Tópico: Economia

Legislação laboral: vem aí o segundo assalto

Urbano de Campos (com L.G. e J.B.) — 21 Julho 2026

Por uma Vida Justa. Sem justiça não  há paz. Manifestação contra o assassinato de Odair Moniz, 26 outubro 2024, Lisboa

A derrota do pacote laboral congeminado pelo Governo e pelas associações patronais em uníssono merece ser saudada sem reservas. O factor decisivo foi sem dúvida o êxito das duas greves gerais de dezembro e junho, facto em grande parte inédito se tivermos em conta a última década e meia. Mas para que a resistência dos trabalhadores consiga fazer frente à segunda vaga de ataque que o Governo prepara será preciso ter uma noção exacta das forças e das fraquezas do movimento iniciado há um ano.


O estado da nação

Editor / Redes sociais — 17 Julho 2026

A derrota do pacote laboral não pode deixar ninguém descansado. As organizações patronais encarregaram o Governo de preparar novo documento para retomar a ofensiva. Que formas de acção devem os trabalhadores pôr em marcha e que lições devem tirar da luta já decorrida para não serem derrotados na etapa que vai seguir-se? Da banda do FMI e da UE vêm ordens precisas dirigidas ao Governo: cortar nas pensões e nos apoios sociais. O fim é libertar verbas para aumentar as despesas militares em nome das guerras que Washington e Bruxelas teimam em manter indefinidamente sobre as cabeças de todos nós. Como responder a estes desafios? Das redes sociais colhemos os testemunhos que a seguir divulgamos.


O lado oculto do caso Epstein

Editor / Mustafa Fetouri — 18 Junho 2026

Líbia. Cidadae de Sirte bombardeada pela NATO, 2011

O caso Jeffrey Epstein tem sido exuberantemente tratado como um escândalo de costumes. A falta de escrúpulos, a perversão moral, o completo desprezo pelos direitos das pessoas comuns fica bem demonstrado pelo comportamento da elite podre-de-rica, dos políticos venais, da aristocracia caduca que se congregava em torno de Epstein. Mas qualquer coisa falta para que esta história tenha pleno sentido.


Na raiz da guerra imperialista

Manuel Chico, Manuel Raposo — 11 Junho 2026

Gaza 72.000 mortos (fora os soterrados nos escombros). Líbano 3.600 mortos. Irão 3.400 mortos

As guerras que se travam no Médio Oriente e na Ucrânia não são simplesmente guerras entre os EUA e o Irão ou os EUA e a Rússia. Não são sequer apenas guerras regionais. São guerras de natureza geopolítica com efeitos sobre a futura estrutura da ordem mundial. O que está a ser decidido é maior do que o destino dos governos, maior do que a questão das rotas marítimas e maior do que o equilíbrio de poder imediato no Oriente Médio e na Europa.


IA: o problema não é a tecnologia

Editor / Bappa Sinha — 5 Junho 2026

Avião-radar dos EUA abatido pelo Irão. A IA não lhe valeu

Voltamos ao tema da inteligência artificial, de novo pela pena de um autor indiano, agora focando atenção no modo como a alta finança, os grandes laboratórios e o poder político dos EUA (mas também da Europa) se combinam para fazer de um conhecimento que aponta para o progresso humano um instrumento de retrocesso social em nome da acumulação cega de capital.


Alimentar a guerra, dar asas à corrupção

Editor / Alcídio Torres —

Guerra e corrupção de mãos dadas. E os povos europeus a pagar

Inicialmente, terá sido Volodimir Zelensky, pau-mandado dos belicistas europeus e norte-americanos, comprovado líder de uma tentacular rede de corrupção alimentada pela guerra, que alvitrou mais uma contribuição para eternizar as hostilidades na Ucrânia. Mas foi a NATO, pela voz do indescritível Mark Rutte, que avançou a proposta de cada membro da Aliança contribuir, anualmente, com mais uns milhões. Nada menos que 0,25% do PIB de cada país, a somar aos 90 mil milhões recentemente extorquidos aos contribuintes europeus. Portugal calou e consentiu.


Inteligência artificial e revolução social

Editor / Sanjay Roy — 2 Junho 2026

As tecnologias não transformam as sociedades, mas criam a necessidade dessa transformação

Os debates sobre o desenvolvimento e a aplicação prática da inteligência artificial vagueiam entre a desconfiança perante uma tecnologia que as pessoas comuns não dominam, as ameaças de desemprego que pairam no ar com selo de “progresso económico”, e o receio de ver tal arma nas mãos de uma elite todo-poderosa e sem escrúpulos.


Pacote laboral: um desenlace anunciado

Urbano de Campos — 21 Maio 2026

Vida justa, estamos fartos de pagar crises. Os ricos que paguem.

A decisão do Governo de levar à Assembleia da República a revisão da lei laboral na sua versão primitiva, desconsiderando meses de “negociações”, confirma o propósito que sempre esteve presente na cabeça dos governantes: impor, de preferência sem concessões, uma lei draconiana acertada com o patronato. Tal como em dezembro, a resposta adequada da parte do trabalho é a recusa em bloco das alterações preconizadas e a convocação de nova greve geral para 3 de junho – a única medida que clarifica a natureza do confronto: trabalhadores contra o bloco Governo-patrões.


Duas semanas na China. Impressões de viagem

Manuel Raposo — 7 Maio 2026

Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen

Para os europeus comuns do século XVI, a China – “o soberbo império que se afama” (Camões) – pouco mais podia ser do que um mundo estranho e inacessível. Conheciam-na os navegadores-comerciantes que faziam a viagem de ida e volta em 2-3 anos, sob incontáveis tormentos, fatais para boa parte das equipagens, na maioria arregimentadas ou levadas pela miragem da aventura e da fortuna. Apenas as elites podiam gozar da porcelana fina (o “ouro branco”) e da requintada seda que enchiam os porões das naus. Para lá disso, o país dos Chins era um território de fábula.


Particularidades do “milagre económico” português

Urbano de Campos — 24 Fevereiro 2026

Injustiças gritantes marcam a condição da larga maioria dos trabalhadores

Governo e patrões, acolitados por toda a corte de comentadores, não se cansam de propagandear aquilo a que chamam os êxitos da economia nacional. Para os ajudar na festa, a revista The Economist elegeu Portugal, entre 36 países, como a “Economia do Ano” em 2025, e o Financial Times atribuiu-lhe uma menção honrosa pelo desempenho no contexto europeu. Considerando o crescimento anémico do PIB português (1,9%), só se entende o elogio pela bitola de uma terra de cegos, uma vez que os nossos parceiros próximos ficaram ainda mais abaixo (1,5% para a Zona Euro e 1,6% para a UE).


Página 1 de 18 Mais antigos >