Demolições de casas na periferia de Lisboa

Novos projectos imobiliários na origem da “urgência” em limpar os bairros de barracas

Chico Peixoto - Quinta-feira, 6 Março, 2008

demolicoes_72dpi.jpgAzinhaga dos Besouros em Agosto de 2006 (Amadora), Alto da Damaia em Fevereiro de 2007 (Amadora) e recentemente o Bairro Fim do Mundo em Janeiro de 2008 (Cascais) são bairros de barracas sujeitos a demolições de habitações sem realojamento.
Poderíamos também citar o bairro da Quinta da Serra (Loures), Quinta da Vitória (Loures), o Bairro das Marianas (Carcavelos), o Bairro do Talude (Unhos)…bairros chamados “clandestinos”, ameaçados todos os dias de destruição por parte das Câmaras dos concelhos à volta de Lisboa.

O esquema é geralmente o mesmo: imigrantes, que não podem alugar apartamentos com rendas inacessíveis, são obrigados a encontrar soluções alternativas, e relegados para bairros de barracas nas periferias das grandes cidades; até que estes terrenos, alguns deles ocupados há dezenas de anos, são alvo de pressões financeiras.

De uma situação que convinha a todos, da notável política do “deixa andar” das Câmaras Municipais, passamos de repente a uma situação de urgência para destruir estes bairros, perante a necessidade de implantação de novos projectos imobiliários. As primeiras habitações destruídas são dos homens solteiros, depois das outras famílias, com um simples aviso colocado na porta.

Uma grande parte dos habitantes são excluídos do PER, Programa Especial de Realojamento, aparecido em 1993, e são expulsos sem quaisquer alternativas, como actualmente as famílias do Bairro do Fim do Mundo, desalojadas para permitir a construção de um centro Paroquial Património dos Pobres…

A crise do alojamento em Portugal é generalizada, crise muito mais qualitativa que quantitativa; mas as primeiras populações atingidas são sempre as mais carentes, os imigrantes. Em 2005, os habitantes dos bairros para demolição, apoiados pela associação Solidariedade Imigrante, iniciaram acções de resistência para lutar contra essas situações inaceitáveis. Nasceu o grupo DAH – Direito à Habitação.
Em 2006, foi formada a Plataforma Artigo 65 – Habitação para todos, que é uma rede de cidadãos e associações, profissionais e cívicas, que se juntou às comissões de moradores que lutam pela aplicação deste direito fundamental que é o Direito à Habitação.

Para mais informações:
Plataforma Artigo 65- www.plataformaartigo65.org
Direito à Habitação (DAH-Solim)- www.moramosca.wordpress.com






Um Comentário a “Demolições de casas na periferia de Lisboa”

  1. João Portugal disse:

    É uma vergonha! 1º juntam tudo num bairro sem condições e agora querem ver-se livres das pessoas que lá puseram e deixaram que se instalassem, querem ver-se livres delas como se fossem lixo! Mas esquecem-se que se fosse com eles, não iam gostar.

Deixe o seu Comentário