Tópico: País

Roubar um banco e fundar um banco

Urbano de Campos — 11 Agosto 2020

Quando o negócio prosperava

A longa questão do Banco Espírito Santo, que se arrasta vai para seis anos e se prolonga pelo seu sucedâneo Novo Banco, veio dar nova actualidade à afirmação de que roubar um banco não é nada comparado com fundar um banco (1). Aquilo que parecia ser uma falência entre outras (mesmo considerando o peso decisivo do BES na teia financeira portuguesa), acabou por ser uma verdadeira radiografia do mundo do capital — dos altos negócios, das grandes famílias do dinheiro, das ligações espúrias que mantém cá e lá fora, da corrupção que alimenta, dos governantes que compra, da rédea curta com que dirige o Estado.


A hora dos reformadores sociais

Editor — 9 Agosto 2020

Chovem as promessas de que “isto” tem de mudar, por se ter tornado (evidentemente) insustentável. “Isto” é o aumento das desigualdades, o desperdício, a destruição ambiental. Disse-o recentemente, falando para o mundo, o secretário-geral da ONU António Guterres. Disse-o também, em escala caseira, o professor António Costa Silva, encarregado pelo Governo de traçar um plano de recuperação económica.


Caldo de cultura

Editor — 23 Julho 2020

Não se pode dizer que a pandemia apanhou tudo e todos de surpresa. Não se pode dizer que qualquer regime social, qualquer economia, qualquer forma de Estado seriam abalados como o mundo o está a ser.


A pandemia como metáfora do capitalismo

António Louçã — 17 Julho 2020

“Depois de nós, o dilúvio”

Tal reagente químico, o novo coronavírus fez sobressair com particular nitidez algumas das características fundamentais do capitalismo. A ganância e a irresponsabilidade são duas delas. A ganância, já se sabe, é  velha como este modo de produção. A voracidade dos capitalistas vai por vezes ao ponto de fazê-los esquecerem a sua própria sobrevivência física.


A pressão dos negócios

Manuel Raposo — 16 Julho 2020

Retomar os negócios a todo o custo

O modo como o chamado “desconfinamento” tem dado origem a um crescimento significativo da pandemia, primeiro na região de Lisboa, mas agora também no resto do país, mostra bem como os poderes públicos cederam à pressão dos negócios. O relativo êxito no controlo do surto em Março e Abril deveu-se, quase em exclusivo, a uma medida: isolar as pessoas, parando tudo o que era possível parar. O regresso à actividade, mesmo gradual e condicionado, é um regresso às condições de trabalho de sempre, agora acrescentadas com o perigo de contaminação, quando não de morte. É esta a realidade que atinge hoje o mundo do trabalho.


Homenagem a José Manuel Esperto

José Borralho / Manuel Raposo — 6 Julho 2020

Com familiares, no lado direito da foto

No dia 1 de Julho faleceu, com 88 anos, o camarada José Manuel Esperto. Era enfermeiro de profissão, aposentado, e residia de há muito no Montijo. Foi membro do PCP, depois militante de organizações marxistas-leninistas e, com a fusão destas em 1975, co-fundador do PCP(R). Não abandonou as ideias revolucionárias que o animaram desde jovem.


Pandemia e futuro

José Borralho — 3 Julho 2020

Por uma alternativa que impeça a catástrofe

Cresciam os sinais de crise do capitalismo, nomeadamente numa desaceleração do crescimento da economia e nas tendências para o rebentar de uma nova bolha financeira, quando, inesperadamente, a isto se veio juntar a crise pandémica.

Eram de há tempo visíveis as tensões entre a UE e os EUA e entre estes e a China, quer pelas ameaças nacionalistas de Trump de aplicar mais impostos às mercadorias desses países, quer pela perda de influência dos EUA no plano militar, quer também pelo poderoso aumento de influência económica da China no mundo.


Contra a anexação da Palestina

Manuel Raposo — 1 Julho 2020

Manifestação em Gaza

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em várias cidades da Palestina, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, contra o plano de anexação, por parte de Israel, de um terço dos territórios da Cisjordânia. Este plano, a aplicar a partir de 1 de Julho, tem o apoio declarado do presidente dos EUA e contraria todas as disposições das Nações Unidas acerca do chamado conflito israelo-palestino, nome de conveniência dado à guerra movida pelos sionistas israelitas contra os palestinos desde há mais de 70 anos.


Não, o vírus não é democrático

Urbano de Campos — 30 Junho 2020

Trabalhadores da plataforma logística da Azambuja

O aumento significativo de contaminações por covid-19, sobretudo na região de Lisboa, não parece ter muitos segredos: ele está a dar-se nas zonas de concentração de trabalhadores. Muitos deles nunca deixaram de trabalhar, nem mesmo durante o estado de emergência. Construção civil, áreas logísticas dos grandes abastecimentos, fábricas, transportes públicos são os focos e os veículos de transmissão. E as vítimas são, sublinhe-se, trabalhadores, muitos deles de sectores vitais, a quem o teletrabalho não contempla.


Nós, iconoclastas

António Louçã — 19 Junho 2020

Com uma pomposa indignação mais própria do conselheiro Acácio, clamaram vários políticos da nossa praça contra a vandalização de uma estátua do Padre António Vieira. O clamor pretendia desviar as atenções do racismo, o verdadeiro problema que mobiliza centenas de milhares de manifestantes em todo o mundo.

No coro acaciano fez-se ouvir o habitual argumento de Portugal não ser “um país racista”. Mas em que país não se ouve o mesmo argumento, aplicado ao caso respectivo? A burguesia portuguesa criou um império colonial e esse império combinou sempre instrumentos diversos de dominação: por um lado, as contrapartidas económicas e a corrupção de elites locais, por outro o proselitismo religioso e, enfim, o instrumento decisivo da coação militar.


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