Tribuna
Temas e ideias para discussão.
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Regresso de Marx? Oxalá!Resposta a A. PoeirasManuel Raposo
Caro A. Poeiras:
Mais tarde do que gostaria de ter feito, respondo ao seu texto Regresso a Marx / Regresso de Marx, que publicámos em 7 de Agosto. Como poderá ver por esta minha resposta, não poderia discordar mais das suas posições. Mas não deixo de saudar a sua decisão de as colocar a debate. É disso que precisamos. Comecemos pelo fim, porque aí parece estar o motivo dos seus argumentos contra o marxismo. O que o inquieta não é o regresso do marxismo enquanto literatura – inquieta-o sim o regresso do marxismo revolucionário. Você acha útil que se procure em Marx respostas que não existem noutros autores; mas repudia a inspiração revolucionária que (inevitavelmente, a meu ver) decorre do marxismo. Ler o resto do artigo » Os resultados eleitorais e a luta contra as políticas capitalistas e reaccionárias do próximo governo!José Manuel Andrade Luz
Depois de quatro anos de políticas reaccionárias capitalistas de combate aos direitos dos trabalhadores, o P”S” perdeu a maioria absoluta parlamentar.
Pela gravidade social das suas políticas, muitos esperariam que este, à imagem do que sucedeu nas eleições europeias, obtivesse uma grande derrota ou que no mínimo perdesse essa maioria absoluta, o que veio a concretizar-se. No entanto, e ao contrário do que todos esperavam e pelo peso que tal acção governativa teve sobre as camadas trabalhadoras e mais pobres da população, tudo indicava que a perda da maioria absoluta revertesse a favor dos partidos à sua esquerda no parlamento. Mas tal não se verificou, apesar de o BE crescer aproximadamente para os 550 mil votos e eleger 16 deputados (o dobro do que tinha) e o PCP crescer também aproximadamente 15 mil votos e eleger mais um deputado; este, especialmente, ficou aquém das expectativas criadas por ele e pela própria imprensa burguesa, mas só a arrogância, o oportunismo e o triunfalismo e a mentalidade política pequeno burguesa dos seus dirigentes os impediu de reconhecer e assumir tal fracasso eleitoral. Ler o resto do artigo » Regresso a Marx / Regresso de MarxA. Poeiras
Após a queda do muro de Berlim ter removido o biombo que impedia a crítica aberta dos regimes instalados a leste e de a social-democracia ter entusiasticamente abraçado a herança dos avôs Reagan/Thatcher, seguiu-se a destruição dos sindicatos de base nacional, a incapacidade do movimento operário responder à escala global – não é fácil conciliar os interesses imediatos de um operário europeu com os de um indiano – num refluxo da esquerda tradicional e o surgimento de um produtivo debate que procurava acima de tudo encontrar o acordo entre a esquerda e a própria natureza das coisas, o que conduziu igualmente à procura de formas diferentes de acção política. A chamada “construção europeia”, com toda a trama de golpes e contragolpes, de fintas e simulações e as formas de resistência “selvagem” – dos jovens apedrejadores aos operários sequestradores – é um exemplo magnífico do que sucintamente acima se descreve. Ler o resto do artigo »
Sete reflexões sobre a actual criseJoão Bernardo
Contrariamente ao que é hábito afirmar na esquerda, tenho defendido desde há bastantes anos a inutilidade de proceder a uma teoria das crises no capitalismo. Cada crise é específica e resulta do facto de o sistema económico, com o agravamento de certas contradições, não conseguir dar uma resposta a obstáculos que noutras circunstâncias seriam facilmente superados. Tudo depende, então, de saber quais as contradições que se agravaram, e este diagnóstico muda de uma crise para outra.
Além disso, as crises sectoriais são frequentemente confundidas com crises globais ou, pior ainda, o funcionamento cíclico da economia é confundido com uma crise. Na verdade, a extrema-esquerda revela nestas ocasiões a sua fragilidade fundamental, esperando que se consiga, graças à crise do capital, o que não se tem obtido pela força própria do proletariado. As luminárias da revolução ainda estão sem decidir se o capital se há-de destruir a ele mesmo ou se há-de ser a classe trabalhadora a destruí-lo. Enquanto andar nesta indecisão, a extrema-esquerda nunca terá uma estratégia própria. Ler o resto do artigo » Existe ‘uma posição revolucionária’ sobre «A Crise do Capitalismo»?Rui Pereira
“a vitória universal da irresponsabilidade e do cinismo”
Cornelius Castoriadis (*) A pergunta do título da peça não é retórica. Trata de saber, em primeiro lugar, que pode ser uma posição ‘revolucionária’. Posição ‘revolucionária’ por oposição ao sentido de ‘reformista’; transformadora, por oposição ao sentido de ‘reformadora’. Muitas diferentes propostas poderão ser revolucionárias, não custa imaginar, relativamente àquilo que nos é quotidianamente representado como a «crise do capitalismo»? Ler o resto do artigo » A crise do capitalismo e as limitações e inconsequências do sindicalismo reformistaJosé Manuel Andrade Luz
Em recente artigo da responsabilidade do corpo redactorial do MV, critica-se o movimento sindical e em particular a CGTP por não dar uma maior consequência às manifestações e outras formas de luta, inconsequência essa que tem contribuído para uma maior arrogância do governo na aplicação das suas politicas anti-sociais, que têm agravado de forma drástica a situação económica e social das classes trabalhadoras. Ler o resto do artigo »
Paradoxos da história georgianaAntónio Louçã
Quem seguiu pela televisão a mais recente guerra no Cáucaso, pôde pasmar diante das imagens de uma estátua de Estaline na capital georgiana, Tbilisi. Não é pouca coisa, numa ex-república soviética, quando sabemos que a implosão da antiga URSS foi acompanhada pelo sistemático derrubamento das estátuas de dirigentes bolcheviques. Ler o resto do artigo »
A revolução por dentro das palavrasJosé Mário Branco
Já nos aconteceu a todos partilharmos as mesmas ideias com amigos nossos e, no entanto, não haver entendimento entre nós acerca das palavras que usamos para definir e designar essas ideias. Isto deve preocupar-nos, porque “a falar é que a gente se entende”.
Em tempos, um amigo meu, que era revolucionário e comunista, foi destacado para desenvolver a organizar a luta política numa região (Trás-os-Montes) onde, pensava-se, as pessoas estavam muito dominadas pelas ideias reaccionárias dos padres e dos caciques ex-fascistas. Ele foi para a região e, numa tasca de aldeia, pôs-se à conversa com trabalhadores do campo que ali estavam a beber e a conviver. Evitou usar palavras como socialismo, comunismo ou revolução que, pensava ele, podiam despertar a desconfiança ou a rejeição. Foi conversando sobre a vida “em geral” e lentamente, à medida que iam estando de acordo sobre as ideias simples (da democracia, da liberdade, da justiça social para acabar com diferenças entre pobres e ricos), ele ia explicando “os nomes dos bois”: isto é o socialismo, aquilo é o comunismo, aqueloutro é a revolução, etc. Ler o resto do artigo » |
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