Editorial

Sem meias palavras

Segunda-feira, 7 Março, 2011

O governo cantou vitória por ter reduzido, segundo contas de Janeiro, cerca de metade do défice respeitante aos gastos do Estado. Mas, sabidas as medidas previstas no Orçamento e nos PEC, outra coisa não seria de esperar. O governo apenas prova que é um executante esforçado do acordo feito com o PSD (a mando da banca e do patronato); e um bom aluno perante a União Europeia e a finança mundial.
A façanha resume-se, pois, a isto: espremer os trabalhadores assalariados e os pobres. Não é má gestão: é o capital no seu melhor.

O mais trágico é que, continuando as coisas como até aqui, sabemos que este esmagamento das condições de vida vai prosseguir ao longo deste ano e dos próximos – e continuará enquanto o poder (isto é, o capital e não apenas o seu governo) sentir que tem margem para o fazer sem correr o risco de uma revolta. O “sucesso” do governo assenta, portanto, numa fraca resposta da parte dos trabalhadores.

Todos temos consciência de que os protestos realizados (por mais numerosos e participados que tenham sido) foram absorvidos sem abalos pelo poder. Porquê? Porque até agora se têm confinado a tentar amortecer os efeitos das medidas governativas sem ousar contestar os fundamentos do problema: a barbárie da exploração levada a cabo pelo capital.

Ora, na luta de classes, não é por se pedir menos que se obtém alguma coisa. Ao contrário, os trabalhadores só têm possibilidade de obter algum ganho se – pela força posta nas suas exigências – conseguirem fazer sentir ao capital que tem alguma coisa a perder.

Às próximas lutas dos trabalhadores, e também às manifestações de 12 e 19 de Março, coloca-se assim uma questão decisiva: trazer para a ordem do dia a necessidade da luta anticapitalista. Sem meias palavras.






Um Comentário a “Sem meias palavras”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    Se é verdade que até agora a luta dos trabalhadores se tem confinado a tentar “amortecer” os efeitos das medidas governativas, facto que não se verifica acontecendo precisamente o contrário como se pode confirmar com as sucessivas lamúrias da Inter e dos partidos de “esquerda”:
    A resposta a esta questão não está nas lutas em si mesmas dos trabalhadores mas sim nos seus mais directos órgãos representativos, ou seja por um lado as direcções sindicais e por outro os partidos ditos de esquerda que dirigem as respectivas lutas. É aqui que reside o grande problema e não nas massas “atrasadas e pouco esclarecidas” que, normalmente, os dirigentes dessas organizações insistem em fazer crer.
    Por isso a chamada esquerda revolucionária enquanto mantiver esta postura de “boa visinhança” com estes quadros dirigentes, não está a ser outra coisa senão cumplice desta escola.
    Aos trabalhadores, apenas lhes resta aguardar por novas medidas de austeridade até que a crise seja superada, se por acaso conseguir um novo ciclo de desenvolvimento económico.

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