Tópico: Trabalho

Donde menos se esperava

13 Agosto 2019

Não admira que os patrões, não apenas os dos transportes, tenham tomado como alvo o porta-voz dos camionistas, o advogado Pardal Henriques. À boca pequena e na forma de intriga, tanto lhe são apontadas “ambições políticas” escondidas, como supostos comportamentos “pouco recomendáveis” — como disseram esse outro advogado que representa a Antram (que terá também as suas ambições políticas) e o presidente da Confederação do Comércio (ele mesmo politicamente pouco recomendável).
O que admira é ver Francisco Louçã (SIC, 9 Agosto), e com ele o BE; e também o PCP, seja através do Avante, pela pena de Manuel Gouveia (8 Agosto), ou em notas de imprensa (8 e 12 Agosto), fazerem o mesmo.


Um espelho da política que por aí vai

Urbano de Campos —

Todas as forças do poder se conjugam contra os motoristas em greve: a fúria dos patrões de todos os sectores, exigindo sempre mais do seu Governo, inclusive a requisição civil “preventiva”; as palmas da direita, louvando a “justeza” das medidas de António Costa, reconhecendo que ela própria não faria melhor; o servilismo da comunicação social, numa campanha sem vergonha para denegrir os trabalhadores e dar boa imagem da Antram; a sanha dos comentadores “especializados”, em campanha pela revisão da lei da greve; enfim, os ataques pessoais ao porta-voz dos camionistas, na tentativa de anular através da intriga a justeza da luta.


Movimento sindical debaixo de fogo

Urbano de Campos — 3 Agosto 2019

A postura arbitral que o Governo assumiu, em Abril, para mediar o conflito entre os camionistas de matérias perigosas e a associação patronal, caiu de forma flagrante. Em tudo, para efeitos práticos, o Governo colocou-se agora do lado da ANTRAM e contra os sindicatos (SNMMP e SIMM) que lançaram o pré-aviso de greve para 12 de Agosto.

Pode discutir-se a oportunidade ou o tacto dos sindicatos ao anunciarem esta nova greve, mas não se pode com isso esconder o facto de o Governo se ter bandeado para o lado dos patrões dos transportes, escudado no pretexto de defender o interesse “do país”.


Um encadeado de oportunismos de soma zero

Urbano de Campos — 10 Maio 2019

A luta partidária travada em torno das reivindicações do professores é um exemplo vivo de oportunismo político e de cretinismo parlamentar como há muito não se via. É por isso uma lição sobre a política nacional e sobre o alcance da “democracia representativa” que a burguesia vende como o supra-sumo da nossa organização social. Uma lição, sobretudo, para os trabalhadores acerca de como os seus interesses são usados na arena partidária e o que significa delegar no jogo de forças parlamentares a defesa das suas exigências de classe.


Notas sobre a greve dos motoristas

Urbano de Campos — 25 Abril 2019

A greve dos motoristas de Matérias Perigosas, conduzida por um sindicato de recente criação (o SNMMP) teve, antes de tudo o mais, o mérito de trazer para a praça pública a discussão sobre muita coisa que se perde no vulgar noticiário, quase sempre desvalorizado e distorcido, acerca das lutas dos trabalhadores. São esses assuntos que as seguintes notas procuram destacar.


Marcelo abre caminho

27 Fevereiro 2019

Os pareceres da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Administrativo a favor da requisição civil dos enfermeiros, decidida pelo Governo, deu pretexto ao presidente da República para lançar um aviso aos trabalhadores, especialmente da função pública, sobre as greves. Disse ele que, de futuro, os sindicatos terão de ter uma “preocupação acrescida” quando decidirem fazer greve, brandindo a arma da requisição civil. De facto, os pareceres da PGR e do STA, não tendo analisado os fundamentos da requisição (se houve ou não cumprimento dos serviços mínimos pelos grevistas) deram ao Governo uma espécie de carta branca, que Marcelo pelos vistos quer transformar em regra. Com o ar de paladino


Sobre as greves dos últimos meses

Manuel Raposo — 25 Fevereiro 2019

A agitação que desde há meses tem levado à greve as classes médias assalariadas — enfermeiros, professores, médicos, polícias, guardas prisionais, juízes, outros funcionários públicos — todas elas de algum modo dependentes do Estado, contrasta com a quietude quase geral da massa operária e proletária.


A chave do “crescimento”

Manuel Raposo — 3 Março 2018

Vigília de trabalhadores da Gramax (ex-Triumph)Os aleluias que o PS e apoiantes cantam ao crescimento da economia (2,7% em 2017 e 2,2% previstos para este ano) e à “convergência com a Europa” que esses números parecem apontar não conseguem esconder as enormes fraquezas, de condições de vida e de trabalho, em que permanece a população assalariada. Na verdade, o “êxito” assenta sobretudo no tremendo rebaixamento social que as classes trabalhadoras sofreram, não apenas nos anos da troika-PSD-CDS, mas nas últimas décadas — rebaixamento que persiste no essencial.


Liquidação e despedimentos no Grupo Ricon

Pedro Goulart — 19 Fevereiro 2018

RinconA Ricon, um dos maiores grupos têxteis do País, também vai para liquidação. Mais uma empresa insolvente. Mais uma empresa em que as trabalhadoras fizeram vigilância contra a saída de valores da empresa. São cerca de 600 pessoas mandadas para o desemprego. Em 31 de Janeiro, o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Famalicão decretou o encerramento e liquidação da Rincon Industrial SA.


Saúda-se o regresso da luta de classes

Manuel Raposo — 13 Fevereiro 2018

AEgrevePaz social, pôr água na fervura, não ampliar o conflito — todos estes apelos têm servido para tentar acabar com a resistência dos trabalhadores da AutoEuropa à prepotência da administração da empresa. Somaram-se os agoiros de que a Volkswagen se iria embora e deixaria toda a gente no desemprego. Lançou-se o alarme de que o PIB do país viria por aí abaixo. Lamentou-se a falta de um dirigente “com carisma” como António Chora, que conseguiu a proeza de manter sossegados, durante 20 anos, milhares de trabalhadores, à custa de acordos com os patrões da VW sempre acertados à mesa.