O ‘bom senso’ do presidente

António Louçã - Terça-feira, 18 Fevereiro, 2020

Em reacção às acusações do Governo venezuelano contra a TAP e o Governo de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa veio dizer que o Estado português sempre se tem comportado perante a crise na Venezuela com “serenidade, bom senso e racionalidade”. Ignora assim, cinicamente, o beco sem saída onde o zelo pró-americano colocou o Governo de António Costa.

Não está em causa se o tio de Juan Guaidó, no aeroporto de Lisboa, beneficiou da vista grossa da TAP e das autoridades portuguesas para transportar na sua bagagem coletes à prova de bala e substâncias explosivas dissimuladas em lanternas. Pode tê-las transportado ou não.

Mas, ainda supondo que elas tivessem sido “plantadas” na sua bagagem pelos serviços de segurança de Nicolás Maduro, isso nada mudaria ao problema de fundo: Guaidó, o tio e a comitiva entendem que Portugal continua a ser um santuário para as suas actividade legais e para-legais, porque o Governo português participou na sua tentativa golpista de há um ano. Maduro entende exactamente a mesma coisa,e adopta contramedidas.

Este é o problema de todos os golpistas que apostam no cavalo errado. Mas — pergunta-se ao presidente —, foi prova de “bom senso” apostar num cavalo daqueles?

E pergunta-se ainda, ao presidente, ao ministro Santos Silva e ao primeiro-ministro António Costa: com tanto “bom senso”, como foi possível meterem-se num beco sem saída e estarem desde há um ano sem relações diplomáticas com o país de acolhimento de uma das maiores comunidades da diáspora portuguesa? Que explicações têm para dar aos emigrantes portugueses na Venezuela — para já não falar das explicações, que consideram sempre supérfluas, sobre a legitimidade de reconhecerem um “presidente” não eleito, como Guaidó?






Um Comentário a “O ‘bom senso’ do presidente”

  1. afonsomanuelgoncalves disse:

    Como não pode deixar de ser, Portugal mais uma vez tem que mostrar ao mundo que está sempre no pelotão da frente quando se trata de proteger na cumplicidade os seus aliados fraudulentos, na Europa, EUA, ou noutro país “amigo” de outro continente. O problema consiste apenas na maneira de actuar sem pestanejar sempre às ordens dos seus poderosos amos. O resultado destas manifestaçõe submissas, de forma geral, correm ao contrário do esperado, e por isso não surpreende as dificuldades desastrosas dos seus ministros muito emproados no início e muito encolhidos após o fim da sua nobre missão.

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