Todo o apoio à greve geral!

Quarta-feira, 24 Novembro, 2010

portinari_a_greve.jpg1. Passo a passo, o patronato e o poder vão impondo aos trabalhadores mais pobreza: menos emprego, menores salários, mais baixo poder de compra, pior saúde, pior educação, menos apoios sociais.

Uma sociedade que promete um futuro pior que o presente não serve!
O capitalismo mostra-se incapaz de responder às necessidades de progresso da população – em Portugal, na Europa e no mundo. É esta a lição principal a tirar do marasmo da economia e das crises sucessivas que, de ano para ano, afundam as condições de vida dos trabalhadores.
O progresso, sob o capitalismo, é hoje uma miragem. Aos trabalhadores interessa um sistema económico e uma organização social de onde sejam banidos o lucro, a exploração do trabalho, a apropriação privada da riqueza – os verdadeiros causadores das crises e da degradação da vida social.

2. O entendimento entre PS, PSD e CDS tem resultado numa absoluta continuidade governativa; e tem mostrado uma notável competência na tarefa de espoliar o trabalho e proteger o capital.

Só a evasão fiscal ao IRC nos últimos 20 anos, praticada por dois terços das empresas e tolerada por todos os governos, ultrapassou os 130 mil milhões de euros, mais de onze vezes a “poupança” prevista no próximo orçamento do Estado.
Em contraste, são os trabalhadores assalariados que pagam 92% do IRS arrecadado.
Agora, com argumentos de “urgência”, carrega-se a massa trabalhadora com novos sacrifícios. A desigualdade é gritante: os assalariados pagam 66% dos custos da “austeridade”; o aparelho do Estado, 20%; e apenas 14% recaem sobre o capital e os altos rendimentos.
A conclusão é evidente: trata-se de uma política com o firme propósito de sacrificar os trabalhadores e defender as classes dominantes.

3. A resposta a este ataque não está em propor “soluções inteligentes” para a crise. Nem a violência das medidas pode ser travada com tentativas de concertação.

Patrões e forças do poder sabem onde está a fonte de riqueza que os alimenta. Não é por falta de melhores ideias que espoliam os assalariados.
Também não é por falta de protestos dos trabalhadores que o rumo político do país não se alterou. É por faltar, ainda assim, capacidade para obrigar a uma mudança de fundo. Não basta reclamar mudanças – é preciso reunir forças com determinação para as impor.
Tudo depende da unidade e do pulso que os trabalhadores puserem na luta contra as decisões que os atingem. Só isso travará as medidas do bloco patronal PS/PSD/CDS.
É preciso obrigar o poder e o patronato a levarem em conta e a temerem a resposta dos assalariados. É preciso lutar na perspectiva de rejeitar os sacrifícios e forçar o capital a pagar a crise.

4. Os próximos anos vão ser duros. Para responder às medidas já aplicadas, assim como àquelas que estão na forja, a greve geral terá de ser, não o culminar, mas o começo de um novo ciclo de luta.

Estão em jogo o presente e o futuro dos trabalhadores. Há que enfrentar os patrões em todos os locais de trabalho, recusar o empobrecimento, repudiar a mentira dos sacrifícios “partilhados”, não esperar nada nem dos governos nem do Estado, perder o respeito por este regime de desigualdade e de injustiça, pôr em causa a máquina de exploração do capitalismo.

5. Quatro medidas para que o capital pague a crise

I. Trabalho para todos
– Ponto final nos despedimentos.
– Proibição do lay-off e revogação do Código do Trabalho.
– Combate ao desemprego reduzindo o horário de trabalho sem reduzir salários.

II. Combate à pobreza e à degradação do nível de vida
– Aumento dos salários e pensões, redução dos leques salariais.
Uso exclusivo dos dinheiros do Estado e da Segurança Social para apoio ao emprego e ao bem-estar dos trabalhadores. Nem mais um tostão para banqueiros e especuladores.
– Corte drástico nas despesas militares, regresso das tropas em missões no estrangeiro.

III. Mais justiça social em vez de polícia
– Apoio social aos bairros pobres e às populações imigrantes.
– Aplicação de um forte imposto sobre as grandes fortunas.
– Julgamento e condenação dos especuladores, dos corruptos e dos patrões que promovam falências fraudulentas. Expropriação das suas fortunas e entrega desses fundos à Segurança Social.
– Fim dos privilégios dos administradores, gestores, autarcas e detentores de cargos políticos.
– Fim dos prémios e bónus dos gestores públicos.

IV. Unidade popular contra os partidos do capital
– Derrotar a política terrorista do bloco patronal PS/PSD/CDS.
– Trazer para a rua o protesto dos trabalhadores.

Colectivo de Comunistas Revolucionários
Colectivo Mudar de Vida

24 de Novembro de 2010






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