Valorsul: passos de uma luta, 18-19 de Novembro

“Nós a dialogar e eles a bater”

Segunda-feira, 19 Novembro, 2007

valorsulnoite18nov_72dpi.jpg“Precisamos da solidariedade de todos. Venham apoiar os trabalhadores da Valorsul!” É este o apelo transmitido ao MV hoje ao fim da manhã. David Costa, delegado sindical da empresa, contou-nos como a força de choque da GNR atacou o piquete de greve presente no aterro sanitário de Mato da Cruz no preciso momento em que uma delegação dos trabalhadores se encontrava no gabinete do primeiro-ministro Sócrates a exigir negociações com a administração: “Nós a dialogar, e eles a bater!”. A Valorsul é uma empresa comparticipada pelos 4 municípios que utilizam os seus serviços: Lisboa [PS-BE], Vila Franca de Xira [PS], Loures [PS] (que inclui o serviço de Odivelas [PS]) e Amadora [PS].

A força de intervenção da GNR, a mando do Ministério da Administração Interna e da administração da Valorsul, está presente no local – por vezes escondida da vista dos populares, atrás de alguns contentores próximos – e já interveio por quatro vezes para dispersar pela força o piquete de greve: na noite de sexta para sábado (tentativa falhada, graças à presença de muitos apoiantes), ao fim da manhã de sábado, às 23h de ontem, domingo, e de novo hoje ao fim da manhã, como mostram imagens da SIC e da RTP.

Dois argumentos, retomados conjuntamente pelo chefe da força repressiva e pelos “pivots” das televisões, são falsidades e inversões da verdade. Em primeiro lugar, o argumento de “assegurar a saúde pública”, garantindo o despejo dos lixos naquele local: a verdade é que é esse mesmo despejo que está – contrariamente à mentira declarada do secretário de Estado Humberto Rosa no DN – a criar perigo para a saúde pública, uma vez que, como explicaram os trabalhadores, aquele aterro não foi construído nem está preparado para receber lixos indiscriminados. Estes deveriam ser separados e pré-tratados na unidade de S. João da Talha (que está paralizada) e então poderiam vir para o aterro sanitário já sob a forma de escórias (cinzas e lamas). Em segundo lugar, o argumento de que “os grevistas estão a impedir os camiões do lixo de trabalhar”; ora os camiões, e seus condutores, não pertencem à empresa Valorsul; nenhum trabalhador da Valorsul que queira trabalhar está a ser impedido de o fazer, no total respeito pela lei da greve.

valorsulmanha19novsic.jpgDuas mentiras numa pequena frase
O rodapé da peça difundida esta manhã pela SIC exemplifica o total conluio que, neste caso, está a existir entre o governo, as forças de repressão, a administração da empresa e os editores noticiosos das televisões (na RTP o caso é semelhante): em tão poucas palavras, duas mentiras. Primeiro, a polícia não interveio só hoje; como explicámos acima, a primeira intervenção intimidatória foi logo no segundo dia de greve, e a polícia de choque apareceu já na noite de sexta para sábado, quando nós próprios nos encontrávamos no local. Segundo, a polícia não “teve de intervir”, mas sim recebeu ordens para intervir e, ilegalmente, dispersar o piquete que impedia o acesso de estranhos à empresa. (Chegou mesmo ao ponto, na noite passada, de impedir a livre circulação de veículos particulares, com o objectivo de dificultar o acesso de eventuais apoiantes dos grevistas; quando chegámos ao local fomos impedidos de passar – “aqui só passam camiões do lixo, são ordens” – e tivemos de fazer o resto do percurso a pé).

valorsulmapa.jpgSolidariedade activa
Os trabalhadores insistem na importância do apoio da população ao piquete de Mato da Cruz, cientes de que a greve é uma prova de força e de resistência. Com efeito, a policia reprime os grevistas de forma sorrateira, dispersando o piquete assim que verifica que os trabalhadores estão sozinhos, são pouco numerosos ou estão cansados. Por isso, a solidariedade activa, no local, conta muito para denunciar e tentar impedir o uso da força por parte da polícia. E bem assim, para denunciar o pretexto da defesa do interesse público – invocado pelo governo e pela administração da Valorsul para usar a força policial – quando o que está em causa é a recusa da empresa em discutir as reivindicações dos trabalhadores.
Aqui publicamos um pequeno mapa que pode ajudar os nossos leitores a dirigirem-se ao local (para ver melhor, clicar na imagem e aumentá-la). Apelamos a que todos se desloquem para apoiar os grevistas. Por várias vezes, estes nos disseram “Venham! Venham! O vosso apoio é indispensável, seja a que horas for, dia e noite”. Neste caso, como em tantas outras pequenas-grandes lutas, “resistir é vencer”.






2 Comentários a ““Nós a dialogar e eles a bater””

  1. contramestre : vou estar com o piquete de greve dos trabalhadores da Valorsul disse:

    […] por lá nesta noite de chuva. Mais informações no jornal Mudar de Vidahttp://www.jornalmudardevida.net/?p=378 Publicação: Tuesday, November 20, 2007 12:09 AM por contramestre Attachment(s): […]

  2. Carmélio disse:

    “Resistir é vencer” mas é importante não esquecer em direcção à mudança.

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