Bons alunos, parceiros leais ou simples lacaios

Carlos Completo - Sexta-feira, 4 Maio, 2018

Uma força militar composta por 146 elementos do Exército português parte no próximo dia 7 de Maio para o Afeganistão a fim de integrar uma missão da NATO, com a função específica de garantir a protecção do aeroporto internacional de Cabul. A NATO está presente no Afeganistão desde 2003, a pedido dos EUA, e na sequência dos acontecimentos do 11 de Setembro naquele país. Conta aí com cerca de 13 mil militares.

Também, no dia 15 de Maio, parte outro contingente de 140 fuzileiros da Marinha portuguesa para a Lituânia que, no dizer do ministro da Defesa Azeredo Lopes, vão mostrar o “empenho e solidariedade” para com os aliados da NATO.

Para melhor enquadrar a visão do governo português e o papel das forças militares agora encaminhadas para o Afeganistão e para a Lituânia, é de salientar que o actual ministro da Defesa enviou recentemente aos vários ramos militares as orientações políticas que devem constituir a “ambição” dos militares portugueses.

O governo, segundo o despacho de Azeredo Lopes, pretende dar prioridade ao reforço das missões externas das Forças Armadas, quer para integrar as forças da NATO e da União Europeia, quer no quadro das relações bilaterais,constituindo estas as grandes linhas orientadoras para a nova directiva do “ciclo de planeamento” da defesa militar para o período 2018/2021.

E, sublinha-se, neste despacho, que “No século XXI, a defesa do território nacional faz-se muito para além das nossas fronteiras físicas, na vizinhança próxima ou alargada, pela participação em teatros de operação exigentes como, por exemplo, no Mali, no Afeganistão, na República Centro Africana e no Iraque”.

Certamente que as linhas gerais traçadas neste despacho de Azeredo Lopes beneficiam da enorme “sabedoria” e “experiência”do senhor ministro, bem reveladas no escandaloso caso do desvio das armas de Tancos, e não só.

Como no caso do enfatuado Azeredo Lopes (na Defesa), do reiterado cinismo do ministro Santos Silva, nos Negócios Estrangeiros (v.g. caso Skripal), ou do pedantismo de Mário Centeno, com o seu argumentário (onde dá prioridade aos 0,7% de défice no OE 2019 em detrimento da satisfação de elementares necessidades dos cidadãos), estes responsáveis governamentais procuram, mas não conseguem, apesar de rebuscadas palavras, disfarçar a sua condição de lacaios ao serviço do grande capital e do imperialismo.
Que não haja ilusões do que esta gente efectivamente representa!






4 Comentários a “Bons alunos, parceiros leais ou simples lacaios”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    parece uma evidência que a presença, ainda por cima insignificante, das tropas portuguesas nos centros nevrálgicos do imperialismo, e aqui o Afeganistão não deixa de ser o centro nevrálgico do problema, que este pequeno esquadrão ali presente não seja tido como a carne para canhão, «ou bomba suicida» num surpreendente mercado ou rua da cidade. Como morrem americanos, franceses, ingleses e até suecos e noruegueses, Potugal não pode ser acusado de fugir às suas responsabilidades. Como sabemos o SR. Trump deixou de estar para aí virado e agora cabe à força europeia mostrar aquilo de que é capaz. Esperemos que os soldados portugueses regressem sãos e salvos.

