Greve geral une trabalhadores turcos

Em solidariedade com 12 mil trabalhadores ameaçados de despedimento

Urbano de Campos - Quarta-feira, 24 Fevereiro, 2010

tekel.jpgCerca de dois milhões de operários e outros trabalhadores turcos levaram a cabo, em 4 de Fevereiro, uma greve geral de um dia em apoio à luta dos trabalhadores da Tekel, a empresa pública que detém o negócio de tabacos e álcool. As doze fábricas que integram a Tekel foram vendidas pelo governo turco à multinacional norte-americana British American Tobacco e os seus 12 mil trabalhadores estão ameaçados de cortes salariais, despedimentos, de passarem à condição de precários e de ficarem impedidos de se organizarem.

Desde Dezembro, os trabalhadores da Tekel iniciaram um protesto percorrendo o país em busca de apoio e pedindo contas ao governo. Em 17 de Janeiro reuniram na capital,
Ancara, uma manifestação de 10 mil pessoas que foi recebida com cargas policiais, mas vários outros trabalhadores começaram a manifestar-lhes o seu apoio. Ferroviários, bombeiros e outros realizaram então greves de solidariedade.

Esta crescente solidariedade pressionou as diversas direcções sindicais no sentido de organizarem o apoio no plano nacional. Seis centrais sindicais ameaçaram então o governo com greves de solidariedade em todos os sectores industriais.

Diante das fracas concessões do governo foi então marcada um dia de greve geral.
A participação, apesar das fortes pressões patronais, foi muito elevada em particular nos sectores petrolífero, do vidro e dos couros. Também participaram os trabalhadores da saúde e dos serviços públicos, dos transportes (que paralisaram várias cidades), operários da indústria química, têxtil, da alimentação e bebidas e da metalurgia, e ainda estudantes, professores e diversas associações profissionais, que expressaram solidariedade e se manifestaram nas ruas. Mineiros de cinco diferentes zonas mineiras do país pararam o trabalho, manifestaram-se em frente dos escritórios das respectivas administrações e desceram igualmente à rua. Cerca de 200 membros do Sindicato dos
Trabalhadores Reformados, não tendo possibilidade de parar, aderiram ao protesto fazendo greve de fome durante o dia de greve geral.

Ataques policiais aos grevistas e manifestantes verificaram-se em diversos pontos do país. Em vários casos os trabalhadores responderam, tendo havido confrontos.

O apoio aos trabalhadores da Tekel expressou-se também em manifestações de massas por todo o país que paralisaram várias cidades e que tiveram especial relevo em Istambul, Ancara, Esmirna e Adana.

Em Istambul mais de 20 mil pessoas responderam ao apelo de várias organizações, especialmente o sindicato dos metalúrgicos e o dos funcionários públicos. Na concentração, um dirigente sindical, dirigindo-se ao primeiro-ministro disse: “Tu e
aqueles que tu representas não sois donos deste país. Os donos deste país são os trabalhadores da Tekel, da indústria farmacêutica, os pequenos comerciantes, os trabalhadores subcontratados, os médicos, o corpo de bombeiros, os professores em
lista de espera, os desempregados e os reformados”.

Em Ancara a paralisação foi também maciça. Sindicatos, confederações, partidos e associações diversas juntaram-se aos trabalhadores da Tekel. Um porta-voz da confederação dos sindicatos de funcionários afirmou: “O mundo do trabalho uniu-se
em apoio a esta resistência legítima que cresce dia a dia como bola de neve”. E, referindo-se ao governo, acrescentou: “A Turquia e o mundo inteiro ouviram
as vozes dos trabalhadores, mas aqueles que se põem em sentido diante do FMI ainda não as ouviram”.

O protesto dos trabalhadores da Tekel ganhou amplo apoio entre a maioria dos trabalhadores turcos que sentiram no ataque à empresa estatal o prenúncio de outras medidas que os atingirá a todos. A determinação com que os trabalhadores da Tekel se mobilizaram, percorreram o país, enfrentaram o poder, pressionaram os sindicatos, foi decisiva para que a greve geral se realizasse. A amplitude que o movimento ganhou deu-lhe também um claro sentido político dirigido contra as medidas antilaborais do governo e contra as pressões do imperialismo veiculadas pelo FMI.






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