Valorsul de novo em greve por tempo ilimitado

Em defesa do direito de greve, os trabalhadores contestam serviços mínimos decretados pelo governo

Urbano de Campos - Terça-feira, 13 Novembro, 2007

valorsulcaixote72dpi.jpgOs trabalhadores da Valorsul (empresa que procede ao tratamento dos lixos dos concelhos de Lisboa, Amadora, Odivelas, Loures e Vila Franca de Xira) entraram em greve, por tempo ilimitado, às zero horas do dia 13 em defesa de um aumento salarial de 3,7% que a administração da empresa se nega a aceitar, contrapondo apenas 2%. Os trabalhadores lutam também pela defesa dos períodos de descanso entre turnos de trabalho, a que têm direito por contrato, e que a empresa quer reduzir de 12 para 8 horas.
Depois de terem suspendido um greve anterior de três dias, em Setembro, para reiniciar as negociações, os trabalhadores foram confrontados com as mesmíssimas propostas da parta da empresa. Enfrentam ainda a tentativa da Valorsul de rever o acordo de empresa que estabelece os termos do trabalho extraordinário, com o argumento de diminuir os gastos em horas extra.
A greve de Setembro teve elevada adesão dos trabalhadores, com efeitos na recolha dos lixos nos municípios em que a Valorsul actua. Desta vez, o presidente da câmara de Lisboa, António Costa, disse que, se não houver locais alternativos para a deposição do lixo enquanto durar a greve da Valorsul, os serviços da CML não procederão à recolha, ficando o lixo na rua.
Os trabalhadores da Valorsul contestaram, por meio de uma providência cautelar, o despacho conjunto dos ministérios do Ambiente e do Trabalho que determina serviços mínimos, por ser esta uma forma de o governo e o patronato furarem, na prática, o direito de greve.






Um Comentário a “Valorsul de novo em greve por tempo ilimitado”

  1. Francisco d'Oliveira Raposo disse:

    Estive a noite passada, no piquete de greve da ValorSul, expressando a solidariedade do meu Sindicato, o STML.

    Para além do STML, (que subcreveu o pré-aviso de greve) estiveram delegações do STAL do Sindicato da Alimentação, o Coordeanador da União de Sindicatos de Lisboa, entre outros.

    Os trabalhadores estão firmes e decididos, pese embora a intimidação policial e as ilegalidades perpetradas pela Administração.

    Por exemplo, um grupo de Securitas ocupou uma portaria, onde um Operador da Central que integrava os serviços mínimos assegurados pelo piquete de greve, assegurava a segurança da central. Tentaram usar o sistema informático e o trabalhador grevista informou imediatamente a administração da violação dos procedimentos de segurança, exingindo a identificação dos elementos de segurança que ocuparam o seu local de trabalho.

    Também os trabalhadores das empresas que estavam a proceder a intervenções de manutenção na Central de Incineração, sendo informados pelo Piquete de Greve que não estavam reunidas as condições de segurança, acabaram por não trabalhar por não lhes ser asseguradas condições de segurança, manifestando a sua compreensão e solidariedade com os trabalhadores da ValorSul.

    O apoio do movimento sindical e popular é essencial para manter e reforçar a unidade e determinação dos trabalhadores da ValorSul contra a prepotência da Administração

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