A luta dos enfermeiros pode radicalizar-se

Governo ensaiou uma primeira tentativa de redução de salários

Pedro Goulart - Terça-feira, 2 Fevereiro, 2010

enfermeirosgreve2010_web.JPGOs enfermeiros portugueses desencadearam uma enérgica greve nos dias 27, 28 e 29 de Janeiro, cuja adesão envolveu cerca de 90% dos seus membros. No dia 29, levaram a cabo uma grande manifestação (na opinião dos Sindicatos, a maior destes profissionais de saúde desde 1976), que percorreu diversas ruas de Lisboa, indo do Ministério da Saúde até ao Ministério das Finanças e envolvendo cerca de 15 mil trabalhadores. Uma vitória da unidade e da disposição de luta dos enfermeiros portugueses, em defesa das suas reivindicações, particularmente do seu direito a salários dignos e a melhores condições de trabalho. Como consequência, milhares de consultas desmarcadas e de cirurgias por realizar em todo o país.

Em causa estava a proposta salarial do Governo, considerada humilhante e desrespeitadora, nomeadamente no que diz respeito ao início de carreira destes profissionais. A primeira proposta apresentada pelo Ministério da Saúde traduzia-se numa descida do actual salário (1020 euros) para 995 euros.

Não pode deixar-se de pensar que este foi um primeiro ensaio tentado pelo governo não só para congelar, mas para baixar, em valor absoluto, os salários dos trabalhadores da Função Pública. Também por isto, a determinação dos enfermeiros em manter a sua posição representa uma ajuda importante à luta de todos os funcionários – e que deles deve, portanto, merecer pleno apoio.

Apesar de ter recuado nesta sua proposta inicial, o governo manteve condições inaceitáveis na resposta à reivindicação sindical de 1500 euros mensais. A actual proposta do Ministério aponta a mesma remuneração de 1020 euros até 2014/2015, com os enfermeiros a ganhar 1200 euros apenas a partir dessa data.

A prosseguir a teimosia do governo em não negociar seriamente com os enfermeiros, e dada a actual disparidade de salários em relação aos outros trabalhadores da Administração Pública, é previsível (e justa) uma radicalização da luta, podendo, por exemplo, os profissionais dos blocos operatórios parar durante “algumas semanas”, com o apoio solidário (inclusive monetário) dos restantes colegas.






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