raça, gosta de estudar e sonha tirar um curso superior”.



Pena de morte

São numerosos os Estados que mantêm em vigor a criminosa legislação que condena seres humanos à pena de morte, de que destacamos os EUA e a China. Segundo a Amnistia Internacional, na Arábia Saudita são executadas, em média, duas pessoas por semana. A pena de morte é aplicada neste país a crimes que vão desde homicídios a alegada feitiçaria ou descrença no Corão. Em 2007, na Arábia Saudita, foi aplicada a pena de morte a, pelo menos, 158 pessoas.



Os chineses de Guantánamo

João Bernardo

chinesesguantanamo.jpgUm despacho da Associated Press com data de 8 de Outubro noticiava que nos Estados Unidos, a pedido do governo Bush, um tribunal federal de recurso suspendera temporariamente uma decisão judiciária que ordenava a libertação imediata de 17 muçulmanos chineses presos em Guantánamo desde 2001. Chineses? Em Guantánamo? Encarcerados há sete anos? Nunca de tal eu ouvira falar. Procurei a explicação, e de um texto razoavelmente embrulhado consegui perceber o seguinte. Ler o resto do artigo »



Fidar

Patrões e polícias apostados em enganar os trabalhadores

A.Sereno / Ursula Zangger (*)

fidar12_72dpi.jpgA empresa FIDAR integra um conjunto de empresas que gradualmente foram fechando, sem que os trabalhadores recebessem as indemnizações respectivas por parte do patronato. No que é igual a tantos casos de manipulação e desrespeito por quem se vê subjugado pelas duras leis do trabalho capitalista, a luta destes trabalhadores em concreto constitui um caso de resistência raro porque continuado no tempo e de forma, diremos, apartidária. Ler o resto do artigo »



Os bons costumes e os maus usos

João Bernardo

É intrigante que a sociedade francesa, caracterizada desde há vários séculos por uma certa liberdade de costumes, coexista com atitudes de puritanismo tão cómicas como retrógradas. São conhecidas as dificuldades que As Flores do Mal e Madame Bovary tiveram com a justiça, para me limitar a estas duas incontestáveis obras-primas, embora seja muito menos referido o facto de terem sido as autoridades francesas − tanto quanto sei − a inaugurar a prática de condenar artistas dissidentes a internamento psiquiátrico. Ler o resto do artigo »



Salários em atraso

A praga dos salários em atraso tem vindo a crescer. É o próprio ministro Vieira da Silva a reconhecê-lo no Parlamento. A Autoridade para as Relações de Trabalho detectou a existência de cerca de 8 mil trabalhadores com salários em atraso. E os outros? Um dirigente da Associação das Pequenas e Médias Empresas justifica o facto pela forte ofensiva do Fisco e o receio dos patrões perderem as empresas. Perder a empresa pode compara-se com perder o salário? E, assim, os trabalhadores ficam em último lugar, quanto a pagamentos. Claro que a próxima entrada em vigor do novo Código de Trabalho também ajuda a criar um ambiente mais favorável ao patronato, facilitando situações como esta.



Os voos da CIA

O governo espanhol dá como provado que pelo menos um prisioneiro da CIA escalou os Açores, num voo entre Guantánamo e o Cairo. Interpelado sobre este facto – o governo português tem sempre dito desconhecer que tal tivesse acontecido – o ministro Dias Amado confessou na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros que “seria totalmente irresponsável o actual executivo português ter levantado essa questão quando em causa estava o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso”. Sem mais, o governo de Sócrates e Durão Barroso amigos e cúmplices dos crimes de sequestro e tortura praticados pelos EUA!



Mesmo assim, muito sereno é o povo

O crescimento da criminalidade acompanha o descalabro das condições de vida da população

Manuel Raposo

pobrezalisboa72dpi.jpgO directo sobre o assalto ao banco em Campolide, com esse tempero especial que foi ver-se a polícia a balear os dois assaltantes, foi uma espécie de motor de arranque para uma campanha sistemática de toda a comunicação social dirigida a dois alvos: exigir reforço dos poderes policiais e apontar o dedo aos imigrantes. Ler o resto do artigo »



Denúncia

“Estes senhores do capital fazem o que querem de nós”

