As “escutas” na Presidência

Uma operação fracassada

Carlos Completo - Sábado, 26 Setembro, 2009

cavacoefernandolima_72crop.jpgNão é que essa gente do aparelho e do governo PS não seja capaz de mandar fazer escutas a qualquer um. Conhecemos bem como agem. Mas, no caso das pretensas escutas do governo de Sócrates ao Presidente da República, as coisas parecem configurar uma inábil manobra desencadeada a partir de Belém para dar uma ajudinha a um PSD em dificuldades. Como, na prática, pouco divergem PS e PSD, as batalhas eleitorais não podem fazer uma demarcação entre estes dois partidos do bloco central e, logo, não se revelam fáceis. E, como os interesses e os tachos em jogo falam alto, vale tudo neste combate.

A operação “escutas”de Belém, que interessava ao PSD, partido que estava já a cavalgá-la fortemente, ao fracassar, fez emudecer alguns militantes e estrebuchar publicamente outros, como aconteceu com José Pacheco Pereira e Luís Filipe Meneses. Foi mais um golpe de última hora nas pretensões do PSD.

Por outro lado, quem conheça razoavelmente o contexto e os intervenientes de Belém pode duvidar seriamente que Fernando Lima (um colaborador de Cavaco Silva há mais de 20 anos) tenha agido autonomamente, sem consultar o Presidente. E, claro, o “Público” de Belmiro de Azevedo e de José Manuel Fernandes agarraram com ambas as mãos (apesar de não disporem de um mínimo de provas) uma oportunidade que lhes parecia boa de atacarem o governo.

O despedimento do fiel Fernando Lima, sem uma palavra pública, é bem característico dos valores dominantes na sociedade capitalista em que vivemos. O erro do assessor de imprensa de Cavaco, provavelmente, foi o de não ter sido bem sucedido, isto é, ter sido apanhado na tarefa que lhe encomendaram.

Com este despedimento (ou mero afastamento das relações com os média) de Fernando Lima antes das eleições legislativas, Cavaco Silva pretende evitar o pior, esvaziando parte do problema, que depois, com os resultados eleitorais e a constituição de um futuro governo, se irá esbatendo. Se Cavaco tivesse razão, então seria mais grave. Como conviveu o PR mais de um ano com tal problema, sem nada fazer? O que pode esperar qualquer cidadão de governantes destes?






Um Comentário a “Uma operação fracassada”

  1. socas disse:

    Um presidente digno duma república de opereta e exportador de bananas…O individuo não tem qq escrúpulos com o cargo que ocupa, penso que devia ser demitido. Last but not the least, ainda veio dar com a boca no trombone acerca do convite do ex(?) nazi Bento XIV,para amaciar as almas pias a irem votar no bando do sr. presidente. Até o Episcopado deitou mãos à cabeça. O homem para as bombas no Poço de Boliqueime. Safa, isto é mesmo um sítio mal frequentado.

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