Desigualdades, pobreza e exploração

Pedro Goulart - Domingo, 25 Maio, 2008

Segundo um relatório da União Europeia, Portugal é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos no conjunto dos 25 países da Comunidade. Em 2004, havia em Portugal 957 mil pessoas a viver com 10 euros por dia, entre as quais cerca de 230 mil com menos de 5 euros. E também há as notórias desigualdades internas entre regiões e entre homens e mulheres. Ora, por aquilo que se conhece no que respeita ao agravamento do fosso que separa ricos de pobres em Portugal, de 2004 para cá a situação ainda deve estar bem pior.

Outra coisa não seria de esperar, visto se ter vindo a agravar desde 1975, por obra dos diversos governos da burguesia (PS, PSD e CDS), a repartição dos rendimentos, inicialmente de 50% para o capital e 50% para o trabalho e sendo agora de 60% a favor do capital e 40% a favor do trabalho. Isto é, em Portugal agravou-se progressivamente a taxa de exploração do trabalho.

Por outro lado, num estudo recente, coordenado por Alfredo Bruto da Costa, Olhar Sobre a Pobreza em Portugal, verifica-se que dos 52,4% de agregados pobres cuja principal fonte de rendimento é o trabalho, cerca de 40% trabalham por conta de outrem; e que os pensionistas representam 38%. O estudo afirma que, no país, há insuficiência dos rendimentos do trabalho e ineficácia das transferências sociais, concluindo que “a pobreza configura uma situação de negação de direitos humanos fundamentais”.






2 Comentários a “Desigualdades, pobreza e exploração”

  1. semfim disse:

    Muitíssimo obrigado ao pai da democracia Mário Soares com a prestimosa ajuda desse benemérito senhor, Frank Carlucci.
    À excelsa visão num mundo mais justo, com o Grupo dos 9 e todos os bombistas e terroristas que mataram para hoje os vermos na TV enredados em seus sórdidos ‘negócios’ como aquele Adelino Ferreira Torres e um cortejo de oportunistas de direita e de ‘esquerda’. Pode ser que um dia desses nos iremos encontrar e cobrar contas…

  2. Manuel Monteiro disse:

    Camarada Semfim
    Estou de acordo com a sua indignação contra todos os canalhas que, triunfando, vêem agora consagrado o resultado do seu êxito contra-revolucionário: um país de muitos pobres e de uma minoria de ricos.
    Agora, camarada. não nos podemos queixar. Eles venceram e nós fomos derrotados, e isto, analisado do ponto de vista da luta de classes, tem que ter da nossa parte uma atitude: resistir. Mas resistir em unidade com aqueles que têm uma forte consciência anti-capitalista. Infelizmente andamos muito dispersos. É que não somos tão poucos como parece. O MV é uma tentativa de criar condições para que as forças dispersas se unam e para contribuir para que surja uma alternativa revolucionária. É que a situação de descontentamento popular, se não houver uma alternativa à esquerda, pode servir às mil maravilhas para um projecto ainda mais autoritário, senão fascista, de direita.
    Em conclusão, camarada Semfim: não basta a nossa indignação. Só uma discusão entre os revolucionários para elaborar uma plataforma anti-capitalista é que pode inverter a situação e trazer os trabalhadores para contestar o capitalismo. O MV situa-se nesse campo
    Abraços
    Manuel Monteiro

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