Arquivo de Janeiro 2015

Terror artesanal vs terror industrial

Manuel Raposo

police-partout-justice-nulle-partA onda de condenação do “terror islâmico” lançada pelos governos da UE e dos EUA atinge proporções de histeria. E a coberto disso são tomadas medidas de reforço da vigilância policial com evidentes efeitos imediatos sobre a liberdade de movimento dos cidadãos.
Em França, na sequência dos ataques em Paris, o governo decidiu contratar mais 2680 agentes para os serviços secretos, de segurança e de justiça e gastar com isso mais de 730 milhões de euros nos próximos três anos. Também a redução dos efectivos militares sofre uma travagem. Anuncia-se que mais de 3 mil pessoas “suspeitas” de jihadismo serão alvo de vigilância. Recentemente, uma criança árabe de 8 anos foi interrogada numa esquadra de polícia em Nice acusada de “apologia do terrorismo” depois de ter dito na escola que estava do lado dos homens que atacaram a redacção do Charlie Hebdo.
Por cá, também o Sindicato Nacional da Polícia, seguindo o conselho dos colegas espanhóis, recomenda aos agentes que andem sempre armados, mesmo nas horas de folga e em férias — tudo, uma vez mais, à conta das “ameaças terroristas”. Ler o resto do artigo »



Greve dos professores à prova de avaliação

Vários sindicatos convocaram uma greve de professores e educadores a todo o serviço que seja atribuído entre 1 e 28 de Fevereiro, relacionado com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC). Trata-se de um protesto contra uma prova obrigatória para quem, mesmo com habilitações académicas para dar aulas, não tem vínculo efectivo, possui menos de cinco anos de serviço e quer candidatar-se a um lugar na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário. Ler o resto do artigo »



Ainda Charlie Hebdo

A causa das coisas num mundo à beira do caos

José Borralho

SomaliaJesuisMuslimTeria sido por acaso que os maiores carniceiros do mundo, os instigadores da violência, causadores de centenas de milhares de mortos e de muitos milhões de refugiados que deambulam pelo Médio Oriente como vítimas de uma tragédia de dimensões universais (iraquianos, líbios, sírios, palestinianos, malianos, etíopes e outros) — teria sido por acaso, pergunto, que os fautores da guerra tivessem encabeçado a manifestação de Paris em “defesa da liberdade de expressão” e de condenação ao acto terrorista que vitimou doze pessoas? Claro que não foi por acaso! Ler o resto do artigo »



Editorial

Novos donos

A afirmação de Passos Coelho de que “os donos do país” estão a desaparecer, significando ele com isso os grandes grupos nacionais apoiados pelo Estado, tem de se entender como uma confissão. Passos Coelho assume, com efeito, o seu papel de agente do capital internacional para o efeito de “libertar” o capital português das suas âncoras nacionais e o levar a fundir-se por inteiro nos grandes grupos espanhóis, europeus ou mundiais. Retirar-lhe o apoio estatal é uma peça dessa manobra, como manda a UE.

É a isso que o primeiro-ministro chama “uma economia mais aberta”. E foi por desempenhar plenamente esse papel, escudado nos interesses maiores do capital europeu, que Passos Coelho, por exemplo, rejeitou os apelos de financiamento estatal por parte do grupo GES-BES — não por bravura política própria ou por pena dos contribuintes. Ler o resto do artigo »



Lutas dos moradores, lançamento de livro

No dia 30 de Janeiro, pelas 18h30m, no Bar A Barraca, Jardim de Santos, é apresentado o livro Sem Mestres, nem Chefes, o Povo Tomou a Rua. Trata-se de um livro sobre as lutas dos moradores no pós-25 de Abril de 1974, da autoria de José Hipólito dos Santos, militante político-social de pendor libertário e bom conhecedor deste tipo de problemas. Edição da Letra Livre.



