As vozes de Viana e Lisboa silenciosa

Duas sessões de apresentação em Janeiro

Lisboa, dia 11, Biblioteca-Museu República e Resistência. Viana do Castelo, dia 18, Clube Recreativo dos Operários dos Estaleiros Navais

Cristina Meneses - Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2008

As lições devem ser tiradas: a conferência temática, O jornalismo político e o movimento social, proposta na ocasião da apresentação do MV em Lisboa não suscitou grande interesse, a avaliar pelo baixo número de presentes. A generosidade do jornalista Rui Pereira não é por isso menos importante de ser referida e continuaremos a contar com a sua colaboração nas páginas do MV. E uma nota de simpatia para João Mário Mascarenhas que vai «mudar de vida», como anunciou na sessão, com a sua saída da direcção da Biblioteca-Museu.

Em Viana, uma conversa menos orientada abriu lugar a uma maior participação. Gente que não encontra espaço onde se fazer ouvir compareceu e ofereceu ao MV matéria rica para próximas edições do jornal – assim o concretizem – propondo também organizar-se para prosseguir, com regularidade, encontros e conversas dinamizadas localmente.

Só episodicamente se conhecem reacções às políticas do Governo como aquelas que mobilizam os utentes do Serviço Nacional de Saúde, porque o problema não é só seu, mas há, nos reflexos que têm na vida de cada um, um “incómodo” ainda em surdina (ou silenciado) porque parece ser só nosso.

É o caso da professora destacada em Paredes de Coura que continua a reclamar condições dignas para a escola apesar de sucessivas passagens de inspectores formatados para processarem rácios e índices normalizados; da emigrante em Londres que não encontra a solidariedade dos compatriotas; ou de trabalhadores nos Estaleiros que assistem ao desperdício dos investimentos do Governo em produção de material de guerra, ao abaixamento das condições de trabalho e à exploração do trabalho imigrante, condição que, crescentemente, não desprezam e assumem no país vizinho com salários invejáveis.

José Mário Branco e Tino Flores fecharam o encontro com cantos de resistência entoados por todos.




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