Um certo cheiro a nazismo

Sexta-feira, 20 Março, 2020

O modo como o governo de Boris Johnson resolveu de início responder à pandemia do coronavírus foi deixar que a doença se espalhasse para que a população, dizia, adquirisse imunidade — “a imunidade de manada”. Era uma forma de não pôr à vista as debilidades do Serviço Nacional de Saúde, degradado por políticas de desinvestimento, e de evitar o colapso da economia, já de si abalada pelo marasmo geral do capitalismo e pelo Brexit. Foi preciso o protesto de umas centenas de cientistas e médicos, demonstrando que iriam morrer uns 300 mil britânicos para Boris e a sua trupe governativa mudarem de procedimentos e declararem medidas de quarentena. Não é de crer que o governo não soubesse desde início as consequências da sua política de deixa andar. Simplesmente, as vítimas mortais seriam sobretudo os velhos e os fracos — ou seja, os “inúteis”, os “pesos mortos”, os “descartáveis” de que um capitalismo em crise anseia ver-se livre. Espontaneamente, Boris e a sua equipa adoptaram a linha do controlo da população de Malthus, do eugenismo de Francis Galton ou do “melhoramento da raça” dos nazis.






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