  2. leonel clérigo disse:

    OS BONS ALUNOS… QUE NUNCA APRENDEM A LIÇÃO

    A sociedade portuguesa – não é preciso muita aturada investigação – é, na generalidade, uma sociedade balofa, crédula e ignorante. Não é pois de admirar que qualquer labrego espertalhão que se arvore em político e acabe por o governar, o afunde ainda mais em vez de o levar a “bom porto” como o “prometeu”.
    É certo – o que “amortece” a coisa – que as “pressões” mentais a que está sujeito o “portuga” pesam milhões de toneladas: com as cabeças bombardeadas de “sabedoria” de que toda a comunicação social “oficial” é fértil alimentando o “imaginário” da nossa ilustre “classe média”, a “ralé” – que é quem anda a “bulir” nas fábricas, nos campos e nos mares e paga as “dívidas” dos rentistas — já nasce com o cérebro afogado em futebol que, semanalmente, veio substituir as “peregrinações a Fátima” e às Senhoras da Agonia – enquanto a maioria da juventude “abana o capacete” em “concertos” de “pop-chula” – com legendas na “língua do Império” o que é coisa fina – e treina a voz em “serenatas” ao luar para governantes.
    Para um velho País com pergaminhos – que os tem – talvez não seja “politicamente correcto” colar-lhe o retrato do “subdesenvolvimento”. Mas a verdade “deve” ser dita e não “escondida”: só a um País subdesenvolvido é permitido “fazer gato-sapato”, impingir ao “palonço das berças” toda a treta que está disponível no “mercado” e forçá-lo ao “inevitável”. É o caso do relatado acima pelo texto de Carlos Completo.
    Se os portugueses tivessem um pouco de “brio”, deviam passar a exigir – e penalizar – os programas dos partidos políticos que não contivessem as “políticas” que são escondidas e tornadas obscuras, geralmente em nome do “necessário segredo”: é com isto que nos tramam e nos comprometem com um “cheque em branco”.
    Mas é preciso dizer que “cheque” não é só um: são várias carteiras deles que são decisivos para o nosso futuro como é o caso do “nosso desenvolvimento económico e social” e que, como sempre, está no cofre do “segredo dos Deuses”. O que tem soado – nas “entrelinhas” da conversa do nosso Primeiro Ministro e do Srº Rio – são tretas “regionalistas” – tidas como a nossa “salvação” – que fazem adivinhar a “repartição de canhotas” e não um Plano sério de Desenvolvimento do País. São estes “cheques em branco” que é preciso evitar, obrigando a abrir o “cofre” que os Deuses gostam de guardar no Além para que tudo fique na mesma, como tem ficado.

  3. Cem Flores disse:

    Era, assim, o homem de ciência. Mas isto não era sequer metade do homem. A ciência era para Marx uma força historicamente motora, uma força revolucionária. Por mais pura alegria que ele pudesse ter com uma nova descoberta, em qualquer ciência teórica, cuja aplicação prática talvez ainda não se pudesse encarar — sentia uma alegria totalmente diferente quando se tratava de uma descoberta que de pronto intervinha revolucionariamente na indústria, no desenvolvimento histórico em geral. […]

    Pois, Marx era, antes do mais, revolucionário. Cooperar, desta ou daquela maneira, no derrubamento da sociedade capitalista e das instituições de Estado por ela criadas, cooperar na libertação do proletariado moderno, a quem ele, pela primeira vez, tinha dado a consciência da sua própria situação e das suas necessidades, a consciência das condições da sua emancipação — esta era a sua real vocação de vida. A luta era o seu elemento. E lutou com uma paixão, uma tenacidade, um êxito, como poucos.

    Engels,Discurso diante do túmulo de Karl Marx, 17 de março de 1883

    https://www.facebook.com/CemFloresDesabrochem/posts/1769822546410512

  4. aov disse:

    Acho que Portugal tem os três condimentos. É bom aluno por que recebe bem os ensinamentos da NATO/USA, mas também participa nas invasões militares em outros países. Somos parceiros leais sempre prontos a ser carne para canhão em qualquer conflito internacional e lacaios porque somos solidários com as invasões por parte da Nato ou dos States no Iraque, Afeganistão, Somália, Jugoslávia, etc. e na frente mediterrânica com os refugiados. Na falta de guerra caseiras o exercito português treina fora de portas com o nosso dinheiro.

Deixe o seu Comentário