Barbárie sob bandeira democrática I

As sanções matam

Workers World (*) - Segunda-feira, 30 Setembro, 2019

A generalidade das populações dos países Ocidentais vê com indiferença, quando não apoia, as intervenções do imperialismo, norte-americano ou europeu, em qualquer outra parte do mundo. Sejam elas acções militares, sanções económicas, ameaças diplomáticas ou conspirações políticas, directas ou por procuração. Tornam-se assim cúmplices de crimes, de dimensão muitas vezes desconhecida, cometidos contra milhões de pessoas.

O facto de os regimes políticos dos países imperialistas serem democráticos ainda mais responsabiliza essas populações, uma vez que, melhor ou pior, elas os escolhem. Mas, ao invés, esse facto tem servido para “legitimar” todo o tipo de agressões. Sob a bandeira da democracia, das liberdades individuais, do “Estado de direito” — arvorada pelas potências imperialistas de hoje — cometem-se as maiores barbaridades contra a humanidade.

Em quatro artigos, a publicar sucessivamente, divulgamos as denúncias feitas por comunistas norte-americanos sobre as sanções aplicadas em quase todo o mundo pelos EUA, e as revelações do italiano Manlio Dinucci sobre o rasto histórico de crimes e as ameaças militares presentes dos EUA e da NATO.

As sanções matam. Fim às sanções dos EUA! (**)

Mais de 30 países em todo o mundo são alvo de sanções pelos EUA, incluindo China, Cuba, Irão, Líbia, Coreia do Norte, Rússia, Sudão, Síria, Ucrânia, Venezuela, Iémen e Zimbábue. As sanções são punições colectivas contra populações civis. As sanções matam. Provocam escassez crónica de bens, desarticulação económica e hiperinflação caótica. Aqueles que impõem sanções visam induzir fome, doença, pobreza e desespero entre os mais vulneráveis. Em todos os países, os mais pobres e os mais fracos — crianças, doentes crónicos e idosos — são os que sofrem o pior impacte das sanções.

O gangue que anuncia as políticas de Washington estabeleceu um programa de punição destinado a populações de países em três continentes. Qualquer tribunal internacional honesto acusá-los-ia de crimes contra a humanidade.

O secretário de Estado Mike Pompeo, o conselheiro de Segurança Nacional John Bolton e o presidente Donald Trump declararam em momentos diferentes em Março e Abril [2019] que haverá novas e mais severas sanções contra a Venezuela, Cuba e Nicarágua. As sanções contra o Zimbábue serão estendidas por mais um ano e o Irão não poderá exportar petróleo.

As sanções existentes contra a Rússia acrescentam um quarto continente, a Europa. Além disso, as empresas dos países da União Europeia que façam negócios normais com, por exemplo, Cuba ou Irão, enfrentam punições económicas nos EUA.

Para impor ao resto do mundo o seu domínio em declínio, e agora em decomposição, o imperialismo dos EUA usa o poder militar destrutivo ainda superior — com 800 bases em todos os continentes — juntamente com a máquina de propaganda e o poder económico, minguante, mas ainda impressionante, que detém.

Lembremos as sanções contra o Iraque, que começaram em 1990, continuaram sob as administrações republicana e democrata e terminaram apenas com a invasão dos EUA em 2003. Nesse período, as sanções foram responsáveis pela morte de 1,5 milhão de iraquianos, incluindo 500 mil crianças.

A máquina de guerra mata rapidamente. As sanções, mesmo que mais lentas, são tão mortais como as invasões. Na América, as armas económicas do imperialismo têm como alvo Venezuela, Cuba e Nicarágua com o objectivo de derrubar os seus governos soberanos. No caso de Cuba, o governo socialista desafia as sanções, o bloqueio e a agressão directa dos EUA há 60 anos. O objectivo de Bolton, Pompeo e Trump é fazer com que as populações desses países sofram tanto que se revoltem e derrubem os seus governos.

Mas as sanções nem sempre mudam as políticas dos governos ou os removem. Políticos imperialistas reaccionários como Bolton e Pompeo frequentemente subestimam a determinação das massas ou dos seus governos em resistir à subjugação. Os planos dos criminosos dos EUA podem falhar.
As sanções, no entanto, quase sempre fazem a população sofrer, com os mais pobres e vulneráveis mais afectados — a menos que sejam protegidos por um governo socialista popular como o de Cuba.

Parte da actual nova onda de sanções, disse Bolton, visa impedir a entrega de petróleo da Venezuela a Cuba, ferindo as populações de ambos os países. Bolton não disse se a Marinha dos EUA está envolvida neste tipo de bloqueio, o que seria um acto de guerra.

Os governos de todos os países envolvidos declararam a sua determinação em enfrentar as sanções dos EUA sem alterar as suas linhas políticas. O presidente cubano Miguel Diaz-Canel disse-o no Twitter: “Aqueles que levantam uma espada contra nós não mudam a nossa atitude. Nós cubanos não nos rendemos. … Em Cuba, mandam os cubanos. ”

Nesse mesmo espírito, os anti-imperialistas nos EUA devem tratar as sanções impostas pelos EUA da mesma maneira que tratam as guerras e as ameaças de guerra dos EUA. Devemos mobilizar-nos para lhes resistir. E com base nas sanções criminosas do governo, nosso próprio objectivo é acusar essa quadrilha de assassinos por crimes contra a humanidade.
Pelo fim de todas as sanções dos EUA.

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(*) Semanário do Workers World Party, EUA
(**) Workers World, 25 Abril e 4 Agosto 2019






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