Ver as origens políticas dos atentados de Paris

Manuel Raposo

jesuismusulman_pakistan“Loucos”, “fanáticos”, etc. são os nomes mais comuns dados aos autores dos atentados de Paris pelos governos europeus, seguidos por grande parte da opinião pública. A “irracionalidade” seria portanto a marca da acção destes “extremistas” que não teriam outro objectivo senão destruir a “civilização ocidental”, pelo ódio que os mobilizaria contra a liberdade e a democracia.
Na verdade, este é o caminho mais curto para evitar a pergunta crucial: quais são as motivações políticas dos atentados?
É esta a questão a que os poderes da Europa querem fugir, porque admitir que haja motivações políticas na origem dos atentados será abrir a porta para julgar o comportamento da União Europeia (bem como dos EUA) em relação ao mundo árabe e muçulmano. Ler o resto do artigo »



País Basco: sindicatos de classe contra a repressão

Vários sindicatos de Espanha divulgaram, em 13 de Janeiro, um abaixo assinado repudiando a detenção de 16 pessoas, entre as quais se encontram vários advogados, assim como a busca a sedes como a do sindicato LAB (*), que se verificaram no País Basco. Afirmam os subscritores: “todas estas actuações pretendem criar um clima de medo e de insegurança e criminalizar pessoas e organizações bascas, como o sindicato LAB, num momento de grande mobilização do povo basco”. E, acrescentam, “não foi por acaso que a operação tenha tido lugar um dia depois da manifestação massiva que se realizou para exigir o respeito pelos direitos humanos dos presos e presas e para a resolução do conflito pela via democrática e do diálogo”. Ler o resto do artigo »



No caso BES, o que é “toda a verdade”?

Manuel Raposo

RicSalgadoO propósito anunciado da comissão de inquérito ao caso BES foi o de apurar “toda a verdade”. O slogan foi repetido inclusive pela esquerda parlamentar, que assim parece acreditar que das audições à família Espírito Santo e quejandos possam sair revelações decisivas para perceber o que se passou. Que verdade “toda” é essa?
Serão as trafulhices de Ricardo Salgado e família? As ligações íntimas com o poder e os centros de decisão financeiros? A facilidade em usar dinheiro público? A cobertura dada ao “bom nome” do BES pelo presidente da República, pela ministra das Finanças e pelo primeiro-ministro quando estava em marcha o golpe final que afundaria o grupo? A tolerância das entidades “fiscalizadoras” para com as manobras dos Espírito Santo? As ligações pessoais que lhes permitiram desfalcar a PT? O golpe que levou à falência o BES Angola? Os subornos e os ganhos por baixo da mesa?
A menos que se apure quem são os cúmplices de mãos untadas que permanecem na sombra, tudo o mais já é sabido e não será mais do que confirmado. Ler o resto do artigo »



Missão de “vigilância”

Agora através de uma missão de “vigilância”, a União Europeia fiscaliza e faz recomendações ao governo sobre a política a seguir. Em Dezembro, esse herdeiro da troika atacou o que chamou a perda de ritmo do governo no que respeita a “reformas estruturais”. E passou de imediato a dizer o que será preciso fazer e não fazer, de acordo com os interesses maiores dos capitais europeus, obviamente.
Primeiro, o salário mínimo não devia ter sido aumentado. Segundo, o fim da contratação colectiva não deve ser travado nem protelado. Terceiro, é preciso liberalizar o mercado do arrendamento urbano e cobrar mais impostos sobre as rendas de casa. Ou seja, despejos mais fáceis e rendas mais altas. Ler o resto do artigo »



