Tópico: Breves

A ementa da fome

10 Julho 2008

No Japão, a reunião deste ano dos oito países mais ricos do mundo teve como tema central a crise alimentar e a fome. Mas o tema não teve qualquer influência nos almoços e jantares dos chefes de governo que ali se encontraram. Uma média de 24 pratos diferentes, vinhos a 70 euros a garrafa, 25 dos melhores chefes de cozinha do Japão e do mundo, um custo médio de 300 euros por refeição/pessoa. Levantam-se vozes de protesto, fala-se de hipocrisia. Mas onde está o problema? Os líderes do capitalismo limitaram-se a confirmar o que já mostrámos no MV nº 9, que não há falta de alimentos, desde que haja dinheiro para os comprar.


Duas no cravo, uma na ferradura

O grupo Luta Socialista, que integra o Bloco de Esquerda, demarcou-se de uma resolução política da Mesa Nacional, classificando-a de “superficial e politicamente inócua”. O LS critica o texto por omitir a manifestação de 5 de Junho e as paralisações das pescas e dos transportes rodoviários. Mas, logo a seguir a esta crítica pela esquerda – e perfilhando a mesma lógica de aproximação ao PS – ataca o documento pela direita por este não dar relevo ao comício do Teatro da Trindade, que o LS considera “o acontecimento mais relevante para a recomposição da esquerda anti-neoliberalismo desde a fundação do BE”. Nem mais nem menos.


Anticapitalismo na gaveta

Na interpelação a Sócrates no debate parlamentar desta quinta-feira, defendendo um imposto sobre os lucros especulativos das petroleiras, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, afirmou: “Evidentemente que estamos a falar de lucros especulativos. Não estamos a falar de lucros normais, que são aceitáveis”. Ficamos a saber que, ao mesmo tempo que diz defender uma sociedade socialista (onde os lucros serão socializados), o PCP acha que os lucros “normais” do capital são aceitáveis. (Ver neste site artigo “Não gosto que nos chamem ladrões”)


Encontro de precários em Lisboa

8 Julho 2008

Realiza-se ao longo da tarde do próximo domingo, dia 13 de Julho, no Teatro da Comuna em Lisboa (Praça de Espanha), um encontro de trabalhadores precários por iniciativa dos Precários Inflexíveis. Participam também elementos do grupo anti-recibos verdes FERVE. A precarização das relações de trabalho, que está no centro da crise social do mundo capitalista, será debatida à luz do recente “livro branco” do governo, a que os precários chamam “livro branqueador”. É importante participar e apoiar este movimento de luta contra a precariedade e a retirada das conquistas sociais dos trabalhadores. (ver neste site a secção Vai Acontecer)


Contra o G-8

7 Julho 2008

Como tem sido habitual todos os anos, milhares de pessoas manifestaram-se no dia 5 de Julho, em Hocaido, norte do Japão, contra a reunião do G-8 (reunião das 8 nações mais ricas do mundo), que começa dia 7 naquela cidade e se prolonga por três dias. Os manifestantes protestavam contra o agravamento da pobreza e o aumento da dependência mundial dos combustíveis fósseis. E gritavam diversas palavras de ordem como: “Somos contra o encontro das nações ricas” e “Quem deu ao G-8 o direito de organizar o mundo?” Quando os capitalistas conferenciam, que se cuidem todos os oprimidos. Porque eles estão a dirimir, provisoriamente, os seus conflitos e a prepararem a melhor forma de prosseguir a exploração dos trabalhadores e a opressão dos povos.


Isto não é sociedade que se apresente (I)

4 Julho 2008

Um casal alemão ofereceu o filho recém-nascido no site de leilões eBay. O anúncio divulgado no dia 24 de Maio descrevia o bebé como «item de coleccionador». «Vendo meu bebé semi-novo porque chora demais. É um macho e tem 70 cm de comprimento», dizia o texto colocado pelos pais da criança. A mãe tem 23 anos e o pai 24. A oferta inicial era de 1 euro e nenhum lance foi feito nas duas horas e meia de divulgação do anúncio.


Isto não é sociedade que se apresente (II)

A quantidade de pessoas com fome em todo o Mundo aumentou 50 milhões em 2007 devido à crescente escassez de alimentos em algumas regiões, revelou esta quinta-feira o director-geral da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). As conclusões da cimeira da FAO, realizada em Roma no mês passado e subscritas por 180 países participantes, calculavam em 862 milhões a quantidade de pessoas que sofrem de subnutrição em todo o Mundo.


Desemprego soma e segue

Na petrolífera Cepsa, após a fusão com a Total, vão ser despedidos 48 de um total de 228 trabalhadores (21%). Mais uma vez, os patrões declaram as suas “boas intenções” e prometem ajudar os trabalhadores a arranjar trabalho noutras empresas. Na Rohde, multinacional de calçado, a empresa informou agora quais os 196 trabalhadores, num total de 1200 (16%), que vão ser despedidos. E o sindicato, resignado, diz que entre fechar a empresa e despedir 200 trabalhadores, é preferível o despedimento. Claro, é sempre possível inventar um mal maior para desculpar o mal real.


Guerra contra a liberdade

Segundo o New York Times, a UE e os EUA, a pretexto da guerra contra o terrorismo, ultimam um acordo que permitirá aos governos e às companhias privadas da Europa enviarem informações pessoais dos cidadãos – transacções dos cartões de crédito, viagens ou hábitos na net – para os EUA e vice versa. Tentando calar o alarme provocado em advogados defensores dos direitos dos cidadãos, o acordo estabelece que “informações sobre raça, religião, opiniões políticas, saúde ou vida sexual não podem ser usadas por um governo a menos que a legislação nacional garanta a apropriada protecção dos dados”. Não dizendo o que é considerado “apropriada protecção dos dados”, sugere que cada Governo decida por si.


Longo caminho para a liberdade

3 Julho 2008

Dias antes de completar 90 anos, Nelson Mandela recebeu um belo presente vindo dos EUA. O senado norte-americano aprovou no passado dia 27 uma lei que retira Mandela da “lista nacional de terroristas”. Foi nos anos 80 que Reagan determinou que o dirigente sul-africano e outros membros do ANC eram criminosos. A partir de hoje, 18 anos após a sua libertação, 15 anos depois de ter recebido o Nobel da Paz e 14 anos após ser eleito presidente da África do Sul, Nelson Mandela pode finalmente visitar os EUA sem ter que certificar que não é terrorista.


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