O petróleo do Iraque nos negócios de Tony Blair

O ex-governante britânico ocultou um contrato sobre o petróleo do Curdistão

P / ON / Cristina Meneses - Sexta-feira, 7 Maio, 2010

blairchery_72.jpgO grande sócio de George Bush na invasão do Iraque não queria que se soubesse que estava a beneficiar da guerra que ele ajudou a promover. Mas a entidade pública à qual os ex-detentores de altos cargos devem comunicar as suas actividades comerciais decidiu divulgar a informação, contra a vontade de Blair. A revelação é feita pelo diário espanhol Público e transcrita pelo site www.other-news.info.

Blair foi contratado em Agosto de 2008 pela UI Energy Corporation (UIEC) “como assessor de um consórcio de investidores” dirigidos pela empresa sul coreana, a troco de uma quantia não revelada. A UIEC detém participações em vários contratos de exploração de petróleo concedidos pelo governo curdo sem autorização das autoridades iraquianas.

A cláusula do segredo, alegou Blair, foi uma solicitação da empresa. No entanto, na sua página na Internet, a UIEC assume ter contratado os serviços de políticos de reputação internacional, como o ex-primeiro-ministro australiano Bob Hawke, o ex-responsável pelo Pentágono Frank Carlucci e o general norte-americano John Abizaid, que comandou as tropas dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Um milhão de libras

Blair está também, desde Dezembro de 2007, a soldo da Família Real do Kuwait, cujos negócios são quase indistintos dos do país.
Foi encarregue de elaborar um relatório sobre o futuro da indústria petrolífera nos próximos 30 anos. Não se conhecem as características desse relatório nem tão pouco que contributo poderá dar Blair que não esteja ao alcance dos especialistas que há décadas analisam o negócio do petróleo. Apenas se sabe que o ex-primeiro-ministro irá receber um milhão de libras (cerca milhão e meio de euros) pela missão.

Não se trata dos primeiros contratos de Blair relacionados com o petróleo no Próximo Oriente. Mubadala, um fundo de investimentos dos Emiratos Árabes, paga-lhe um milhão de libras por ano pela sua actividade de assessor. A empresa está em negociações para explorar o campo petrolífero Zubair, no sul do Iraque, que tem reservas estimadas em 4 mil milhões de barris.

Consultor de luxo

Depois de uma vida dedicada à política, Blair dedicou-se a ganhar dinheiro e em muito pouco tempo obteve um património estimado entre 16 e 22 milhões de euros. Cobra uma média de 110 mil euros por conferência e recebeu quase cinco milhões de euros como adiantamento pelas suas memórias, a publicar em Setembro.

Aos cargos de consultor permanente da JP Morgan Chase e da Zurich Financial, acrescentou, há umas semanas, outro na empresa de produtos de luxo Louis Vuitton Moet Hennessy.

Outros contratos menos remunerados ensombram a sua reputação, já por demais manchada no Reino Unido. Em Janeiro, soube-se que cobrará 220 mil euros por dar quatro conferências aos dirigentes da Lansdowne Partners, um fundo de capital de risco que ganhou centenas de milhões de euros na especulação com acções dos bancos britânicos em 2008.

A paixão de Blair e da sua mulher Cherie por dinheiro é conhecida. O ex-primeiro-ministro não se inibiu de contar em algumas entrevistas que perdera muito dinheiro por dedicar-se à política. “É incrível como muitos dos meus amigos do liceu e da universidade se tornaram tão ricos”, referiu uma vez a um jornalista.
As perdas estão, como se vê, em franca recuperação.

“Negócios” também na Palestina

Em Junho de 2007, no mesmo dia em que deixava de ser primeiro-ministro e membro do Parlamento britânico, Tony Blair aceitou o cargo de enviado especial do Quarteto para o Próximo Oriente (EUA, Rússia, ONU e UE), como mediador entre palestinos e israelitas e para “reactivar a economia palestina”.

Fixou residência num palacete com vista para a esplanada das mesquitas, mas por razões de segurança mudou para o American Colony, o hotel mais caro de Jerusalém. Os restantes hóspedes são submetidos a controlos rigorosos e quando Blair usa o ginásio ninguém mais o pode fazer.

Ao assumir o cargo, Blair disse que passaria seis meses por ano em Jerusalém. Mas sabe-se, pelos seus colaboradores, que vai lá muito menos que uma semana por mês. Mesmo assim, Blair dá Jerusalém como sua residência fixa.

No ano passado a equipa de Blair contou com um orçamento de mais de 600 mil libras (cerca de 666 mil euros) suportado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros britânico. Blair nunca reuniu com alguém do ministério para informar sobre o seu trabalho.

Resultados da missão? Nos mais de dois anos e meio como enviado especial, Blair diz ter conseguido levantar um controlo militar israelita na Cisjordânia de entre os mais de 200 que ali estão instalados. Outro dos seus “êxitos” foi a realização de duas conferências na Cisjordânia para atrair o investimento estrangeiro.






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