De novo os voos da CIA

Relatório de ONG britânica incrimina autoridades portuguesas

Manuel Raposo - Sexta-feira, 8 Fevereiro, 2008

guantanamo_72dpi.jpgO relatório sobre os voos da CIA apresentado pela organização britânica Reprieve afirma de forma segura que mais de 94 voos ilegais terão passado por território português, concretamente a base das Lajes, transportando mais de 700 prisioneiros.

Diz ainda que pelo menos seis desses voos fizeram a viagem directa das Lajes para Guantânamo, onde os EUA mantêm uma prisão semi-secreta inteiramente à margem da lei. Diz que pelo menos nove desses prisioneiros foram barbaramente torturados. Refere ainda que os voos tiveram a ajuda das autoridades portuguesas e conclui daí que os governos portugueses “desempenharam um relevante papel de apoio” ao programa montado pelos EUA de rapto e transporte de prisioneiros.

Diante disto, um porta-voz do governo Sócrates afirmou muito simplesmente que o relatório não trazia nada de novo. Das duas uma, ou esta afirmação é uma confissão de que o governo sabia de tudo, ou é um sinal de desprezo pelos novos dados trazidos a lume. Em nenhuma das hipóteses o governo sai inocentado.

Testemunhos vários levam a crer que o envolvimento dos governos portugueses foi efectivo. A começar pelas afirmações de Condoleeza Rice – que nenhum dos visados desmentiu – de que os europeus sabiam de tudo.

A insistência do governo em fazer esquecer o assunto só demonstra que o envolvimento se terá dado ao mais alto nível e que por isso se torna necessário proteger os implicados, deste ou dos anteriores governos. Um pacto de silêncio e de protecção mútua foi firmado pelo bloco do poder à conta do “sentido de Estado”.






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