Gigantesca rusga policial em Lisboa para amedrontar os imigrantes

José Falcão, SOS Racismo (adaptação de MV) - Sábado, 12 Abril, 2008

rusga_intendente_72dpi.jpgDecorreu com grande aparato e cobertura mediática mais uma rusga na zona do Martim Moniz, local de Lisboa frequentado por muitos imigrantes. Todos os que não eram brancos (independentemente da nacionalidade) foram incomodados pelas forças de segurança e pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Mais de 300 agentes foram mobilizados para a chamada “Operação Vasco da Gama”, que a polícia e a Câmara de Lisboa justificaram para “reabilitar” a zona. Para isto, perseguir trabalhadores e imigrantes (trabalhadores), o Estado Português é muito activo e corajoso. Para isto não há falta de meios.

Mais uma rusga racista. Sim racista: houve dois cidadãos brancos que tentaram ser identificados pelos agentes presentes no Martim Moniz e…não conseguiram. Uma rusga que apenas serve para mostrar serviço, amedrontar todos aqueles e aquelas que por cá andam a suprir as nossas próprias insuficiências e, em última instância, humilhá-los. Eis a verdadeira face da “integração”.

Mas onde está a coragem das autoridades para uma verdadeira actuação como “Estado de Direito”, que diz ser, quando a impunidade dos empregadores é o dia a dia? Onde está a coragem para ter agentes tipo ASAE e SEF, com o mesmo tipo de cobertura mediática, a fazer o mesmo com o patronato que emprega e explora trabalhadores, sejam eles imigrantes ou com BI português e “caucasianos”? Onde está a coragem para punir e castigar todos os empregadores que roubam os salários aos imigrantes (e não só), que não cumprem as leis, que pagam tarde e a más horas, que ficam com os descontos para a Segurança Social?

Falta de meios? Para perseguir as e os mais desfavorecidos, não tem havido falta de meios. Já era altura de se fazer aquilo que se apregoa por toda a Europa… É muito bonito vermos os discursos inflamados em defesa dos direitos humanos no Tibete. Fica bem a toda a gente. Mas para quando a defesa dos direitos humanos aqui, em Portugal?






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