Francisco Martins Rodrigues

Quarta-feira, 23 Abril, 2008

franciscomartinsrodrigues.jpgFrancisco Martins Rodrigues faleceu na madrugada do dia 22, em consequência de doença incurável. Muitas dezenas de pessoas estiveram presentes, no dia seguinte, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde o corpo foi cremado, prestando homenagem ao comunista, ao combatente, ao amigo.

Francisco Martins Rodrigues iniciou a sua militância política no Partido Comunista Português na década de 1940. Rompeu com a direcção de Álvaro Cunhal em 1963, quando era membro do comité central, depois de uma progressiva e irreconciliável divergência com a estratégia de unidade antifascista.

A linha de Cunhal para o derrube da ditadura e contra a guerra colonial – vincou Francisco Martins Rodrigues – colocou o proletariado a reboque da oposição democrática burguesa e pequeno-burguesa, comprometendo a indepedência política das classes trabalhadoras portuguesas. Francisco Martins Rodrigues, com um pequeno grupo de outros militantes, fundou então o Comité Marxista-Leninista Português e, com isso, a corrente marxista-leninista em Portugal.

Um dos traços marcantes desta ruptura foi a perspectiva de classe que introduziu na análise da sociedade contemporânea portuguesa, fazendo assentar aí o rumo político da acção dos comunistas revolucionários. Os seis números da revista clandestina Revolução Popular, publicados antes da sua prisão em 1965, têm deste ponto de vista o valor de documentos históricos.

Francisco Martins Rodrigues fez ver que sem independência política o proletariado não pode realizar os seus interesses de classe; e que deve, portanto, procurar ganhar hegemonia no processo de luta de massas – quer contra a ditadura de Salazar, quer já em regime democrático.
Foi esse também o sentido essencial dos textos mais importantes que publicou ao longo de 23 anos na revista Política Operária.

Este seu legado marcou profundamente não só aqueles que o acompanharam nas organizações que ele fundou mas igualmente os que pretenderam prosseguir noutras organizações e com outras orientações o combate contra o capitalismo.

A pessoa e o nome de Francisco Martins Rodrigues são indissociáveis do movimento anticapitalista em Portugal.

22 de Abril de 2008
Colectivo Mudar de Vida






5 Comentários a “Francisco Martins Rodrigues”

  1. Rui Pereira disse:

    A minha experiência de contacto com o “Chico” Martins foi a de um homem de profundo humanismo, de uma inteligência activa, lúcida e aberta. Francisco Martins Rodrigues, mais do que propor qualquer definição, constituiu um exemplo da condição de esquerda. Por isso lhe sou (somos) devedor(es). Por isso, também, o deixar desta nota e, em particular aos seus amigos e companheiros, o envio do meu abraço solidário.
    Rui Pereira

  2. Manuel Gouveia disse:

    O muito que nos afasta não faz esquecer o muito que nos é comum. Francisco Martins Rodrigues foi um desses “imprescindíveis” que é sempre triste ver partir. Um Abraço,

  3. António Pinho disse:

    Francisco Martins Rodrigues será sempre uma referência essencial do campo anti-capitalista. Pela sua disponibilidade, pelo seu espírito de combate e pela sua seriedade.
    E todas as divergências que nos afastaram, do ponto de vista orgânico, não anulam a imensa admiração que nos provocava. Tudo isto parte integrante de um carácter eivado de profunda humanidade e desprendimento.
    Nesse sentido, a sua partida física não belisca em nada a permanente presença pelo que lhe devemos!

  4. António da Costa disse:

    Francisco Martins Rodrigues não se limitou a ser anti-fascista é um militante comunista revolucionário que nunca perdeu a perspectiva da construção da sociedade socialista e do comunismo, isto é, da revolução o que implica o derrube do capitalismo.
    Este sabe reconhecer os seus inimigos daí o absoluto silêncio dos ditos orgãos de informação “democráticos e pluralistas”.
    Na hora da despedida, continua presente, legou-nos um vasto espólio que não podemos descurar.
    É absolutamente necessário dar a conhecer o homem e a sua obra.

  5. João Casqueira disse:

    Conheci o Camarada “Campos” em 1975 ou 1976
    Morreu um HOMEM e um COMUNISTA
    Mas a morte só chega com o esquecimento e eu não não estou esquecido
    “Afonso”

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