Os partidos da troika e da guerra

Das cumplicidades com a rapina e a agressão

Pedro Goulart - Terça-feira, 14 Junho, 2011

libya_airstrikes.jpgO actual comando da NATO em Oeiras vai ser substituído por um outro comando, de nível inferior, com a instalação do quartel-general das forças navais de ataque e apoio de intervenção rápida – o STRIKFORNATO. Os ministros da Defesa dos 28 Estados-membros da NATO acabaram de chegar a acordo, em Bruxelas, sobre as alterações na estrutura de comandos daquela organização militar imperialista.
De salientar que o STRIKFORNATO, agora “ganho” por Portugal, é o comando de uma estrutura (assente nos meios navais dos EUA) e que essa estrutura é uma das responsáveis directas por várias agressões militares da NATO, nomeadamente nos casos do Afeganistão e da Líbia.

O ministro da Defesa português, Santos Silva, apesar de anteriormente ter vindo a manifestar-se confiante na manutenção do actual comando de Oeiras, logo após a diferente decisão da reunião de Bruxelas falou com bazófia aos jornalistas, afirmando terem sido alcançados os objectivos definidos por Portugal para a reforma dos comandos da aliança e que os resultados não podiam ser outros, pois “Portugal tinha marcado os limites para este emagrecimento da NATO”.
Assim é que é. Esta gente também impõe respeito aos patrões!

Nas mesmas declarações, Augusto Santos Silva referia que as actuais decisões de Bruxelas se revelavam compatíveis com o mandato que recebera dos três partidos – PS, PSD e CDS – que defendem a participação de Portugal na NATO. Isto é, os mesmos partidos que subordinaram Portugal aos tenebrosos ditames da troika (com as graves medidas anti-trabalhadores que têm estado a ser gizadas), são, igualmente, co-responsáveis pelas guerras coloniais, de agressão e rapina, levadas a cabo por aquela aliança militar imperialista.

Mais. Sejamos claros, por muito que possa doer a alguns, estas políticas criminosas não se devem apenas ao arbítrio de meia dúzia de senhores. Ainda recentemente, em 5 de Junho, um pouco menos de 50% dos eleitores portugueses votaram expressamente nestes mesmos três partidos da troika e da guerra (e não me venham dizer que desconheciam os programas e/ou a prática deles), afirmando claramente o seu apoio e cumplicidade com tais políticas, imposições e crimes.






2 Comentários a “Os partidos da troika e da guerra”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    Partindo de premissas erradas não é possível chegar a conclusões certas, e é isso que acontece com o que se afirma no último parágrafo deste artigo. Não é verdade que um pouco menos de 50% dos eleitores portugueses votaram nos três partidos da troika, dado que, como se sabe, a abstenção, os votos em branco e os nulos tiveram uma enorme expressão neste acto eleitoral. Sendo assim, verifica-se que apenas quase 50% dos votos expressos se exprimiram nesse sentido, o que representa apenas cerca de 20% dos eleitores recenseados.
    Mas o problema não se pode configurar apenas neste aspecto, dado que se tem forçosamente de recorrer a outras questões políticas de que não se pode prescindir. A este propósito cito uma pequena passagem do livro «Questões do leninismo» que afirma o seguinte: “Poder-se-á operar uma modificação tão radical da antiga ordem de coisas burguesas sem revolução violenta, sem ditadura do proletariado?
    É claro que não. Pensar que se pode operar uma tal revolução pacificamente, no quadro da democracia burguesa, própria da dominação da burguesia – é ter perdido a razão e todas as noções humanas normais, ou então renegar brutalmente e abertamente a revolução proletária”.
    Como se sabe, os dois virús malignos que infestaram a 2ª metade do séc. XX na Europa Ocidental, foram o triunfo da social-democracia na luta de classes e a estrondosa vitória da ideologia revisionista sobre o marxismo-leninismo, que permanece, embora já um pouco moribunda, nos nossos dias.
    Portanto há que não desanimar e ter confiança no futuro.

  2. Pedro Goulart disse:

    Caro Afonso

    Está visto que não te dás bem com a Matemática. Os votantes nos 3 partidos da troika foram mais 4 milhões e o total dos inscritos nos cadernos eleitorais um valor acima dos 9 milhões. Se fizeres uma divisão simples verás que se obtém mais de 46% de eleitores que votaram naqueles partidos e não os teus 20%.
    Quanto à tua citação de Lenine estou substancialmente de acordo com ela. As minhas questões com Lenine têm a ver é com com a organização e com o papel do partido revolucionário.
    Quanto a desanimar, não está muito no meu feitio – já ando nisto há muito. Contudo, não gosto de alimentar ilusões. Prefiro a verdade.

Deixe o seu Comentário