Manifestação a 20 de Novembro

Contra a guerra e contra a NATO

Pedro Goulart - Quinta-feira, 7 Outubro, 2010

natolegalterror.jpgA organização político-militar NATO, que há quase nove anos leva a cabo a criminosa guerra no Afeganistão em parceria com os EUA, vai realizar este ano uma cimeira em Portugal, nos dias 19 e 20 de Novembro. Aqui será discutido e votado o novo conceito estratégico da aliança belicista. O país, especialmente Lisboa, vai estar vigiado e cercado por terra, mar e ar, por militares e polícias. E, apesar da “crise”, para estes gastos não falta dinheiro!
Um eventual silêncio ou inacção da nossa parte face aos actuais crimes desta organização militar imperialista podem ser comparados aos silêncios e às inacções cúmplices do passado, de que foram responsáveis muitos portugueses quando confrontados com os crimes do fascismo salazarista e das guerras coloniais. Ou será que todos aqueles que hoje apoiam ou votam nos partidos da guerra são inimputáveis?
Logo que foi conhecida a concretização desta cimeira de Lisboa, começaram a desenhar-se e desenvolver-se algumas iniciativas e movimentos contra tal realização. De entre as iniciativas previstas, é de salientar a manifestação do dia 20 de Novembro, em Lisboa, pelas 15h, do Marquês de Pombal aos Restauradores.

Um dos movimentos então criados – a Campanha Paz Sim! NATO Não! – que promove a manifestação de Novembro e é apoiado por numerosas associações, considera a NATO uma organização militar agressiva, reclama das autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pelo direito internacional e pela soberania e igualdade dos povos. Reivindica o fim das bases militares estrangeiras e das instalações desta aliança belicista em território nacional, assim como a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO. Exige, também, o desarmamento, o fim das armas nucleares e de destruição maciça, e a dissolução da NATO.

Outro dos movimentos, a PAGAN – Plataforma Anti-guerra, Anti-NATO, que apela à participação dos activistas nesta manifestação, assume-se como uma plataforma com total autonomia face aos partidos políticos ou a quaisquer outras instituições e afirma-se como movimento aberto a todos os cidadãos que pretendam manifestar o seu repúdio pela guerra. Declara a sua oposição à cimeira da NATO, “onde os senhores da guerra − governantes dos países ditos ‘democráticos’ − tencionam definir uma nova estratégia de domínio de outras nações pela força das armas”, exige a dissolução da NATO, a retirada das forças portuguesas das missões militares desta aliança agressiva e reclama do governo português a adopção de uma política activa de defesa do direito internacional e da soberania dos povos.

Façamos da jornada de luta do 20 de Novembro uma grande manifestação unitária e combativa contra a NATO e os seus desígnios sanguinários e de opressão dos povos. É preciso dizer não aos governos criminosos, incluindo o português, que sob diversos pretextos enganadores, continuam a participar em guerras de agressão e ocupação de outros países. É preciso acabar com esta aliança militar criminosa.






3 Comentários a “Contra a guerra e contra a NATO”

  1. Manuel Baptista disse:

    Concordo totalmente com esta tomada de posição, mas penso que é necessário chamar à responsabilidade a «esquerda» portuguesa, desde os que se reclamam das várias tendências historicamente radicadas na social-democracia (socialismos reformistas, marxismos, leninismos…), quer das várias tendências que se filiam nos anarquismos ou correntes anti-autoritárias (anarco-sindicalismos, anarco-comunismos, ambientalismos, feminismos…).
    Com efeito, como respondem as pessoas em Portugal, face às situações mais negativas, aos «recuos maiores« da situação social, ao corte de diretios e garantias ?
    Respondem, sem responder, pois não enfrentam o (s) problema (s)…
    Nestes incluem-se a questão do militarismo e da NATO enquanto aliança agressiva e que mantém o país numa sujeição neo-colonial.
    A minha interpretação desta «patologia social», que curiosamente afecta exclusivamente indivíduos e organizações de «esquerda», é a seguinte:
    Trata-se de um caso extremado e caricato de deriva «identitária», ou seja um extremar da ideologia como chave não apenas para a «explicação do mundo», como ainda e sobretudo como guia para «a acção», ou seja como uma forma ritual de ver as coisas e de dar uma resposta ritualizada.
    Assim, fazem a «economia» de uma resposta de acção directa, quanto mais poderosa quanto diagonal às ideologias. Mas assim, também, «sustentam» as capelinhas, sustentam os seus pequenos privilégios, ou apenas a miragem de um prestígio dentro do seu grupo, de uma posição de «leadership» (=chefia…)
    A esquerda e particularmente os estados maiores dos grandes partidos (PCP e BE) são responsáveis pela fraqueza da luta anti-guerra e anti-NATO.

    Esta fraqueza é devida à sua obsessão com a hegemonia (hegemonia dos que se reclamam do socialismo, dos que se consideram defensroes de uma visão classista da sociedade, etc). Este conceito de hegemonia, mal compreendido, leva os estados-maiores dos partidos a insuflar, encorajar ou pelo menos não contrariar sequer as inúmeras manifestações de sectarismo serôdio, obbservaveis pelos seus adeptos, dentro das chamadas «organizações de massas» e que -na realidade- reflectem uma visão cripto estalinista do que seja a militância política e social…

    São graves problemas que tolhem a nossa capacidade de intervenção e que apenas terão «remédio» se houver uma tomada de consciência nas fileiras da esquerda portuguesa, seguida de uma consequente prática sessectarizadora.
    Abraço,
    MB

  2. afonsomanuelgonçalves disse:

    Esta aliança militar criminosa não pode acabar apenas com manifestações de protesto, ainda que sejam fundamentais para a sua derrota. No entanto ela só poderá ser definitiva se fôr derrotada no plano militar como está historicamente provado. Para isso, é necessário juntar a estas posições outra de apoio incondicional à luta anti-imperialista levada heroicamente a cabo pelos povos da Afeganistão, Paquistâo, Palestiniano etc., que estão a fazer soçobrar as forças militares que ocupam esses países.
    Julgo que esta posição devido a certos complexos ideológicos e “civilizacionais” ainda não está suficientemente amadurecida, e isso só beneficia o próprio imperialismo.

  3. Maria Celeste Baeta disse:

    Obrigada Manuel Baptista. Escreveste tudo o que eu penso deste tacanho episódio (mais um…) que nos impede de ter respostas à altura do descalabro actual, imposto pelo capital. Onde a nato e o complexo industrial militar/científico se inserem.
    Tiraste-me um grande peso da cabeça, não tenho nem que pensar e, sobretudo, escrevinhar (cada dia custa mais) a dizer o mesmo, mas claro, talvez não tão bem conseguido.

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