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Tópico: Breves
Argumento falso
18 Junho 2008
Nos ataques do patronato e dos seus governantes ao papel social do Estado, estamos sempre a ouvir falar do “excessivo peso” dos funcionários públicos na economia. Esse argumento cai por terra se compararmos o caso português com o de outros países capitalistas mais desenvolvidos. Veja-se, para 10 países da Europa, a percentagem de funcionários públicos em relação ao emprego total:
– Suécia: 31,5%
– França: 28,9%
– Finlândia: 22,9%
– Reino Unido: 20,4%
– Irlanda: 17,9%
– Suíça: 15,4%
– Itália: 14,1%
– PORTUGAL: 13,4%
– Alemanha: 12,9%
– Espanha: 11,9%
A percentagem para Portugal foi feita com base em 700 mil trabalhadores da Administração Pública, polícias e forças armadas incluídas.
Fonte: Estudo comparado do regime de emprego dos países europeus, DGAEP.
A democracia deles
17 Junho 2008
Com a vitória do Não na Irlanda, os defensores do Tratado de Lisboa, políticos e jornalistas de serviço, mostraram mais uma vez o seu conceito de democracia e aquilo de que são capazes para atingir os seus objectivos de classe. O Público de 15 de Junho assume-se inteiramente como porta-voz desta gente ao afirmar que “a Irlanda vai ter de decidir rapidamente se quer sair da União Europeia (…) ou se prefere voltar a submeter o texto aos eleitores mediante certos ajustamentos”. Esta é a posição expressa por dirigentes burgueses europeus como Sarkosy, Angela Merkel, Durão Barroso ou Cavaco Silva. Não passa pela cabeça da direcção do Público entender a legitimidade dos irlandeses dizerem Não.
Flexi-exploração
Os ministros europeus do Trabalho aprovaram em 10 de Maio o aumento da semana de trabalho de 48 para até 65 horas, “se assim o entenderem o funcionário e a empresa”. Cinicamente, acham os ministros que o trabalhador e o seu patrão estão em posição de igualdade nessa “negociação”! Na prática, o vale-tudo nos horários de trabalho já está instalado, trata-se agora de o legalizar. É um gigantesco passo atrás, se lembrarmos que o 1.º de Maio foi instituído, precisamente, para lembrar a luta dos trabalhadores pelas oito horas de trabalho diário. Em Portugal vigora o regime das 40 horas, mas a lei permite alargá-lo até às 65 horas. O novo regime terá agora de ser votado pelo Parlamento Europeu.
Falir está a dar
15 Junho 2008
A empresa cerâmica Secla, das Caldas da Rainha, vai encerrar no final do mês despedindo 260 trabalhadores. Os patrões declaram sem rebuço que só pagarão metade do que é devido – meio salário por cada ano de serviço. E dão o facto como consumado dispondo-se a não cumprir a lei com o argumento de que a empresa “não tem condições”. A Secla, que pertence aos proprietários da Cerâmica Valadares, tinha três fábricas e empregava mil trabalhadores. Duas foram vendidas à banca por 11 milhões de euros já este ano para, diziam, “evitar a falência”. Os terrenos e edifícios estão implantados numa zona de expansão da cidade, envolvidos por empreendimentos imobiliários. Mais uma falência rendosa.
Patriota polaco
14 Junho 2008
Perante o penálti que permitiu à Áustria empatar com a Polónia no último minuto do jogo, o primeiro-ministro da Polónia confessou publicamente que teve vontade de matar o árbitro. “Como primeiro-ministro tenho de ser ponderado e moderado mas ontem à noite eu queria matar”. Donald Tusk, homem da direita pura e dura a quem chamam o “Donald Rumsfeld polaco”, incondicional aliado de Bush, veio assim dar novo interesse, agora bélico, ao omnipresente Campeonato Europeu de Futebol. Com uma caução destas, o árbitro inglês não pára de receber ameaças de morte, mesmo sabendo-se, pelas imagens, que o penálti foi indiscutível. Estará Tusk a pensar nalguma guerra preventiva contra a Áustria, a Inglaterra ou mesmo a Suíça?
Carne para canhão
13 Junho 2008
Às 2 horas da noite de 12 de Junho, foi anunciado com grande destaque o fim da paralisação das pequenas empresas de camionagem. A SIC-Notícias emitiu uma longa entrevista do ministro Mário Lino onde este repetiu os argumentos do governo. Um dirigente da Comissão de paralisação justificou o fim do movimento com “a boa vontade do governo” e a intenção de provar que “somos pessoas civilizadas, e não bandidos que estão a bloquear o país”. Mas os transportadores de terra e inertes discordam e, em muitos piquetes, está a haver forte resistência à desmobilização. Num deles, um motorista assalariado dizia à reportagem TV: “Isto afinal é só para os patrões. Nós somos apenas carne para canhão”.
O defensor da ordem
12 Junho 2008
Perante as perturbações causadas pelos protestos dos camionistas e dos pescadores (falta de combustíveis, supermercados sem abastecimentos, etc.), António José Teixeira, novo director de política da SIC, fala de grave ameaça à “autoridade do Estado”, de “violação do Estado de direito” e, num tom severo que lhe era pouco habitual, critica a inexistência de “serviços mínimos” e invectiva a inércia do governo, do presidente da República e do Ministério Público. Nos telejornais seguintes, a tecla foi repetidamente batida – claramente com o propósito de criar ambiente para uma acção repressiva.
Cartelização é só em Espanha
8 Junho 2008
Em Outubro de 2007, a Comissão Europeia condenou cinco empresas, entre as
quais a Galp Energia, a BP e a Repsol, a uma multa de 183,7 milhões
de euros por concertação de preços no mercado de betume, em Espanha. Durante
quase12 anos, entre 1991 e 2002, os membros do cartel estabeleceram
anualmente a partilha do mercado. Além de acordos sobre a variação
dos preços e da sua aplicação, comprometiam-se ao pagamento de indemnizações
mútuas caso houvesse desvios em relação ao acordado. Mas, por cá, a
Autoridade da Concorrência afirma não haver indícios de cartelização no
mercado dos combustíveis. Em Portugal, a visível sincronia dos preços entre
as referidas empresas, dizem, é mera coincidência.
De quem foge o ministro?
5 Junho 2008
No domingo 1 de Junho, em plena greve dos pescadores, o ministro da Agricultura deslocou-se ao concelho de Loulé para, a convite da Federação de Caçadores do Algarve, participar na limpeza de florestas e visitar reservas de caça. Sabendo disto, os pescadores de Quarteira dirigiram-se à serra para tentarem apresentar ao ministro as suas reivindicações. Mas não conseguiram: numa manobra evasiva, Jaime Silva mandou os carros da comitiva passar pelo meio dos pescadores, enquanto ele era transportado por um jipe a corta-mato. Deve-lhe ter ficado dos gabinetes em que trabalhou na União Europeia: enquanto os pescadores desesperam, o ministro prefere andar aos papéis, de mão dada com os caçadores.
Suicídios
O exército dos Estados Unidos registou o suicídio de 67 soldados em 2004, 85 em 2005, 102 em 2006 e 108 em 2007, de acordo com dados do Pentágono citados na comunicação social. Em meados de Março deste ano, o exército distribuiu em todas as suas bases e unidades um folheto de prevenção contra o suicídio, no qual indicava que, desde o começo da guerra global contra o terrorismo, o exército perdeu 580 soldados por suicídio, o equivalente a um batalhão de Infantaria.