Palestina

Negociações só interessam aos EUA e a Israel

FPLP manifesta-se contra as negociações e pela reforma da OLP

FPLP/MV - Domingo, 10 Outubro, 2010

palestina_mulheres.jpgA Frente Popular de Libertação da Palestina decidiu suspender a sua participação nas reuniões do comité executivo da OLP em protesto pela forma como foi decidido, pela direcção da Autoridade Palestiniana, retomar negociações com o governo de Israel, e em aberta discordância com o próprio processo negocial. A FPLP denuncia os condicionamentos impostos por israelitas e norte-americanos, dizendo que estas negociações servem os propósitos de uns e outros, mas não os interesses do povo palestino. Em vez disso, defende a FPLP, deve ser convocada uma conferência internacional no quadro da ONU que comece por obrigar Israel a cumprir as resoluções das Nações Unidas.

Eis o texto do comunicado da FPLP.

“Perante a decisão da direcção da OLP de retomar as negociações directas com o governo da entidade sionista, o Comité Central da FPLP realizou uma reunião extraordinária no decurso da qual foram debatidas as evoluções e os perigos actuais.

O Comité Central, ciente da dimensão histórica das evoluções políticas nos cenários palestinos e árabes, afirma o que segue:

Quando a FPLP rejeitou os acordos de Oslo em 1993 alertou desde logo o povo palestino sobre as suas consequências catastróficas para a causa palestina, para a luta, para a estratégia e para o projecto nacional da OLP e, sobretudo, para o facto de conduzir à subordinação ao ocupante.

Afirmamos que o regresso às negociações directas, que têm falhado há duas décadas e que o sangue derramado pelo nosso povo durante a Intifada desde 2000 tornou caducas, não representa senão mais um passo na via destrutiva inaugurada em Oslo, e constitui uma submissão às novas injunções imperialistas norte-americanas e sionistas, que visam aniquilar os direitos nacionais históricos do nosso povo, em particular o direito ao retorno dos refugiados e o direito à cidadania e à existência dos palestinos nos territórios ocupados desde 1948.

Estas negociações contribuem para pôr fim ao isolamento do estado sionista, protegem os seus dirigentes das consequências dos crimes e massacres que cometeram, neutralizam a solidariedade crescente em relação ao nosso povo e aos seus direitos e dão cobertura às práticas do ocupante: colonização, judaização de Jerusalém, expulsão, bloqueio, assassinatos e prisões.

Esta decisão inscreve-se no contexto da degradação da posição e das exigências nacionais e participa na consagração e no aprofundamento da catastrófica divisão interna.

A FPLP esteve sempre profundamente ligada à OLP, mesmo nas fases políticas mais tumultuosas, e consideram-na o legado palestino mais importante baptizado com o sangue dos mártires e com grandes sacrifícios.

A FPLP não poderá nunca aceitar que a OLP se torne a capa de práticas e políticas destrutivas em relação à nossa causa nacional, que transformam as suas instituições em instituições fantoches, destituídas de independência, de espírito de luta e de princípios democráticos e constitucionais.

É por isto que a FPLP declara a suspensão da sua participação nas reuniões do comité executivo da OLP e alerta o nosso povo para o que está em jogo e para as consequências perigosas da política dos compromissos e das negociações condicionadas pelos norte-americanos e israelitas, que impõem o controlo norte-americano, pondo de parte as Nações Unidas e as suas resoluções.

Tomamos esta decisão no momento em que os israelitas, com o apoio dos norte-americanos, tentam impor o reconhecimento do carácter judeu do Estado de Israel na agenda das negociações e prosseguem incansavelmente a colonização, a judaização de Jerusalém e o bloqueio sobre a faixa de Gaza.

Do lado palestino, o retomar das negociações foi decidido na presença de apenas um terço dos membros do comité executivo, o que significa que foi dado mais um passo pela direcção da OLP na via da monopolização do poder, da recusa de qualquer forma de trabalho colectivo inter-palestino e do desprezo pela rejeição das negociações pela maioria das forças políticas e sociais e das massas populares.

O retomar das negociações directas representa uma regressão perigosa em relação às resoluções da assembleia central (a instituição legislativa da OLP) e atenta contra a OLP e contra a identidade nacional palestina em luta e o trabalho palestino colectivo.

Ao invés de reforçar a decisão nacional, consolidando assim a relação com os outros actores políticos e a posição oficial árabe e servindo a luta nacional e os seus fins, a direcção da OLP abala o cenário político ao tratar o comité executivo, a mais importante instituição palestina, como uma instituição destituída de independência.

A decisão de retomar as negociações foi tomada ainda antes de ser apresentada ao comité, aquando de uma reunião com apenas um terço dos membros presentes, e contrariando a rejeição da decisão por importantes forças da OLP.

A decisão de suspensão da participação da FPLP nas reuniões do comité executivo da OLP não significa que contemos integrar outros órgãos paralelos ou alternativos à OLP, enquanto órgãos nacionais que reúnam todo o povo palestino.

A FPLP não está apenas contra a utilização da OLP e a transformação das suas instituições em instituições fantoches; está também contra os que se viram contra ela, considerando que a OLP se mantém como um legado nacional da maior importância, no qual o nosso povo e as forças políticas têm trabalhado para a revolução e feito sacrifícios consideráveis.

Desta forma, a FPLP não cessará, como nunca deixou de o fazer, de lutar pela reforma da OLP, pelo seu desenvolvimento e a sua reconstrução sobre bases nacionais e democráticas através de eleições que confiram uma representação proporcional a todas as componentes do povo, na Palestina e na diáspora, eleições garantidas pela Declaração do Cairo de Março de 2005 e pelo acordo nacional de 2006.

A aplicação destes acordos permitirá pôr fim ao estado de divisão, recuperar a unidade nacional e reforçar a determinação do nosso povo na sua luta contra o ocupante e as suas práticas.

Na fase actual, consideramos a reforma da OLP como uma missão central para todos os patriotas palestinos.

A FPLP, ao mesmo tempo que reafirma a sua ligação à OLP enquanto representante único do povo palestino, apela aos nossos concidadãos, às forças políticas, a todas as estruturas sociais, às personalidades independentes, para que organizem movimentos populares que travem as negociações e ponham fim ao ciclo inaugurado por Oslo.

Exigimos a substituição deste processo por uma convocatória para uma conferência internacional competente em que participem as partes envolvidas.

Esta conferência deve ter como cenário a ONU, como referências as resoluções internacionais e como objectivo obrigar Israel a adoptá-las, a começar pela resolução 194 que exige o regresso dos refugiados palestinos aos territórios de onde foram escorraçados bem assim como as que respeitam à descolonização.

Apelamos também à multiplicação dos esforços para o retomar da unidade nacional e a definição de uma estratégia política palestina baseada nas reivindicações nacionais incontornáveis e ao abandono das negociações, cuja experiência já demonstrou a inutilidade e o absurdo.

Alcançaremos a vitória através da unidade, da democracia, da determinação e da resistência!
Glória aos nossos mártires, saúde para os nossos feridos, liberdade para os nossos presos, vitória para o nosso povo!”






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