Salários na mão do patrão da Capepresso

Sérgio Gomes / MV

capepresso.jpg“Estamos já no limiar da pobreza e em grande desespero. Ajudem-nos, pois um dia poderão estar na nossa situação”. Este o apelo de cerca de 30 trabalhadores despedidos da empresa Capepresso, de Gemunde (Maia), com salários em dívida que chegam a atingir 4 mil euros; sem subsídio de desemprego porque formalmente não foram despedidos e a empresa só lhes dá os papéis se assinarem uma declaração em como não lhes deve nada; obrigados a recorrer a empréstimos informais para poderem fazer face às despesas mínimas de sobrevivência. Ler o resto do artigo »



Preocupação com os pobres

No seu discurso do 5 de Outubro, onde afirma que “o que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos”, Cavaco Silva manifestou-se preocupado com o desemprego, as pensões de miséria dos reformados, a pobreza e a exclusão social existentes no País. É um facto curioso – muitas vezes os governantes parecem esquecer-se das particulares responsabilidades que têm enquanto titulares do aparelho de Estado. Ontem, enquanto primeiro-ministro (e com os empresários seus amigos), hoje, como PR, em parceria com José Sócrates (e ambos como gestores das classes dominantes), Cavaco Silva é um dos grandes responsáveis pela actual situação vivida em Portugal.



Apoios às PME não se destinam aos trabalhadores

Mais de mil milhões de euros beneficiam pequenos e médios patrões

Manuel Raposo

camionista72dpi.jpgNo mesmo dia em que Ferreira Leite criticava o governo por não apoiar as pequenas e médias empresas, o governo destinava mais 400 milhões de euros de crédito para as ditas PME, depois de outros 750 milhões se terem esgotado em pouco tempo.
A imprensa brincou com a coincidência, dizendo, conforme a cor, ora que o PS ia a reboque do PSD, ora que as propostas do PSD eram tardias e inúteis. Mas há algo mais do que este lado anedótico. Ler o resto do artigo »



A reputação do capitalismo

“Se entrarmos num período de grande recessão e de perda de empregos, mas os principais administradores continuarem a receber enormes quantias, isso será mau para a reputação do capitalismo” declarou Peter Montagnon, director de investimentos da Associação de Seguradoras Britânicas.



Não vamos ganhar esta guerra

Segundo o Sunday Times, o general Mark Carleton-Smith, comandante das forças britânicas no Afeganistão, declarou numa entrevista que a guerra não podia ser ganha militarmente e que era desejável entrar em negociações com os Taliban. “Não vamos ganhar esta guerra”, disse o general. “Temos de reduzi-la a um nível de insurreição que não constitua uma ameaça estratégica e possa ser controlada pelo exército afegão”. A violência no país atingiu o pior nível desde 2001.



Bolívia: o dilema

João Bernardo

bolivia1_72dpi.jpgO regime de Morales representa uma enorme ruptura porque surgiu não dos partidos políticos mas dos movimentos sociais, movimentos de massa organizados na base em torno de luta concretas. Foram eles que o levaram ao poder e o têm sustentado. Na Bolívia, a clivagem social corresponde a uma diferença étnica. Os pobres são índios ou mestiços, enquanto os ricos são descendentes dos colonizadores espanhóis. Isto faz com que os confrontos sociais sejam mais drásticos e visíveis, reforçados por uma diferença muito vincada nas tradições culturais, contribuindo para reforçar o racismo da direita. Ler o resto do artigo »



Boicote

Em resposta à decisão do governo em baixar 30 por cento o preço dos medicamentos genéricos, os farmacêuticos ameaçam com a “ruptura dos stocks”. A coberto de argumentos técnicos, a Ordem dos Farmacêuticos declarou, afinal, que assim o negócio não interessa às farmácias, que estão a deixar de encomendar genéricos.



Pulsão consumista

O consumo de antidepressivos entre a população portuguesa continua a aumentar, sendo mais do triplo da média verificada em 15 dos países da UE. O presidente do colégio de psiquiatria da Ordem dos Médicos aponta os critérios de diagnóstico “mais apurados” e a “pulsão do consumo” como responsáveis pela subida. Não lhe ocorreu relacionar o facto com a depressão causada nas famílias pela insegurança do emprego, os baixos rendimentos, as reformas miseráveis, a falta de perspectivas de vida dos jovens.



