Tópico: Mundo

A ascensão dos neofascismos

Manuel Raposo / Tom Thomas — 2 Agosto 2020

Combater o fascismo pela raiz

Dizia-se, até há pouco tempo, que Portugal estava imune à onda fascista que crescia pela Europa. A eleição em 2019 de um deputado pelo Chega!, um partido recém-formado, veio desmentir tal credulidade, mas foi encarada pelas forças políticas dominantes como um episódio sem sucesso que seria melhor ignorar. A subida que agora se lhe aponta nas sondagens (mesmo que contenha algum exagero) fez soar campainhas de alarme, sobretudo nos partidos de direita, que não mostram capacidade para conquistar ou sequer segurar o seu eleitorado, entalados entre um PS aparentemente hegemónico e um Chega! em crescimento.


Caldo de cultura

Editor — 23 Julho 2020

Não se pode dizer que a pandemia apanhou tudo e todos de surpresa. Não se pode dizer que qualquer regime social, qualquer economia, qualquer forma de Estado seriam abalados como o mundo o está a ser.


A pandemia como metáfora do capitalismo

António Louçã — 17 Julho 2020

“Depois de nós, o dilúvio”

Tal reagente químico, o novo coronavírus fez sobressair com particular nitidez algumas das características fundamentais do capitalismo. A ganância e a irresponsabilidade são duas delas. A ganância, já se sabe, é  velha como este modo de produção. A voracidade dos capitalistas vai por vezes ao ponto de fazê-los esquecerem a sua própria sobrevivência física.


Pandemia e futuro

José Borralho — 3 Julho 2020

Por uma alternativa que impeça a catástrofe

Cresciam os sinais de crise do capitalismo, nomeadamente numa desaceleração do crescimento da economia e nas tendências para o rebentar de uma nova bolha financeira, quando, inesperadamente, a isto se veio juntar a crise pandémica.

Eram de há tempo visíveis as tensões entre a UE e os EUA e entre estes e a China, quer pelas ameaças nacionalistas de Trump de aplicar mais impostos às mercadorias desses países, quer pela perda de influência dos EUA no plano militar, quer também pelo poderoso aumento de influência económica da China no mundo.


Contra a anexação da Palestina

Manuel Raposo — 1 Julho 2020

Manifestação em Gaza

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em várias cidades da Palestina, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, contra o plano de anexação, por parte de Israel, de um terço dos territórios da Cisjordânia. Este plano, a aplicar a partir de 1 de Julho, tem o apoio declarado do presidente dos EUA e contraria todas as disposições das Nações Unidas acerca do chamado conflito israelo-palestino, nome de conveniência dado à guerra movida pelos sionistas israelitas contra os palestinos desde há mais de 70 anos.


Nós, iconoclastas

António Louçã — 19 Junho 2020

Com uma pomposa indignação mais própria do conselheiro Acácio, clamaram vários políticos da nossa praça contra a vandalização de uma estátua do Padre António Vieira. O clamor pretendia desviar as atenções do racismo, o verdadeiro problema que mobiliza centenas de milhares de manifestantes em todo o mundo.

No coro acaciano fez-se ouvir o habitual argumento de Portugal não ser “um país racista”. Mas em que país não se ouve o mesmo argumento, aplicado ao caso respectivo? A burguesia portuguesa criou um império colonial e esse império combinou sempre instrumentos diversos de dominação: por um lado, as contrapartidas económicas e a corrupção de elites locais, por outro o proselitismo religioso e, enfim, o instrumento decisivo da coação militar.


EUA: tropas contra manifestantes?

John Catalinotto (*) — 8 Junho 2020

Há quatro dias, a Casa Branca chamou as Forças Armadas a intervirem nas cidades dos EUA para “dominar” as ruas. Nos três dias seguintes, dois ex-chefes do Estado-Maior Conjunto manifestaram-se contra esse destacamento. O mesmo aconteceu com o antigo e o actual secretários da Defesa de Trump, este último sabendo que arriscava a demissão. Reagindo à ameaça de Trump, pelo menos três organizações de veteranos antiguerra pediram aos militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional que se recusem a intervir contra os manifestantes que se opõem ao racismo.


EUA: Não é motim, é rebelião!

Manuel Raposo — 5 Junho 2020

Este título é tirado de um artigo publicado pelo semanário comunista norte-americano Workers World que relata com detalhe os protestos desencadeados nos EUA, de costa a costa, em resposta ao assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis. Onze dias passados, as manifestações continuam por todo o país, apesar das ameaças brutais de Trump e da violência policial. Mais de dez mil pessoas foram detidas. Vários protestos de solidariedade ocorreram, entretanto, em diversas partes do mundo. Razões sérias levam tanta gente a vir para a rua, enfrentado polícia e pandemia.


NATO em armas para ‘combater o coronavírus’

Manlio Dinucci (*) — 27 Abril 2020

Os 30 ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO [no caso de Portugal, Augusto Santos Silva], que se reuniram em 2 de abril por videoconferência, encarregaram o general norte-americano Tod Wolters, Comandante Supremo Aliado na Europa, de “coordenar o apoio militar necessário para combater a crise do coronavírus”. Trata-se do mesmo general que, no Senado dos Estados Unidos em 25 de fevereiro, declarou que “as forças nucleares apoiam todas as operações militares dos EUA na Europa”, o mesmo que se declara “um defensor de uma política flexível de primeiro uso” de armas nucleares, ou seja, ataque nuclear de surpresa (1).


Interesses imperialistas acima da pandemia

Manuel Raposo — 21 Abril 2020

As vozes que, acreditando nas ameaças de Trump, davam conta do fim próximo da NATO, revelam-se precipitadas. O mesmo para as que acreditaram na retirada do imperialismo norte-americano dos cenários de conflito militar. O mesmo ainda para quem pensou que a crise sanitária global traria alguma trégua ao mundo.

Pelo contrário, está a tornar-se claro que para os dirigentes norte-americanos a preocupação dos povos com a pandemia é a ocasião óptima para incrementarem as ameaças militares e quiçá tentarem “resolver” alguns dos impasses dos últimos anos.