Greves, seriam só quando eles quisessem

Pedro Goulart - Segunda-feira, 22 Dezembro, 2014

TAPAvioesparadosA propósito da greve da TAP, como anteriormente acontecera com as greves dos professores, dos enfermeiros e dos médicos, assim como com as lutas de diversas outras empresas e serviços, o governo, os chefes do CDS e do PSD, os dirigentes de diversas entidades patronais, acolitados pela matilha de comentadores do regime nos média (os Gomes Ferreira, os José Manuel Fernandes, os Marques Mendes, os Marcelo Rebelo de Sousa), quase todos, como democratas que se dizem, normalmente não afirmam de forma aberta pôr em causa o direito à greve. Mas, em geral, consideram as greves indesejáveis, inoportunas e prejudiciais à “economia nacional”, às famílias (os cortes de salários e pensões, assim como os aumentos de impostos não o serão?) e ao País (a venda de empresas-chave ao estrangeiro também não o serão?). Mais, recorrem a diversas formas de chantagem sobre os trabalhadores e pretendem indicar-lhes quando podem fazer greve. Desde que a façam “moderadamente”. No essencial, o que as classes dominantes pretendem é esvaziar o direito à greve, retirando-lhe qualquer eficácia.

Os capitalistas e os seus homens de mão aceitam que os professores façam as greves algumas vezes, mas, particularmente, fora da altura dos exames. No caso da TAP, sobretudo fora das festas de Natal e Ano Novo (pois esta é uma altura de o governo ser bonzinho e de os empresários sacarem alguns euros aos turistas). Ainda, e no referente a este caso, o governo PSD/CDS recorreu à requisição civil, justificando: “Esta decisão visa assegurar serviços essenciais em defesa do interesse público nacional e de sectores vitais na economia nacional”. Se assim é, não se percebe como o actual governo, “patriótico”, pretende privatizar a TAP. Como habitualmente, os argumentos do governo são uns e o seu contrário, conforme as conveniências. No caso dos outros transportes as greves talvez sejam aceitáveis, desde que se verifiquem apenas em alguns fins de semana ou à noite. Na situação actual, desobedecer à requisição civil decretada pelo governo pode constituir um importante passo em frente na luta dos trabalhadores.

Ainda, no domínio da propaganda contrária à luta dos explorados, e paralelamente à habitual algazarra promovida pelo governo nos média, surgem de forma constante as vozes de alguns tontos (e não são poucos) e a dos reaccionários de sempre, que acolhem piamente o pensamento das classes dominantes: manifestando-se abertamente contra as greves ou, então, afirmando que os trabalhadores tinham outras alternativas para fazer valer os seus direitos, sem necessidade de recorrerem a esta forma de luta. Quais? Os abaixo-assinados? A entrega de flores aos patrões? É fundamental que digamos a esta gente que desprezamos as suas análises hipócritas e os seus conselhos canalhas!
Se actuassem desse modo, os trabalhadores pouco prejudicariam os interesses dos patrões e dos seus governos, que (pelo Natal) tanto se mostram preocupados com os problemas das famílias e do País. E menos ainda conseguiriam os trabalhadores defender os seus direitos e conquistas.






Um Comentário a “Greves, seriam só quando eles quisessem”

  1. João Medeiros disse:

    NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA TAP
    NÃO ÀS MANOBRAS DE DIVISÃO DOS TRABALHADORES DA TAP
    PELA UNIDADE DOS TRABALHADORES DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE CONTRA O PLANO DE PRIVATIZAÇÕES DO GOVERNO E DE BRUXELAS

    1. Não à privatização da TAP, bem como de todas as outras empresas públicas, porque elas representam o continuar da ofensiva do capital contra os trabalhadores. Representam o entregar à burguesia tanto nacional como estrangeira as empresas públicas, com o objectivo de assegurar a estas uma maior acumulação e rentabilidade aos seus capitais, colocando em perigo milhares de postos de trabalho e os serviços menos lucrativos, bem como aumentando os preços dos transportes. Ou seja, estamos em presença da continuação da ofensiva brutal contra o trabalho.

    2. Não às manobras de divisão dos trabalhadores da TAP e do seu movimento sindical, porque o chamado “Caderno de Encargos” nada lhes garante. Vale tanto como valeram as então denominadas “contrapartidas” noutros negócios, como por exemplo, dos submarinos ou dos carros de combate. Ou seja, o acordo assinado com os nove sindicatos que se desvincularam da greve no final de Dezembro foi uma hábil manobra da Administração e do governo para dividir e permitir o surgimento de “ sindicalistas amarelos” e, assim, liquidarem a resistência dos trabalhadores. Nada de positivo irá trazer para os trabalhadores da TAP. Os sindicatos signatários devem retirar a sua assinatura desse vergonhoso acordo e novamente reagrupar forças e relançar a luta!

    3. Pela unidade dos trabalhadores das empresas de transportes contra o plano de privatizações do governo, Bruxelas, FMI e C.ª, uma vez que todo o sector está ser alvo de medidas de desmantelamento, privatização/despedimentos, e é certo que só o combate unido, combativo e persistente dos trabalhadores pode obrigar o governo a recuar!

    4. A luta e a greve da TAP não mobilizaram apenas os seus trabalhadores, elas foram durante semanas o centro das atenções da maioria da população! Por isso, um movimento de cidadãos, agrupados sob o lema Não TAPos Olhos, tomou várias iniciativas públicas de apoio à luta, decidindo também convocar uma manifestação para o dia 31 de janeiro, em frente ao Aeroporto, contra a privatização da TAP.
    Juntar-nos-emos a esta manifestação e apelamos a uma grande participação. Os organizadores devem dar a palavra aos manifestantes para que esse momento de protesto seja também de organização e preparação do que fazer a seguir. Sabemos que, para travar a privatização da TAP é preciso mais do que uma ou duas manifestações, mais do que uma ou duas greves: é preciso organizar pela base, ligar os trabalhadores dos transportes contra as privatizações e prepararmo-nos para uma luta prolongada.

    TODOS À MANIFESTAÇÃO DE 31 DE JANEIRO NO AEROPORTO, CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA TAP!
    DEFESA DE TODOS OS POSTOS DE TRABALHO E DOS DIREITOS LABORAIS!
    UNIDADE DA CLASSE TRABALHADORA CONTRA A OFENSIVA DO CAPITAL!

    Colectivo Por uma Plataforma Comunista
    Janeiro de 2015

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