Dossiê Habitação III

Agir com as populações a partir da base

Cristina Meneses - Domingo, 6 Janeiro, 2008

parishabitacao_nov07_2_72dpi.jpgA actividade das associações de moradores desfavorecidos renova-se um pouco por todo o mundo. Por vezes criadas através da Internet, reúnem em assembleias abertas e manifestam-se na rua. Eis três exemplos.

Espanha
Actualmente com uma quinzena de assembleias que coordenam esforços de luta nas principais cidades de Espanha, «V de Vivienda» é um movimento de protesto nas ruas por uma habitação digna e contra a precariedade, organizado na sequência de repressão violenta por parte das autoridades públicas em alguns locais.
http://www.vdevivienda.net/

França
Hoje uma federação de 30 comissões de todo o país, a Associação «DAL – Droit au Logement» nasceu em 1990 em Paris, quando 48 famílias foram obrigadas a “acampar” durante 4 meses por terem sido expulsas dos edifícios que tinham ocupado até serem realojadas em resultado de uma forte mobilização mediática e de um largo apoio popular, sindical e partidário.
A sua carta de fundação sublinha que a crise da habitação se agrava com o desemprego e a desigualdade social; gera a exclusão massiva de milhões de fogos, em particular nos grandes centros urbanos, em razão da renovação urbana, do desaparecimento da habitação acessível aos baixos rendimentos, das políticas selectivas de acesso à habitação social e do desinvestimento do Estado. Esta situação traduz um paradoxo, porquanto nunca existiram tantos fogos vagos, tanta riqueza e tanta capacidade de construir habitação de boa qualidade.
Um exemplo de acção prática em que a DAL participou deu-se em Novembro-Dezembro de 2007. Dezenas de famílias ocuparam os passeios da “rue de la Banque” (Paris). Eram famílias em situação regular, com emprego e crianças escolarizadas, que viviam em quartos minúsculos. Foram “desalojadas” pela polícia três vezes, com episódios de detenções e a apreensão das 250 tendas disponibilizadas pela «DAL». Mantiveram o acampamento para reclamar uma habitação decente. A 14 de Dezembro foi assinado um acordo que obriga ao realojamento das 374 famílias (1.500 pessoas, onde se contam 900 crianças) pelo Estado no prazo de um ano.
http://www.globenet.org/dal/

Brasil
O «Movimento Nacional de Luta pela Moradia» surge em 1991, tendo por principal objectivo a “Reforma Urbana”. No Brasil, entre 1930 e o início do século XXI a proporção dos 80% de habitantes que então era rural é hoje urbana.
A luta do MNLM é contra a concentração e especulação imobiliária; pela regularização fundiária e contra os despejos; pela participação das pessoas na construção da nova cidade; pela preservação ambiental; pela formação de cooperativas ou trabalhos colectivos; pelo planeamento urbanístico e saneamento e pelo acesso a saúde e educação pública.
Presente em 14 estados e independente de partidos políticos, mobiliza populações desfavorecidas congregando cerca de 250 mil famílias carenciadas onde são recrutados os seus dirigentes.
http://www.mnlm.org.br/

O «Movimento dos Trabalhadores Sem Teto» surgiu, no final da década de 90, saído do «Movimento dos (Trabalhadores Rurais) Sem Terra» que entende que a maioria do povo pobre vive na cidade e com dois problemas maiores, Habitação e Trabalho. Juntando as duas lutas sob uma mesma bandeira organiza-se com o compromisso de lutar ao lado dos excluídos urbanos. O lema dos MTST é «Ocupar! Resistir para morar!», que reflecte as suas duas principais formas de luta: a ocupação de grandes terrenos vazios na cidade e o trabalho comunitário, porque para enfrentar a sociedade capitalista a resistência tem de estar organizada.
http://www.mtst.info/






Um Comentário a “Agir com as populações a partir da base”

  1. mulher lua disse:

    Tenho no meu blog o historial de uma Associação de Moradores do Porto com o título “Do lugar da habitação ao espaço público” que, brevemente, irá ser publicado.

    Gosto deste sítio, parabéns a todos

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