Com uma ajudinha do sr. ministro

Multinacional segura trabalhadores obrigando a Segurança Social a pagar 70% dos salários

Quinta-feira, 6 Setembro, 2007

CablagemA Kromberg & Schubert Portugal, empresa de cablagens instalada em Guimarães, reduziu a produção para 50% da sua capacidade. Anuncia, ao mesmo tempo, que tem uma encomenda em carteira que a vai obrigar a admitir mais trabalhadores em 2009. No entanto, no ano passado, despediu mais de duas centenas. Para não despedir ninguém agora, propôs ao governo, e este aceitou, que a Segurança Social passe a pagar 70% dos salários, garantindo a empresa o pagamento dos restantes 30%, até que passe a produzir em pleno.
A responsável pela empresa em Portugal, Cláudia Wise, afirmou que interessava à firma manter o pessoal por ser uma mão-de-obra qualificada – desde que sejam os contribuintes a pagar a parte de leão dos salários, dizemos nós. Mais um exemplo de como funciona o capital: os lucros são privados, mas os prejuízos são públicos.






3 Comentários a “Multinacional segura trabalhadores obrigando a Segurança Social a pagar 70% dos salários”

  1. Arlindo disse:

    E está bem assim. Há impostos sobre o lucro (40%) e se a empresa os tem pago está a cumprir. Ao contrario do que que insinua o lucro é taxado.

    Sempre achei que é preferível subsidiar o emprego que o desemprego e é isso que a segurança social está a fazer e muito bem.

    Agora a questão é o que vão fazer a esse pessoal dentro desse período. Só pode trabalhar na fábrica 30% do seu tempo porque é isso que ela diz que precisa deles e não faz sentido irem para casa o resto do tempo, estando a receber.

    Sendo assim o que deve acontecer é estarem em formação os restantes 70% do tempo, de modo a complementarem as suas qualificações e quando a empresa se deslocalizar já estão mais competitivos pois terão mais que a quarta classe ou o sexto ano.

  2. mraposo disse:

    A meu ver não está bem, não. Por isto:
    – Os impostos sobre os lucros incidem sobre uma pequena parte da riqueza produzida pela força de trabalho. Qualquer contabilista de meia tijela sabe subtrair a impostos a fatia mais grossa dos rendimentos de uma empresa, mais ainda as multinacionais.
    – O produto desses impostos não vai forçosamente para a Segurança Social, que é alimentada substancialmente com os descontos aplicados aos salários dos trabalhadores.
    – No caso concreto, a empresa paga a força de trabalho por 30% apenas do seu preço, mas recebe 100% das mais-valias produzidas. Quer dizer que os impostos dos trabalhadores foram mobilizados, via Segurança Social, para subsidiar a empresa.
    – Por fim, quanto à formação, trata-se quase sempre de uma forma de disfarçar o desemprego e manter os trabalhadores iludidos. Nada garante que os trabalhadores despedidos voltem a ter emprego, mesmo com mais formação. Veja o caso recente dos despedimentos na Yasaki e na Delphi, que têm mão-de-obra qualificada e nem por isso deixam de mandar embora cerca de mil trabalhadores.

  3. Marisa Moreira disse:

    Esta senhora Wise já está habituada a não pagar o que deve.
    Que o diga que fez negócios com ela no Centro Hípico do Outeirinho. Esta senhora não é séria e não sei como é que o Governo sustenta esta gentinha, que vem lá de fora com a mania.
    Pague mas é o que deve oh sua caloteira.

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