Bem na alma do regime

Urbano de Campos

Corrupção1Quando foi questionado sobre a prisão de José Sócrates, Cavaco Silva sublinhou, com a sua costumeira solenidade, que as instituições estavam “a funcionar com toda a normalidade”. A carga política desta declaração é evidente, sobretudo se lembrarmos o facto de Cavaco Silva não ter afirmado o mesmo a propósito do caso BPN, da compra dos submarinos, do caso Monte Branco, do conluio entre os serviços secretos e a maçonaria, do caso BES, do caso SEF, do caso Tecnoforma e por aí adiante.
Em torno destes casos, trava-se evidentemente, mesmo de forma surda, uma luta entre as classes dominantes de que a vingança política, a chantagem e a procura de vantagens são armas e desiderato. Uns casos escondem outros, ou colocam-nos na sombra. Basta ver como, em poucos meses, a fraude no BES apagou o caso do sucateiro Manuel Godinho, o escândalo do SEF tirou da primeira linha o BES e a prisão de Sócrates anulou o SEF. Ou como antes as patifarias de Duarte Lima apagaram o escândalo do BPN. Etc. Ler o resto do artigo »



Soflusa em greve nos dias 13, 14 e 15

Os trabalhadores da Soflusa vão fazer uma greve parcial nos dias 13, 14 e 15 de Janeiro, em protesto contra as alterações dos horários dos funcionários que atracam e desatracam os barcos da ligação Lisboa-Barreiro. Frederico Pereira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) disse à Lusa que o plenário dos trabalhadores se limitou agora a confirmar aquilo que já tinha decidido no dia 26. Quanto aos horários, vão confirmar a legalidade e, pensa-se, que alguns terão aspectos ilegais, dos quais será feita queixa à Autoridade das Condições de Trabalho.



Chantagem alemã visando as eleições na Grécia

Com as eleições legislativas antecipadas na Grécia, previstas para 25 de Janeiro, crescem as pressões da Comissão Europeia, particularmente da Alemanha, sobre o povo grego, para que este vote nos mesmos de sempre. Primeiro, foi o ministro da Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, a afirmar que o vencedor das eleições gregas teria de continuar com a política do governo  anterior, referindo que “as difíceis reformas produziram frutos e não têm alternativa” e que “novas eleições não mudam os acordos com o governo grego”. Agora, a revista Der Spiegel, citando fontes anónimas do governo alemão, Merkel e Schäuble, considera quase inevitável Ler o resto do artigo »



Um mar de mortos

Em três dias, no final do ano, foram encontrados à deriva no Mediterrâneo dois barcos carregados de emigrantes, mais de 1300, vindos sobretudo da Síria e de África e tentando alcançar costa europeia. A tripulação tinha abandonado os navios. Os “passadores”, nestes casos, compraram navios em fim de vida, baratos, e deixaram- -nos antes de chegarem à vista de terra, com a carga humana. A polícia italiana calcula que a receita dos traficantes tenha atingido os 8 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Tão ou mais nojentos que a troika

Ir para além da troika foi uma das palavras de ordem do governo de Passos Coelho. No que respeita à Função Pública, a diminuição dos funcionários ultrapassará, nesta legislatura, o dobro da redução imposta por aquele trio imperialista. Entre os fins de 2011 e os fins de 2014, os funcionários do Estado, das autarquias, das regiões e das empresas públicas foram reduzidos em cerca de 80 mil trabalhadores. Para além das aposentadorias normais, surgiram as chamadas rescisões por mútuo acordo, onde predominou o terror infundido pelo actual executivo do capital. A passagem forçada à mobilidade é um dos elementos determinantes deste terror infundido que vai levando ao enorme “emagrecimento” da Função Pública.



Por “falta de provas”

O arquivamento do caso dos submarinos

Manuel Raposo

portasBarrosoAo fim de oito anos de “investigação”, o inquérito à compra de submarinos pelo governo português, conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, foi arquivado por falta de provas. De qualquer maneira, para a Justiça os crimes já teriam prescrito em Junho de 2014.
Culmina assim o assunto à volta dos submarinos, depois de, em Fevereiro deste ano, terem sido absolvidos os 10 arguidos (três administradores alemães da Man Ferrostaal e sete empresários portugueses) acusados de burlarem o Estado português em 34 milhões de euros por contrapartidas económicas que não foram prestadas pela empresa alemã vendedora dos submarinos. Tudo em paz, tudo gente séria, portanto. Ler o resto do artigo »