Editorial

Plutocracia

Segunda-feira, 23 Abril, 2012

38 anos depois do 25 de Abril, o retrocesso na vida dos trabalhadores portugueses é evidente. Em 74-75, apesar do regresso maciço de militares e civis, o desemprego não passou dos 5%; hoje está nos 15%. O mesmo com os salários: a forte subida de 74-75, que chegou a atingir 7% e 15%, foi brutalmente contrariada nos anos seguintes com duas intervenções do FMI; e nos últimos anos caíram a pique, sob a acção devastadora dos PEC e da troika. A parte do trabalho na repartição da riqueza subiu em 74-75 a mais de dois terços; hoje é menos de metade.
Tudo obedeceu a uma regra simples: quando a luta de massas esteve em alta, os trabalhadores ganharam vantagem; quando enfraqueceu, ganhou o capital.

A marcha atrás nos aspectos materiais, sentida na casa de cada um, é acompanhada da degradação cada vez mais visível do regime. Aquilo que hoje se passa não é apenas um ponto baixo da vida nacional: é a decadência do regime consagrado em Novembro de 75, que se expressa tanto na sua incapacidade económica como na degradação das suas instituições.

Os sinais dessa decadência estão à vista no escandaloso enriquecimento dos gestores e patrões dos grandes negócios, feitos à sombra do Estado. Estão à vista na corrida aos lugares de poder pelas clientelas partidárias, em busca de vantagens políticas ou económicas. Estão à vista na corrupção generalizada, de que apenas se conhecem casos isolados. Estão à vista nas guerras entre os órgãos do Estado, envolvendo presidência, governo, tribunais. Estão à vista no arbítrio crescente das polícias, secretas ou não secretas.

Vivemos o culminar da “normalização democrática”, da recuperação capitalista e burguesa que pôs termo à onda popular de 74-75. Não é preciso, pois, indagar muito para se perceber a razão do descrédito generalizado a que o povo vota esta democracia de fachada feita à medida de gente rica.






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