Tópico: Política

A pandemia como metáfora do capitalismo

António Louçã — 17 Julho 2020

“Depois de nós, o dilúvio”

Tal reagente químico, o novo coronavírus fez sobressair com particular nitidez algumas das características fundamentais do capitalismo. A ganância e a irresponsabilidade são duas delas. A ganância, já se sabe, é  velha como este modo de produção. A voracidade dos capitalistas vai por vezes ao ponto de fazê-los esquecerem a sua própria sobrevivência física.


A pressão dos negócios

Manuel Raposo — 16 Julho 2020

Retomar os negócios a todo o custo

O modo como o chamado “desconfinamento” tem dado origem a um crescimento significativo da pandemia, primeiro na região de Lisboa, mas agora também no resto do país, mostra bem como os poderes públicos cederam à pressão dos negócios. O relativo êxito no controlo do surto em Março e Abril deveu-se, quase em exclusivo, a uma medida: isolar as pessoas, parando tudo o que era possível parar. O regresso à actividade, mesmo gradual e condicionado, é um regresso às condições de trabalho de sempre, agora acrescentadas com o perigo de contaminação, quando não de morte. É esta a realidade que atinge hoje o mundo do trabalho.


Pandemia e futuro

José Borralho — 3 Julho 2020

Por uma alternativa que impeça a catástrofe

Cresciam os sinais de crise do capitalismo, nomeadamente numa desaceleração do crescimento da economia e nas tendências para o rebentar de uma nova bolha financeira, quando, inesperadamente, a isto se veio juntar a crise pandémica.

Eram de há tempo visíveis as tensões entre a UE e os EUA e entre estes e a China, quer pelas ameaças nacionalistas de Trump de aplicar mais impostos às mercadorias desses países, quer pela perda de influência dos EUA no plano militar, quer também pelo poderoso aumento de influência económica da China no mundo.


Contra a anexação da Palestina

Manuel Raposo — 1 Julho 2020

Manifestação em Gaza

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em várias cidades da Palestina, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, contra o plano de anexação, por parte de Israel, de um terço dos territórios da Cisjordânia. Este plano, a aplicar a partir de 1 de Julho, tem o apoio declarado do presidente dos EUA e contraria todas as disposições das Nações Unidas acerca do chamado conflito israelo-palestino, nome de conveniência dado à guerra movida pelos sionistas israelitas contra os palestinos desde há mais de 70 anos.


Não, o vírus não é democrático

Urbano de Campos — 30 Junho 2020

Trabalhadores da plataforma logística da Azambuja

O aumento significativo de contaminações por covid-19, sobretudo na região de Lisboa, não parece ter muitos segredos: ele está a dar-se nas zonas de concentração de trabalhadores. Muitos deles nunca deixaram de trabalhar, nem mesmo durante o estado de emergência. Construção civil, áreas logísticas dos grandes abastecimentos, fábricas, transportes públicos são os focos e os veículos de transmissão. E as vítimas são, sublinhe-se, trabalhadores, muitos deles de sectores vitais, a quem o teletrabalho não contempla.


Nós, iconoclastas

António Louçã — 19 Junho 2020

Com uma pomposa indignação mais própria do conselheiro Acácio, clamaram vários políticos da nossa praça contra a vandalização de uma estátua do Padre António Vieira. O clamor pretendia desviar as atenções do racismo, o verdadeiro problema que mobiliza centenas de milhares de manifestantes em todo o mundo.

No coro acaciano fez-se ouvir o habitual argumento de Portugal não ser “um país racista”. Mas em que país não se ouve o mesmo argumento, aplicado ao caso respectivo? A burguesia portuguesa criou um império colonial e esse império combinou sempre instrumentos diversos de dominação: por um lado, as contrapartidas económicas e a corrupção de elites locais, por outro o proselitismo religioso e, enfim, o instrumento decisivo da coação militar.


EUA: tropas contra manifestantes?

John Catalinotto (*) — 8 Junho 2020

Há quatro dias, a Casa Branca chamou as Forças Armadas a intervirem nas cidades dos EUA para “dominar” as ruas. Nos três dias seguintes, dois ex-chefes do Estado-Maior Conjunto manifestaram-se contra esse destacamento. O mesmo aconteceu com o antigo e o actual secretários da Defesa de Trump, este último sabendo que arriscava a demissão. Reagindo à ameaça de Trump, pelo menos três organizações de veteranos antiguerra pediram aos militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional que se recusem a intervir contra os manifestantes que se opõem ao racismo.


EUA: Não é motim, é rebelião!

Manuel Raposo — 5 Junho 2020

Este título é tirado de um artigo publicado pelo semanário comunista norte-americano Workers World que relata com detalhe os protestos desencadeados nos EUA, de costa a costa, em resposta ao assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis. Onze dias passados, as manifestações continuam por todo o país, apesar das ameaças brutais de Trump e da violência policial. Mais de dez mil pessoas foram detidas. Vários protestos de solidariedade ocorreram, entretanto, em diversas partes do mundo. Razões sérias levam tanta gente a vir para a rua, enfrentado polícia e pandemia.


Nova crise, nova troika

Manuel Raposo — 2 Junho 2020

Juntemos factos.
Perante as medidas de excepção tomadas em Março, Rui Rio declarou completa concordância com o Governo e anunciou a necessidade de um “governo de salvação nacional”. Foi moderado a ponto de negar a ambição do PSD de integrar um tal governo, mas suficientemente explícito para significar que as tarefas futuras da governação não prescindem do concurso do seu partido.


O banqueiro autocrata

António Louçã — 23 Maio 2020

Mesmo neste maio de 2020 a transbordar de fraseologia, se tivéssemos de escolher a frase do mês, sem dúvida ganharia a palma a de Mário Centeno sobre o Novo Banco: “Não permitirei que uma instituição bancária com as portas abertas possa ser prejudicada por um debate parlamentar”. Centeno tem bom remédio: acabe com o parlamento. Será nisso que está a pensar?


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