Denúncia

“Trabalho num call center

AML

Trabalho num call center da TMN em Lisboa vai para dois anos. Atendo as reclamações dos clientes do serviço de telefones móveis. Eu e todos os demais trabalhamos a recibos verdes.
Faço seis horas por dia. As pausas (para descansar, tomar qualquer coisa ou ir aos sanitários) são curtas, não mais de 10 minutos, e só as podemos fazer quando os responsáveis permitem. Apenas um número reduzido de trabalhadores, de cada vez, é autorizado a interromper o atendimento. Já me aconteceu trabalhar as seis horas seguidas sem sequer ir à casa de banho. Ler o resto do artigo »



Muito complicado

A atribuição de casas a amigos pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa foi, ao que parece, prática corrente de todas as vereações. As justificações de Carmona Rodrigues são as mais interessantes. Confessou “algum desleixo” e “grande admiração” com os casos que lhe foram revelados, admitindo mesmo “desgoverno na gestão do património”. Mas quando lhe perguntaram porque não pôs cobro ao abuso respondeu que “era muito complicado”.



Neonazi condenado em Monsanto

Mário Machado, líder de um grupo de skinheads neonazis próximos do PNR, acaba de ser condenado a 4 anos e 10 meses de prisão efectiva pelo Tribunal de Monsanto. Vinha acusado, com outros 36 arguidos, de crimes como discriminação racial, agressões, sequestro e posse ilegal de armas. Na fase de investigação, foram-lhes apreendidas diversas armas de fogo, munições, armas brancas, soqueiras, mocas, batões, tacos de basebol e diversa propaganda de carácter racista.



Há mais 11 mil emigrantes portugueses na Galiza

Celestino Braga

imigracaogaliza_72dpi.JPGA União de Sindicatos de Braga (USB) assegura que os dados recentes sobre a emigração portuguesa na Galiza apontam para um crescimento de 11 mil trabalhadores em 2008, de 40 para 51 mil.
Segundo Adão Mendes, coordenador da USB, os dados obtidos junto do Instituto de Emprego galego, «contrariam a ideia de que muitos trabalhadores portugueses começariam a regressar, devido aos problemas conjunturais vividos pela economia espanhola». Ler o resto do artigo »



O carácter de classe da candidatura de Obama

Larry Holmes (Workers World, adaptado)

A campanha presidencial de Obama não foi lançada por um movimento de massas mas por uma parte da classe governante dos EUA e do seu aparelho político. Alguns apoiaram-no para combater os Clinton dentro do Partido Democrático, mas outras daquelas forças vêem-no mais bem preparado do que Hillary Clinton e McCain para enfrentar a crise central do imperialismo norte-americano. Querem encontrar uma forma de deter o rápido desgaste da posição dos EUA como poder económico e militar dominante. Ler o resto do artigo »



Contra a repressão ao povo basco

Em 27 de Setembro, cerca de 2000 pessoas participaram em Baiona, França, numa manifestação contra a política repressiva do Estado francês em relação ao povo basco. A polícia francesa, em articulação com a polícia espanhola, acabara de deter 14 alegados militantes do Batasuna. Das palavras de ordem da manifestação, destacamos: Não nos irão deter; Liberdade para Euskal Herria. Entretanto, porque nada havia de concreto contra os 14 militantes independentistas bascos detidos nem o Batasuna está ilegalizado em França, as autoridades francesas foram obrigadas a pô-los em liberdade.



208 anos de trabalho

Segundo dados que circulam na net, Ana Maria Fernandes, presidente da EDP Renováveis, tem uma remuneração anual fixa de 384 mil euros para 2008, mais uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base. Se todos os objectivos de desempenho forem cumpridos, Fernandes receberá mais de 1 milhão e 100 mil euros no seu primeiro ano de actividade, o que equivale a mais de 2.500 salários mínimos (426,5 euros por mês em 2008), ou seja, o trabalho de 208 anos pelo salário mínimo.



Em França, famílias ciganas metidas à força no combóio

“Isto não vos lembra nada?”

José Vieira / MV

f_ciganos04_72dpi.jpgO nosso amigo e cineasta José Vieira, que vive em Paris, acaba de nos enviar uma reportagem da expulsão programada de um grupo de famílias roms (ciganos originários da Roménia) da estação de Massy-Palaiseau, nos arredores a sul da capital francesa. Transcrevemos o essencial da sua longa descrição e algumas das fotos que nos fez chegar. Num folheto de solidariedade que reproduzimos em baixo (clicar na imagem para ver em tamanho maior), pode ler-se: «Por ocasião da primeira cimeira europeia sobre os ciganos, organizada em 16 de Setembro em Bruxelas pela Comissão Europeia e patrocinada conjuntamente pelo seu presidente José Manuel Barroso e pela presidência francesa do Conselho Europeu, a prefeitura do departamento de Essonne convida-o a vir assistir, nesse mesmo dia às 6 horas da manhã, à expulsão dos ciganos que habitam no estacionamento em construção da estação do metro regional de Massy-Palaiseau. A expulsão será lugar segundo a técnica varrimento rápido com a participação das forças da ordem.» Ler o resto do artigo »



