Mais um crime cometido pela NATO

63 refugiados morreram no mar por falta de auxílio

Solidariedade Imigrante / MV - Terça-feira, 10 Maio, 2011

boatlibya.jpgA Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (Solim), denuncia numa nota de imprensa o crime cometido pela NATO, nas águas do Mediterrâneo, que resultou na morte, à fome e à sede, de 63 pessoas, homens, mulheres e crianças. A história, denunciada pelo jornal britânico The Guardian em 8 de Maio, é edificante.

Em final de Março, 72 africanos (ganeses, eritreus, etíopes, nigerianos e sudaneses, entre eles vinte mulheres e duas crianças) fugiram de Trípoli num barco em direcção à ilha italiana de Lampedusa. Tendo sofrido uma avaria e ficado à deriva, entraram em contacto por telefone satélite com as autoridades costeiras italianas e pediram auxílio a um helicóptero e a um barco de guerra da NATO a operar na zona (quase seguramente, o porta-aviões francês Charles de Gaule). Os seus pedidos foram deliberadamente ignorados e, após 16 dias de desespero, apenas onze sobreviventes conseguiram regressar à costa líbia, onde dois deles acabaram por morrer também.

Como refere o comunicado da Solim, os fugitivos nada mais faziam do que procurar sobreviver, tentando escapar a uma situação de guerra. Provenientes de um país severamente castigado pelos bombardeamentos da NATO e das grandes potências ocidentais, foram também condenados à morte por tentarem salvar a vida.

O comunicado lembra que as causas das sistemáticas fugas de pessoas (que atinge muitos milhares por ano) são conhecidas: a desesperança de vida em África cresce e agrava-se com as guerras e regimes ditatoriais que desrespeitam os direitos humanos. Quem já nada tem a perder arrisca, mesmo se a probabilidade de ficar sepultado no fundo do mar foi mais de 20% em 2008.

Nos quatro primeiros meses deste ano, calcula-se que mais de 30 mil migrantes africanos tentaram atravessar o Mediterrâneo, presumindo-se que tenham morrido cerca de 800 só no mês de Abril.

Perante esta demonstração de desprezo pela vida de seres humanos, a Solim denuncia a tremenda hipocrisia da Europa e da NATO que justificaram os ataques aéreos à Líbia com o argumento da defesa das populações civis e, diante de uma situação de emergência, deixam morrer sem auxílio seis dezenas de pessoas.

O direito marítimo obriga qualquer navio, incluindo os militares, a atender pedidos de socorro e a prestar auxílio a pessoas em perigo no mar. As autoridades italianas e da NATO violaram esse dever e são portanto responsáveis pelas mortes que ocorreram. Por esse facto, e porque Portugal é membro da NATO, a Solim exige que o governo português se pronuncie sobre os acontecimentos.






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