Um certo cheiro a nazismo

20 Março 2020

O modo como o governo de Boris Johnson resolveu de início responder à pandemia do coronavírus foi deixar que a doença se espalhasse para que a população, dizia, adquirisse imunidade — “a imunidade de manada”. Era uma forma de não pôr à vista as debilidades do Serviço Nacional de Saúde, degradado por políticas de desinvestimento, e de evitar o colapso da economia, já de si abalada pelo marasmo geral do capitalismo e pelo Brexit.


A cartilha de Trump

1. Designar sempre o coronavírus como “chinês”, para que o povo norte-americano interiorize quem é o seu inimigo.
2. Fechar a fronteira com o México para que os norte-americanos não sejam contaminados. Como alguém lhe fez ver, tal medida só beneficiaria os mexicanos uma vez que, já na altura, havia mais casos de contaminação nos EUA do que no México. Mas Trump não perde ocasião para espicaçar os sentimentos racistas.


Um espelho

19 Março 2020

Como um jornal alemão denunciou e o governo de Merkel confirmou, os EUA tentaram comprar o exclusivo de uma vacina contra o coronavírus em estudo na Alemanha. O negócio terá fracassado pela intervenção das autoridades alemãs, mas é, ainda assim, revelador do ponto a que pode chegar a ambição de uma potência imperialista na sua competição com as demais.


FMI nega ajuda à Venezuela

O governo venezuelano pediu um empréstimo ao FMI de 5 mil milhões de dólares para fazer frente à epidemia do coronavírus. O pedido foi recusado com o pretexto de que existe um outro “presidente” autoproclamado na Venezuela (o protegido de Washington, Juan Guaidó) e que por isso não há unanimidade entre os países membros do FMI sobre a legitimidade do governo de Nicolás Maduro.


Requisição civil. Agora é a vez dos capitalistas

António Louçã — 12 Março 2020

Quando fazem greve os enfermeiros, os professores,os estivadores, os motoristas de matérias perigosas, foi-se tornando um hábito acusá-los de irresponsabilidade, por negarem ao conjunto da sociedade a prestação de serviços essenciais. E, vai daí, o Governo tem usado e abusado da definição de “serviços mínimos” (na verdade máximos), e tem mesmo recorrido à requisição civil contra os e as grevistas. A pandemia do novo coronavírus coloca na ordem do dia a necessidade de aplicar uma requisição civil verdadeiramente em prol da sociedade toda, desta vez contra os capitalistas que querem manter os negócios de sempre ou tentam mesmo aproveitar-se da emergência para fazer negócios de ocasião.


Justiça: isto não vai com limpa-nódoas

Manuel Raposo — 10 Março 2020

A preocupação de Catarina Martins com a má imagem da Justiça chega a ser comovente. Em vez de ver nos casos de corrupção recentemente revelados a ponta de um iceberg, o espelho de um mal de fundo, o exemplo prático de um sistema que funciona para os poderosos, que é manipulado pelos poderosos — em vez disso o BE esforça-se por ajudar a limpar a nódoa que ficou a descoberto.


Eutanásia: pela livre decisão de cada um

Urbano de Campos — 2 Março 2020

Como é bom de ver, o que esteve em causa na discussão sobre a despenalização da eutanásia não foi o “direito” de matar alguém, mas sim o direito de cada um decidir sobre a sua própria vida em situações limite. Tão só. A mistificação que sobre isso se fez, por parte de igrejas e confissões religiosas diversas e de organizações políticas, só mostra o propósito de tais forças manterem a sua tutela moral sobre cada um dos cidadãos.


O ‘bom senso’ do presidente

António Louçã — 18 Fevereiro 2020

Em reacção às acusações do Governo venezuelano contra a TAP e o Governo de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa veio dizer que o Estado português sempre se tem comportado perante a crise na Venezuela com “serenidade, bom senso e racionalidade”. Ignora assim, cinicamente, o beco sem saída onde o zelo pró-americano colocou o Governo de António Costa.


O vírus do capitalismo

António Louçã — 10 Fevereiro 2020

Será preciso assentar a poeira para se entender quais, na discussão sobre a pandemia do coronavírus, são afirmações cientificamente comprováveis e quais são apenas instrumentais para manter o business as usual do capitalismo. Uma coisa é certa: as enérgicas medidas de emergência que qualquer autoridade de saúde pública teria tomado imediatamente para travar a contaminação foram inibidas pela ponderação dos danos que causariam aos lucros dos accionistas de companhias aéreas, de multinacionais da área do turismo e entretanto já de quase todas as outras.


Não é o poder militar do Irão que assusta os EUA

Manuel Raposo — 27 Janeiro 2020

A crise que os EUA abriram com o Irão, levada pela quadrilha de Trump à beira da guerra, não tem nada a ver com o apregoado “perigo” de os iranianos fabricarem uma bomba atómica. Não é que eles não desejassem tê-la — ou que não merecessem tê-la (dizemos nós) para mais eficaz defesa da sua independência, como o caso da Coreia do Norte parece provar. A sanha dos EUA tem outras razões. O que está em causa é o facto de o Irão, nos 40 anos de independência que leva já desde a revolução de 1979, se ter tornado um país livre da tutela imperialista, quer de norte-americanos quer de europeus. Esse é que é o óbice.


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