Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VII)

As lutas das mulheres e do proletariado rural

Milhares de trabalhadores participaram na ocupação e na gestão de empresas, de terras abandonadas ou de latifúndios

Pedro Goulart - Domingo, 27 Abril, 2008

reformaagrariacouco_72dpipbcrop.jpgAquilo que, em Portugal, ficou conhecido como Reforma Agrária foi, fundamentalmente, o produto de duras lutas levadas a cabo pelos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo. E foi, inquestionavelmente, uma das grandes conquistas alcançadas pelos trabalhadores portugueses após o 25 de Abril de 1974.

No princípio (no final do ano de 1974) os combates dos trabalhadores agrícolas eram ainda por aumentos de salários e reivindicação de mais trabalho. Mas com o decorrer das lutas, rapidamente foram ocupadas centenas de milhar de hectares de terra (apesar de confrontos com as polícias e os partidos do governo) e grande parte dos latifúndios foram liquidados. Mais de 500 unidades de produção, Cooperativas e Unidades Colectivas de Produção, foram constituídas; cerca de 70.000 trabalhadores estiveram envolvidos nas lutas, ocupação, produção e gestão das novas propriedades agrícolas de carácter colectivista.

Aguiar, Alcoentre, Escoural, 1.º de Maio, Herdade de Pombal, Margem Esquerda, Quintas da Corona e do Pocinho, Terras de Catarina e Torre Bela, são alguns dos muitos nomes que fizeram história na luta heróica dos trabalhadores agrícolas no pós 25 de Abril de 1974.

Sogantal, Timex, Charminha, Melka…
Com o 25 de Abril de 1974 a participação das mulheres na vida sindical e revolucionária do país teve um enorme impulso.
A Sogantal foi um caso exemplar dessa participação. Era uma fábrica de confecções onde trabalhavam 48 mulheres jovens e intensamente exploradas. Em Maio de 1974 as trabalhadoras entregaram um caderno reivindicativo à entidade patronal, que esta recusou satisfazer. Então as operárias, sem interferência de estruturas sindicais ou partidárias, ocuparam a fábrica, venderam os fatos de treino (produto do seu trabalho) e entraram em autogestão. A Sogantal foi um bom exemplo de organização autónoma dos trabalhadores.

Na Timex, fábrica de relógios onde, dos 2.140 trabalhadores mais de metade eram mulheres, na Charminha e na Melka ou, ainda, nas fábricas de conservas a participação das mulheres foi determinante.

Na luta dos bairros, nas suas reivindicações pelo direito à habitação (no Bairro da Boavista, na Quinta da Calçada ou no Casal Ventoso), na ocupação das casas vagas para quem as não tinha, igualmente as mulheres desempenharam um papel destacado.

No Alentejo e no Ribatejo, nas herdades ocupadas, nas Cooperativas e Unidades Colectivas de Produção, a presença das mulheres nas lutas assumiu geralmente o valor de uma variável de peso.






Um Comentário a “As lutas das mulheres e do proletariado rural”

  1. maria oliveira disse:

    É para ver que o povo sabe tomar a vida nas suas mãos. Sem Lenines, sobtd sem governo e contra ele, o povo real iniciou a reforma agrária. Não importa se homens se mulheres, o que importa é que se anteciparam …o pior, porém, estava para vir quando a força das mulheres e homens deste país foi enclausurada pelos doutores… da política. Elas e eles hão-de voltar um dia….

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