Brasil: gangsterismo nos sindicatos dos transportes

MV / Conlutas - Quarta-feira, 21 Maio, 2008

Em quase todo o Brasil os motoristas e os cobradores de autocarro trabalham, para além da tradicional jornada de 8 horas, muito tempo extra, chegando a 16 ou até em casos extremos 20 horas diárias. Várias empresas de autocarro instalam colchões onde os trabalhadores dormem. E tudo por um salário mensal equivalente, no máximo, a 330 euros. A maior parte dos sindicatos deste sector nada faz pelos trabalhadores; em vez disso associam-se aos patrões e desmobilizam as greves.

Neste momento está a decorrer uma suposta greve que na verdade é um boicote patronal, um lock-out. Não é raro que os trabalhadores que se insurgem contra este estado de coisas sejam espancados ou mesmo assassinados. Numa determinada região já se contam 14 mortos. Trata-se de um duro desafio para a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), a central sindical de esquerda que organiza várias oposições sindicais de motoristas no Brasil. Vejamos um caso recente.

Na manhã de 12 de Maio o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Urbanos de Diadema (nos arredores imediatos de São Paulo), uma organização combativa filiada na Conlutas, teve a sua sede invadida e destruída por gangsters ligados à Força Sindical, uma central sindical de direita. Pouco antes um dos dirigentes do sindicato fora ameaçado telefonicamente de que a sede seria destruída e de que seriam assassinados os membros da direcção caso insistissem em prosseguir a sua actividade. Em seguida, e graças a um ardil montado por alguns motoboys [estafetas] que envergavam a t-shirt do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, aderente à Força Sindical, cerca de 30 homens armados invadiram a sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Urbanos, partindo computadores e mobiliário e agredindo os dirigentes do sindicato. Os invasores fugiram logo que perceberam a chegada da polícia.

Mais tarde identificou-se a origem da chamada telefónica. Ela provinha da empresa Viação Imigrantes, cuja base sindical estivera até 2002 sob a direção de um sindicato filiado na Central Única dos Trabalhadores (CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores do presidente Lula). Nessa época a CUT e a Força Sindical, de acordo com a empresa, transferiram a base da Viação Imigrantes para outro sindicato, ligado à Força Sindical, embora em termos legais esta entidade não representasse a cidade de Diadema. A partir daquela mudança, os funcionários perderam inúmeros direitos, além de terem sofrido uma considerável diminuição de salários. A remuneração dos motoristas, por exemplo, caiu de 1300 reais para 500 (de 520 euros para 200) e a dos cobradores caiu de 700 reais para 320 (280 euros para 130). Registam-se ainda casos de assédio sexual, sem que as funcionárias os possam denunciar, pois seriam demitidas.

Perante esta situação, em Março de 2008, com o apoio de trabalhadores de base e da Associação dos Trabalhadores em Transportes do Estado de São Paulo, foi fundado o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes, Anexos, Autônomos, Aposentados e Pensionistas de Diadema, ligado à Conlutas. Como este novo organismo denuncia o conluio entre a empresa Viação Imigrantes e o sindicato ligado à Força Sindical, o motivo daquela manobra de intimidação não é misterioso.






Um Comentário a “Brasil: gangsterismo nos sindicatos dos transportes”

  1. WAYLAND disse:

    BOA TARDE!
    SOU COLCHOEIRO E TRABALHEI EM UMA FABRICA DE COLÇHÃO COMO ENCARREGADO SÓ QUE EU NÃO ERA REMUNERADO COMO O MESMO,O CASO AGORA ESTA NA JUSTIÇA E O ADVOGADO NÃO QUER PEGAR O CASO PORQUE NÃO TEM UM PISO DE ENCARREGADO DE COLÇHOEIRO, JÁ QUE EM SALVADOR TAMBEM NÃO TEM SINDICATO.
    PRIMEIRO QUERIA QUE ME ENVIASSE O PISO DE ENCARREGADO E ME DESSE MAIS INFORMAÇÃO COMO AGIR REFERENTE A ESSE CASO.
    OBRIGADO PELA ATENÇÃO!

Deixe o seu Comentário