Em greve desde Dezembro

A maior ocupação de minas na história da Polónia

M. Raposo - Segunda-feira, 14 Janeiro, 2008

mineirosbudryk1.jpgQuinhentos mineiros da mina de carvão polaca de Budryk estão em greve, desde meados de Dezembro, com ocupação das galerias a mil metros de profundidade. Exigem salário igual ao dos trabalhadores da Jastrzebska Coal Company, que acabou de comprar a mina. Apesar de terem uma produtividade duas vezes superior à média da industria mineira na Polónia, os mineiros de Budryk têm os salários mais baixos do sector.

Esta luta dá continuidade ao movimento grevista iniciado em 17 de Dezembro que juntou 40 mil mineiros da Alta Silésia (região carbonífera do sul da Polónia). Uma greve geral nas 16 minas da Companhia Hulhífera esteve programada para início de Janeiro, mas à última hora a administração da companhia cedeu à exigência dos mineiros de aumentos salariais de 14%.

A greve em Budryk prossegue por um aumento de 30%, uma vez que os salários estiveram congelados durante anos, ganhando um mineiro novo apenas 1200 zlotis por mês (350 euros). Esta greve desencadeou o ódio de classe dos principais partidos políticos e da imprensa polaca. O presidente da Jastrzebska Coal Company comparou os sindicatos que organizaram a greve (August 80 e Kadr) a sequestradores de aviões e chama “terroristas” aos dirigentes grevistas.

Também o Solidariedade está a fazer o papel de fura-greves. Marek Szolc, o dirigente sindical do Solidariedade na mina de Budryk, e membro da ATTAC, apelou ao Estado para usar de todos os meios para quebrar a greve. Outro sindicato mineiro, o ZZG, juntou-se igualmente aos patrões e ataca os dois sindicatos que organizam a greve.

Os administradores do sector do carvão e dirigentes sindicais corruptos constituem uma máfia que domina a indústria e canaliza os lucros das minas para as suas próprias empresas privadas. É esta a razão por que sindicatos como o Solidariedade se opõem à greve – os seus dirigentes, desde há muito, passaram-se para o lado dos patrões e abandonaram qualquer luta séria pelos direitos dos trabalhadores. A falsificação dos sensores de gás na mina Halemba, há cerca de um ano, de que são apontados como responsáveis, esteve na origem de uma explosão de metano na qual morreram 23 mineiros.

mineirosbudryk.jpgMas os mineiros estão determinados a vencer. Todos os dias, as mulheres e familiares dos grevistas participam no piquete de greve no exterior. Os mineiros e os seus apoiantes procuram desenvolver a solidariedade à greve. Nos últimos dois anos os mineiros do August 80 viajaram por todo o país apoiando trabalhadores em luta e defendendo os direitos das mulheres. O nível de solidariedade que demonstraram não tem precedentes na história recente da Polónia. Agora, são eles que necessitam do apoio dos outros operários e demais trabalhadores. Em 10 de Janeiro houve uma manifestação de apoio junto à mina e concentrações de solidariedade em Varsóvia e outras cidades do país em que se reclamou não apenas o aumento salarial, mas também o fim das privatizações.

Um apelo dos mineiros em greve, lançado em 29 de Dezembro, pede ajuda a todos os trabalhadores, expondo as razões da luta e solicitando apoio financeiro (*) para resistirem às pressões da administração que os tenta vergar por carências económicas. “Se nos quebrarem hoje, dizem os mineiros polacos, amanhã podem quebrar-vos a vocês”.

(*) Quem queira apoiar financeiramente as famílias dos mineiros em greve pode enviar contributos para a seguinte conta:
POLU PL PR 23 8454 1053 2001 0041 5426 0001
Name “Support fund for families of striking miners of Budryk”
Name of bank: Orzesko-Knurowski Bank, Spódzielczy
Oddzia, Ornontowice Poland.






Um Comentário a “A maior ocupação de minas na história da Polónia”

  1. jaruselski disse:

    Jaruselski teria feito melhor se tivesse ‘esmagado’ estes ‘democratas’ de merda.
    Ah! Também está contra um gajo da ATTAC? Solidariedade na ATTAC? Fosca-se!

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