Editorial

Ir mais alto

Sexta-feira, 18 Novembro, 2011

Muitas camadas sociais são atingidas pela crise e pelas medidas terroristas do poder. Mas isto não ilude uma questão de base: as classes capazes de conduzir a luta a patamares superiores são as classes por condição anticapitalistas, o operariado e os demais trabalhadores assalariados. Essa é a primeira condição para que o movimento de protesto não se limite a pedir benevolência ao poder (governo e capital), coisa a que ele será surdo enquanto não se sentir em perigo.

Para ser eficaz, o movimento de resistência tem de levantar exigências que firam os interesses capitalistas. São elas que podem despertar o empenho de classe dos trabalhadores e levá-los a reagir em maior número e com mais energia.
Resistir ao aumento da exploração significa atacar os ganhos do capital; não há terceira via. Se o capital só sabe combater a crise aumentando a exploração, então o trabalho terá de reagir da única maneira consentânea: reclamando medidas que empurrem os custos para cima do capital. Só assim o movimento de resistência acumulará força para travar a ofensiva do poder.

As vítimas comuns dos vários países estão, ao mesmo tempo, diante das mesmas dificuldades. Há pois uma necessidade de internacionalismo, não apenas moral mas prático, na resposta a dar à presente situação do mundo e da Europa.
Nos planos sindical e político, os trabalhadores europeus são os nossos primeiros aliados, especialmente os gregos e espanhóis. Todas as acções que criem laços de solidariedade e de apoio são indispensáveis para reforçar a luta comum e uma marca do momento que vivemos. Foi o que os comunistas gregos significaram, meses atrás, ao colocar no alto da Acrópole a exortação “Povos da Europa, levantem-se!”
Não foi só um pedido de ajuda, foi um apelo à união europeia dos trabalhadores. Cabe aos trabalhadores portugueses corresponder à chamada.






4 Comentários a “Ir mais alto”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    Enquanto o KKE lançava a palavra de ordem “Povos da Europa, levantem-se” e deixava as classes trabalhadoras gregas de cócoras perante o capital imperialista, a classe média portuguesa levantava-se em peso contra as decisões monopolistas dos lacaios da burguesia alemã, fazendo recuar de forma temerosa os tecnocratas ao serviço do eixo Franco-alemão.
    Bastou M. Soares, Ferreira Leite, militares e a malta indecorosa dos tribunais para pôr de sobreaviso este governo de medíocres e analfabetos em apuros e incapazes de encontrar soluções minimamente aceitáveis para a classe média.
    Uma vez mais os sindicatos amarelos da UGT e esverdeados da CGTP ficaram isolados e impotentes. E é graças à força da classe média que os direitos adquiridos pelos trabalhadores não são alvo de um vexame vergonhoso.

  2. J.M.Luz disse:

    Os trabalhadores portugueses por si sós não ultrapassarão os limites da luta económica, necessitam para “corresponder a essa chamada” de uma nova direcção política que lhes aponte esse caminho revolucionário, visto que a actual direcção política do movimento laboral e popular não vai “MAIS ALTO” e se limita a lutar e a propôr medidas no quadro do sistema económico capitalista.

  3. anónimo disse:

    Esta é que é uma questão importante e sempre o foi. O movimento não é revolucionário ou revolucionário consequente se não tiver essa direcção política, armado do elemento subjectivo que é a teoria revolucionária. Há porém quem despreze isto e siga assim há dezenas de anos a esta parte.
    Há até ideias anti-organização e/ou anárquicas, no seio do frágil movimento que se levanta.
    O comentador de cima tem toda a razão naquilo que diz.

  4. António alvão disse:

    O anónimo poderia dar a cara para debatermos o tema! E fico-me por aqui porque o anónimo não merece mais nenhuma palavra!

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