Greve na Função Pública

O dia de luta dos trabalhadores da função pública realizado hoje, dia 1, começou com forte adesão em muitos sectores. Em cinco hospitais de Lisboa e no INEM a greve foi a 100 por cento; e em vários outros hospitais do país as paralisações situaram-se entre 50 e 90 por cento. Também a recolha de lixo e a circulação de comboios foram afectadas desde as zero horas. Outros serviços, como escolas, centros de saúde, postos de segurança social, repartições de finanças, conservatórias, museus paralisaram também. Estão previstas concentrações e desfiles em diversas localidades levantando as exigências dos trabalhadores por melhorias salariais e contra o código do trabalho.



Tranquilidade

Diante da avalanche financeira, Sócrates tranquilizou as famílias portuguesas quanto à segurança das suas poupanças, elogiando “a boa resistência” do sistema financeiro português. Evitar o pânico é a evidente palavra de ordem dos homens do poder e do capital. Percebe-se: é que se as pessoas perderem a confiança nos bancos pode começar uma corrida aos levantamentos, e aí, como dizia um comentador económico, “seria a catástrofe”. Vivemos portanto num sistema em que, no limite, nenhuma garantia pode ser dada da parte das instituições financeiras aos seus depositantes, a não ser que estes tenham sempre total confiança naquelas. Como no caso Dona Branca.



33 mulheres assassinadas

Desde o início deste ano, 33 mulheres foram assassinadas no país pelos companheiros ou ex-companheiros, mais 4 do que em todo o ano passado. Um dos casos mais recentes foi a morte a tiro de pistola de uma mulher às mãos do ex-marido, agente da PSP do Comando de Lisboa. O indivíduo já tinha ameaçado a ex-mulher de morte e por isso fora privado do porte de arma por decisão de um tribunal. A arma usada, diz a PSP, terá sido roubada a um colega.



A democracia electrónica das espingardas

As eleições no Rio de Janeiro

Alexander Hilsenbeck

O governo brasileiro, com a finalidade de garantir os “direitos políticos” e o bom andamento das eleições democráticas no Rio de Janeiro [eleições autárquicas de 5 de Outubro], está a ocupar 27 favelas, identificadas como “curral eleitoral”, com um “manto de segurança” formado pelo Exército e pela Marinha. A ocupação militar (pré-agendada para evitar confrontos reais) deve-se ao facto de que traficantes e milicianos (polícias que extorquem a população) estabeleceram tabelas de “portagens” para os candidatos às eleições entrarem nas comunidades, colarem cartazes e pedirem votos. Ler o resto do artigo »



GNR e trabalhadores guardam bens da fiação Fidar

Celestino Braga

fidar-2_72dpi.jpgAgentes da GNR estão a guardar as instalações da fiação Fidar, em Gondar Guimarães, por ordem do Tribunal, que atendeu a um pedido dos trabalhadores. A medida tem carácter cautelar e destina-se a salvaguardar o património da empresa, surgindo depois de algumas escaramuças com a administração. Ironicamente, depois de ter sido chamada para obrigar trabalhadores despedidos da empresa de Gondar, Guimarães, a abandonar as instalações da fábrica, por solicitação da administração, a GNR efectua, juntamente com os operários – acantonados numa tenda às portas da unidade industrial – a acção de vigilância às instalações da Fidar. Ler o resto do artigo »



Enfermeiros em greve

A direcção do Sindicato dos Enfermeiros informou que a adesão à greve nacional de dois dias iniciada dia 30 se situou entre 60 e 80 por centro, com muitos serviços hospitalares e centros de saúde paralisados a 100 por cento. Dia 1 será realizada uma assembleia geral de enfermeiros para debater formas de radicalizar a luta que podem incluir mais dias de greve; e no final será feita uma manifestação-concentração diante do ministério da Saúde. Os enfermeiros exigem que 5 mil profissionais contratados a prazo passem a efectivos e reclamam a contratação de mais enfermeiros dada a sua escassez para as necessidades de atendimento à população.