Dubai: o capitalismo em sobressalto

Pedro Goulart - Terça-feira, 1 Dezembro, 2009

dubaitowers.jpgBastou que o grupo Dubai World, sob controlo do governo do Dubai, pusesse em causa a amortização atempada das suas emissões obrigacionistas (no valor de 40 mil milhões de euros), para que as praças financeiras mundiais entrassem em depressão. Os estragos causados pela recente “crise financeira” mundial estão ainda bem presentes e os investidores permanecem nervosos.

O Emirado do Dubai é um dos sete que constituem os Emirados Árabes Unidos, cuja federação mantém relações fortes com os países capitalistas ocidentais, particularmente com o Reino Unido e os EUA. As principais receitas deste Emirado têm provindo do imobiliário, do turismo, dos serviços financeiros e do comércio. Projectos imobiliários e financeiros megalómanos desenvolveram-se ali na última década, tendo gerado uma colossal dívida ao estrangeiro. Aqui, como noutros locais do planeta, de destacar o papel desempenhado pelo governo como gestor de negócios de uma burguesia transnacional.

Com a “crise” mundial, que se traduziu em grande fuga de investidores e turistas ricos do emirado, assim como numa forte queda dos preços do imobiliário, abriram-se as portas para que surgisse a actual situação, que se afigura como de bancarrota. Por exemplo, no domínio do imobiliário, o valor das casas, que havia quadruplicado entre 2002 e 2007, reduziu-se para metade, apenas nos primeiros oito meses de 2009.

Mas as várias “crises”, como esta do Dubai, vividas nos últimos anos na Argentina, na Islândia, nos EUA e a nível mundial, a que outras se seguirão, mais não representam que manifestações diversas de uma mesma crise, a crise crónica que hoje atinge o capitalismo.






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